O mundo mudou muito nos últimos 20 ou 30 anos. A revolução tecnológica que começou em meados do século 20 chegou em seu auge entre as décadas de 1980 e 1990 com o aumento do acesso das pessoas aos computadores pessoais e outros dispositivos que, conforme foram avançando, tornaram-se mais práticos e úteis e passaram a fazer parte do dia a dia das pessoas.

Como era de se esperar – em alguns casos mais, em outros, menos –, as atividades corriqueiras das pessoas nunca mais foram as mesmas após a popularização de dispositivos como computadores, celulares e tablets, e, claro, com o advento da internet. A troca de informações aumentou vertiginosamente e muitas coisas acabaram sendo reunidas em apenas um aparelho, tornando nossa vida muito mais prática, mas, principalmente, mais compatível com a velocidade desse admirável mundo novo.

Fim ou recomeço?

Um dos impactos mais poderosos que essa revolução tecnológica causou foi no mercado musical, que sofreu com as mudanças antes de se adaptar melhor, processo que ainda está em pleno curso. A guerra travada por gravadoras e artistas contra sistemas de compartilhamento de arquivos ganhou as manchetes dos jornais e desfraldou uma nova realidade que foi dura de engolir para quem ganhava milhões no comércio de discos e CDs: as mídias físicas deveriam dar espaço para a música digital, muito mais apta a se adaptar a esse mundo de dispositivos portáteis e conectados.

O livro, com esse jeitão “antiquado”, companheiro do ser humano há séculos, aparentemente se mantém quase intacto nessa história toda, apesar dos eReaders e PDFs

O cinema e outras formas de comunicação também passaram, passam ou vão passar por esse processo de renovação, visto que a indústria fonográfica já serviu como lição de que não há como enfrentar o futuro e que toda essa tecnologia chegou para ficar.

Pois entre tantas plataformas, meios e processos que desapareceram ou foram completamente alterados com a chegada da internet e dos dispositivos móveis, o livro, com esse jeitão “antiquado”, companheiro do ser humano há séculos, aparentemente se mantém quase intacto nessa história toda, apesar dos eReaders e PDFs. Mas por que os livros conseguiram ser poupados nessa revolução digital pela qual passamos? Tentamos entender um pouco.

O charme dos livros de papel

Compreendendo o leitor

Um estudo realizado pelo Pew Research Center nos Estados Unidos confirmou que desde 2012 a quantidade de pessoas que leu um livro real, de papel, não mudou muito. Primeiramente, é interessante notar que, apesar de todas as distrações possíveis, como joguinhos de smartphone, Netflix, redes sociais, aplicativos de comunicação e mesmo a navegação sem muitos objetivos na internet, 73% dos americanos afirmaram que leram um livro nos últimos 12 meses. Em 2012, esse número era praticamente idêntico: 74%.

Desse total de leitores norte-americanos, 65% leram suas histórias nos bons e velhos livros de papel, 28% usaram algum dispositivo para ler a partir de um eBook e 14% ouviram um audiobook

Desse total de leitores norte-americanos, 65% leram suas histórias nos bons e velhos livros de papel, 28% usaram algum dispositivo para ler a partir de um eBook e 14% ouviram um audiobook (a soma ultrapassa 100% pois algumas pessoas utilizaram mais de um meio). No ano de 2012, esses valores eram, respectivamente, de 23% e 13%, ou seja, uma mudança muito amena.

Levando em conta tudo o que foi alterado na maneira de consumir todo tipo de entretenimento após a virada do século 20 para o 21, é impressionante notar que mais da metade da população ainda utiliza livros de papel para fazer suas leituras. Comparando com a quantidade de pessoas que usa smartphones, tablets, computadores e dispositivos similares, esse valor é ainda mais surpreendente.

Sobrevivente

Analisar o porquê de as pessoas continuarem comprando e lendo livros de papel é uma tarefa bastante complexa, visto que as motivações são as mais diversas e, se você questionar 10 pessoas diferentes na rua sobre o assunto, você provavelmente vai ganhar 10 respostas diferentes. Assim, podemos levantar algumas razões mais “universais” para os eReaders não terem conseguido substituir por completo os livros “old school”.

Disponibilidade maior

Mesmo sendo sucesso há algum tempo, não é qualquer título que você encontra no formato de eBook. Geralmente, livros de origem anglo-saxã, escritos em inglês, possuem uma disponibilidade maior nesse formato digital, mas ainda assim há muita coisa que só pode ser apreciada em versões físicas.

Aqui também podem ser incluídos livros educativos, usados em escolas ou faculdades, que via de regra não são muito acessados de maneira virtual, e outros títulos que ou ainda não foram convertidos para a versão digital ou encararam uma baixa procura que fez com que isso parecesse ser economicamente inviável para as editoras. Seja como for, ainda é mais fácil achar um livro de papel do que sua versão em eBook.

Às vezes, você só encontra o que procura em um livro "real"

Conforto na hora da leitura

Um dos pontos mais importantes na hora de decidir qual versão adquirir é o conforto na hora da leitura. Talvez por falta de costume, talvez porque realmente as telas de tablets e eReaders cansam mais os olhos, os livros de papel agradam bastante os leitores, especialmente aqueles que consomem bastante.

Outras formas de ler eBooks, em tablets ou mesmo nas telas de computadores, acabam afastando quem tenta curtir uma leitura através desses meios

Mesmo com os eReaders trabalhando continuamente na tecnologia de seus visores, que geralmente simulam o papel branco dos livros e a diagramação dos textos, outras formas de ler eBooks, em tablets ou mesmo nas telas de computadores, acabam afastando quem tenta curtir uma leitura através desses meios. E quando o que você lê encontra-se em um arquivo em PDF sem uma formatação adequada, a tarefa fica mais complicada ainda.

Confortável em qualquer situação

Livros “de verdade” são mais atraentes

Se você é um grande leitor e tem o costume de comprar e consumir livros com certa frequência, sabe a dureza que é entrar em uma livraria quando você deveria dar uma maneirada nos seus gastos. Livros são atraentes e bonitos, possuem capas chamativas e nos deixam com as mãos coçando de vontade de comprá-los. Sem contar o prazer de ver sua estante repleta de volumes dos mais diversos tamanhos, cores e formas.

Ciente do risco ao qual foi exposto com o “boom” tecnológico do fim do século 20, o marketing das publicações tratou de dar um jeito de nos fazer continuar comprando livros

Pode perguntar para quem gosta: a sensação de ter um livro nas mãos faz uma diferença considerável na hora da decisão, enquanto as versões digitais são apenas letrinhas em uma tela branca. Pode não parecer, mas esse fator é bastante crucial na hora de tirar dinheiro do bolso para ler algo interessante.

Tudo isso, é claro, é parte do esforço contínuo que as editoras fazem para não perder mais mercado, ainda que essa redução nos anos recentes tenha sido bem pequena. Ciente do risco ao qual foi exposto com o “boom” tecnológico do fim do século 20, o marketing das publicações tratou de dar um jeito de nos fazer continuar comprando livros, e essa paixão pelo famoso cheirinho de livro novo certamente colabora muito com a manutenção de suas vendas.

Acesso à tecnologia

Vivemos em um mundo repleto de diferenças sociais, com abismos que separam classes sociais e determinam quem pode ter acesso a produtos mais caros e bem elaborados. Incluem-se nisso os dispositivos modernos que permitem aos usuários consumirem seus livros favoritos em aparelhos caros pelos quais nem todo mundo pode pagar.

Ainda assim, é claro, essas pessoas continuam lendo e vão conseguir seus livros comprando-os (quando podem) ou até alugando-os em bibliotecas, algo que ainda não existe no mundo virtual da leitura. De qualquer forma, ainda é mais barato adquirir sua próxima leitura em um sebo, por exemplo, caso a grana esteja curta, do que desembolsar centenas de reais em um eReader ou tablet e ainda ter que pagar pelas versões digitais dos livros.

Qual é a sua escolha?

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Independentemente do motivo, uma coisa é fato: os livros devem continuar nos fazendo companhia por muitos e muitos anos, mesmo com o espaço dividido entre eles e os eReaders, tablets e outros dispositivos. A mesma previsão ainda serve para revistas e jornais impressos, que, mesmo apresentando uma queda no consumo, continuam firmes e fortes, dividindo espaço com as novas publicações na internet.

É difícil dizer por quanto tempo essa prática deve continuar, mas os números mostram um futuro promissor para livros de papel

É difícil dizer por quanto tempo essa prática deve continuar, mas os números mostram um futuro promissor para livros de papel, com aumento inquestionável no número de vendas nos últimos anos. Aparentemente, o livro é um sobrevivente, que viu nascer, crescer e morrer mídias como LP, fita cassete, CDs e DVDs e continuou de pé.

E você, que tipo de mídia utiliza na hora de ler? Ainda coleciona livros de papel ou prefere lê-los no Kindle ou no Kobo? Já leu livros em versão PDF direto na tela do computador? Conte para a gente nos comentários qual é a sua ligação com a leitura e onde você se encaixa nesse mundo ao mesmo tempo tão antigo e tão atual.

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