Visando se aproximar ainda mais do público e do ecossistema de tecnologia local, a MediaTek realizou nesta quarta-feira (15) uma nova edição de seu TechDive, um encontro que debate diversos aspectos do universo mobile. Assim, fomos até a sede da empresa, em São Paulo, para conferir a evolução das câmeras dos smartphones e conhecer mais de perto a forma com que os parceiros da companhia desenvolvem seus produtos. A surpresa da vez? Novidades sobre o novo celular da Quantum – ou uma nova família sob essa marca.

Para discutir os temas propostos, o evento contou com a presença de Samir Vani, diretor sênior de vendas corporativas da MediaTek para a América Latina, Hernan Descalzi, diretor sênior de vendas e marketing da MediaTek, e Vinícius Grein, chefe de produtos e um dos fundadores da Quantum. Antes começar o bate-papo, a marca anunciou ainda mais uma medida para melhorar a comunicação com os consumidores: o início das operações do seu perfil oficial no Twitter (@MediaTekBR).

Encontro debateu vários aspectos do mundo mobile.

Tecnologia de ponta em um espaço reduzido

Tomando a frente da discussão, Hernan explicou rapidamente como o público se apoia em uma série de fatores para ter a melhor experiência possível na hora de fazer fotos no celular. De forma geral, há foco em elementos como qualidade de imagem, rapidez nos cliques, fácil acesso a recursos avançados e praticidade de compartilhamento. Para satisfazer essas necessidades, ele afirma que empresas como a MediaTek precisam buscar constantemente a inovação, trazendo muitos dos recursos das câmeras tradicionais para os smartphones.

A principal ideia para tentar alcançar esse objetivo é trabalhar na migração dos mecanismos e das tecnologias mais interessantes das máquinas DSLR, por exemplo, para os cada vez finos dispositivos mobile. O desafio é claro: transportar esses itens para um produto fisicamente menor ao mesmo tempo em se mantém um nível próximo de qualidade e desempenho no sistema fotográfico “miniaturizado”. Segundo o executivo, é aí que entra o papel do processador, que acaba substituindo muitas das funções das câmeras dedicadas.

Hernan Descalzi, diretor sênior de vendas e marketing da MediaTek.

Trabalhando em parceria com o sensor instalado no aparelho, um módulo dedicado de processamento de imagem dentro do CPU ajuda a produzir arquivos com uma maior nitidez ao assumir o controle do obturador, potencializar a captação de luz das lentes e compensar quase todas as desvantagens desse conjunto ótico em escala reduzida. Os avanços na área são tão grandes que os times envolvidos nesses projetos já passam a trabalhar com uma segunda tarefa: adotar ainda mais recursos profissionais e torná-los amigáveis para os clientes.

De acordo com Samir, a prova disso é que os atuais processadores mobile são capazes de utilizar uma infinidade de ferramentas para incrementar sua experiência em fotos e vídeos. Detecção de rostos automática, disparo com latência reduzida, foco ultrarrápido, HDR em uma única tomada, flash duplo e funções de foco múltiplo são apenas alguns desses “mimos”. Mesmo que a performance em baixa luminosidade ainda possa melhorar, já é bastante comum que as pessoas tenham apenas o celular como máquina fotográfica para o dia a dia.

Samir Vani, diretor sênior de vendas corporativas da MediaTek.

Entendendo o nascimento de um celular

Na segunda parte do encontro, foi o executivo da brasileira Quantum quem comandou o show. Para mostrar como a parceria com as fabricantes de componentes é importante na concepção de novos produtos, Vinícius destrinchou de forma breve todo o processo de criação de um celular dentro da empresa, citando parte da experiência obtida com o desenvolvimento do popular Quantum GO. Além de falar sobre a primeira cria da companhia, o curitibano também deixou escapar alguns detalhes sobre possíveis sucessores – sim, no plural!

Para começar, ele explicou que a idealização de um novo aparelho dentro da companhia é algo extremamente pessoal, nascendo de um insight e de ideias de toda a equipe – através de debates diários. Não há grandes estudos de mercado, orçamentos ou pesquisa pesada no início desses projetos, mas sim a captação de experiências dos funcionários e até do público – através de contato direto ou dos perfis da marca nas redes sociais. Depois que um conjunto legal de itens é condensado, chega a hora de traduzir tudo isso para um produto real.

A idealização de um novo aparelho dentro da companhia é algo extremamente pessoal, nascendo de um insight e de ideias de toda a equipe

A partir desse momento, o time passa a procurar por referências, tendências tecnológicas, opções de materiais e a fazer propostas concentras para viabilizar o dispositivo final. Com características mais definidas, o desenvolvimento passa para a etapa de criar um design para o aparelho, com Vinicius e seu grupo dando palpites sobre formato geral, tamanho da tela, disposição de elementos e até a respeito da “pegada” do celular. Com tudo fechado no quesito visual e estético, a empreitada ainda enfrenta um período árduo de validação.

Além de precisar receber um feedback positivo através da apresentação de mocapes – impressões 3D simulando a aparência do equipamento –, o projeto é submetido a um longo processo de montagem, prototipagem e testes. Um software dedicado a essa função ajuda a selecionar quais componentes integram o coração do sistema, que posição é a ideal para cada um deles e qual é a melhor maneira de interligá-los para conseguir uma maior eficiência. O detalhe? Qualquer problema nesse passo faz com que que a empresa volte para a prancheta.

Uma vez que a composição tenha sido aprovada, começa a corrida para a produção de peças e elementos feitos sob medida para o smartphone, além do contato com os parceiros para o fornecimento de displays, chips e módulos de memória. Uma série de protótipos é criada e avaliada para que seja possível eliminar as “rebarbas” do projeto e seguir para a etapa derradeira de fabricação. A produção em massa é feita aos poucos, com acompanhamento próximo de funcionários da companhia para garantir a qualidade do produto.

Uma família Quantum?

Com Vinicius presente do evento, é claro que não poderiam faltar perguntas a respeito de novos lançamentos da empresa, principalmente depois da ótima resposta obtida com o Quantum GO pelo público e pela imprensa especializada – confira nosso review do smartphone aqui. Já preparado para os questionamentos, o executivo foi bem sutil e evasivo nas respostas, indicando, sim, que a companhia está trabalhando em um novo produto, mas que eles ainda não estão prontos para compartilhar informações sobre ele.

Apesar disso, tivemos algumas pequenas novidades a respeito do tema. Em primeiro lugar, a Quantum confirmou que pretende disponibilizar novos dispositivos antes de seu primeiro aniversário, o que coloca setembro com uma possível data limite para que vejamos um novo item da linha. Outro ponto abordado é a chance vermos não apenas um, mas múltiplos sucessores do equipamento, sugerindo a existência de uma “família Quantum”. Não sabemos se o termo diz respeito a diversos modelos de smartphone ou a adição de acessórios ao selo.

Vinícius relatou sua experiência com a Quantum na produção de um novo celular.

Outra dica forte de que poderemos ter mais de um celular na próxima leva de lançamentos da parceira da Positivo é o fato de Vinícius ter mencionado que trabalhar em mais de um smartphone dá mais chances de testar o mercado e superar a expectativa alta dos consumidores por novidades. O melhor de tudo? Ao que parece, o sucessor – ou os sucessores – do atual carro-chefe da Quantum manterá algumas das características principais do gadget: preço e desempenho competitivos.

Adicionalmente, o executivo garantiu que o Quantum GO continuará tendo suporte e que liberar atualizações como a do Android 6.0 é muito importante para manter a proximidade com os clientes – que possuem um perfil heavy-user e têm uma taxa de adoção de updates bem superior à média, beirando 90% da base de usuários. Por fim, Vinícius admitiu ter se inspirado no modelo de negócios da Xiaomi para emplacar seu produto, com a diferença no sucesso entre as marcas se dando pelo fato de a Quantum “entender o Brasil e seus consumidores”.

O executivo garantiu que o Quantum GO continuará tendo suporte e que liberar atualizações como a do Android 6.0 é muito importante para manter a proximidade com os clientes

Fato curioso: você se lembra daquela notícia dizendo que o possível novo celular da marca havia aparecido ao fundo de um dos vídeos publicados por eles no YouTube? Embora não tenha dado nenhum detalhe sobre o modelo, Vinícius confirmou que o dispositivo se trata realmente de um dos projetos tocados pelo seu time. E aí, algum palpite para o que veremos dentro de alguns meses?

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