(Fonte da imagem: Reprodução/Power User)

Kim Dotcom não cansa de se envolver em polêmicas. Ao que tudo indica, o empresário e dono do serviço Mega está comprando uma nova briga ao propor a criação de um serviço de email altamente seguro dentro dos seus servidores, com um sistema de criptografia que não poderá ser corrompido nem que as autoridades queiram.

A intenção da equipe de Dotcom em fornecer um novo tipo de email chega logo após o anúncio do fim do Lavabit, o serviço que Edward Snowden utilizava para se comunicar quando planejava denunciar o PRISM e o sistema de vigilância dos Estados Unidos.

O ex-funcionário da NSA (National Security Agency) trocava mensagem com informantes, políticos e jornalistas através do Lavabit, e a empresa foi pressionada a liberar dados sobre a conta do usuário. O dono do Lavabit, incomodado com o cerceamento da individualidade e da privacidade de seus clientes, cometeu um “suicídio” virtual, tirando o serviço do ar.

Um espaço (virtual) a ocupar

Rapidamente, o Mega já começou a planejar seu próprio serviço de email, com um nível de proteção que esteja acima das capacidades de fiscalização dos órgãos governamentais. Internamente, a empresa deu início à documentação do projeto e às exigências de um sistema seguro de criptografia.

A proposta do Mega é criar um mecanismo capaz de deixar todo o conteúdo das mensagens e das contas criptografado, inclusive nos servidores, de tal maneira que a única pessoa que poderá visualizar os dados seja o cliente. Há certa dificuldade em criar um sistema com esse nível de segurança, mas a empresa está decidida em fornecer uma criptografia funcional para todos os usuários.

Fora do radar

Porém, nem tudo se resolve simplesmente com a criação de um novo serviço. O Mega terá que enfrentar pela frente um projeto de lei que pode aumentar o poder de fiscalização de entidades governamentais sobre dados de companhias da internet.

Em entrevista recente ao Torrent Freak, Dotcom se mostrou preocupado com a nova legislação que os Estados Unidos e seus parceiros (entre eles a Nova Zelândia, onde se encontram os servidores do Mega) estão montando para ter acesso às informações de seus clientes.

De acordo com ele, a agência de segurança comunicacional do seu país está querendo ampliar seu poder de vigilância e poderá obrigar as prestadoras de serviço a entregar seus protocolos de segurança e criptografia.

(Fonte da imagem: Reprodução/SCMP)

Mesmo antes de a lei entrar em vigor, Dotcom disse que já está pensando em realocar seus servidores em outro país, longe da jurisdição dos Estados Unidos e aliados. O empresário pensa em países pequenos, especialmente aqueles que não têm inimigos políticos nem tecnologia avançada de espionagem.

Na perspectiva de Dotcom, países como a Islândia podem se beneficiar dessa crise da privacidade na internet: “Eles não espiam o mundo e eles não se importam. Países como a Islândia vão ter um aumento na procura de seus serviços de internet. Há uma grande oportunidade para essas nações menores na medida em que as empresas vão deixar os Estados Unidos à procura de um novo lar”.

Será que Dotcom vai buscar refúgio em outro país para se manter dentro da lei ou vai novamente se encrencar com a justiça ao lançar seu servidor de email?

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