No mês retrasado, o TecMundo analisou a Vela 1, uma bicicleta elétrica fabricada pela startup brasileira Vela Bikes — e, apesar dos pontos negativos, a aprovamos como um excelente meio de transporte para cenários urbanos. Porém, muita gente não curtiu o visual retrô da magrela e reclamou da escolha do sistema pedalec (ou seja, o motor só funciona quando o ciclista está efetivamente pedalando).

Pensando nisso, desta vez, resolvemos experimentar um produto um pouco diferente. Fomos atrás da LEV (sigla para Light Electric Vehicles, ou Veículos Elétricos Leves), uma empresa carioca que pode ser considerada pioneira na fabricação e comercialização de bicicletas elétricas aqui no Brasil. A marca gentilmente permitiu que testássemos, durante uma semana, a E-bike L, seu modelo top de linha cujo preço sugerido é de R$ 5.590.

Diferente da Vela 1, a E-Bike L é “quase” uma moto, visto que possui um acelerador no punho direito que dispensa o uso dos pedais caso o condutor não esteja disposto a pedalar. Sendo assim, o produto chega ao mercado para conquistar aqueles que procuram por um veículo alternativo para a cidade, mas que não esteja necessariamente interessado em fazer exercícios físicos. Confira nosso review e veja o que achamos do modelo!

Especificações técnicas da LEV E-bike L

Design e construção

Como dissemos na introdução desta análise, a E-bike L possui um visual bastante moderno e peculiar. Seus criadores apostaram em um quadro step-through (aberto), que, embora seja geralmente associado a bicicletas femininas, se mostra um desenho bastante prático por permitir que o ciclista monte no veículo e desmonte com maior praticidade em comparação com um quadro comum (que te obriga a jogar a perna por cima do selim).

O material escolhido para a construção do corpo foi o alumínio e é possível encontrar a E-bike L em quatro cores distintas: preta, branca, cinza e vermelha. O modelo conta com uma suspensão dianteira, freio a disco na roda frontal e a tambor na traseira. O banco de fábrica é de espuma e bastante confortável; há também um segundo assento na garupa, que pode ser usada para transportar bagagem (tal como a cestinha frontal).

A E-bike L é muito confortável de pilotar. O guidão é alto o suficiente para que você não precise se abaixar demais, mantendo suas costas eretas e os braços levemente flexionados. O modelo tem tamanho único, mas, graças aos ajustes no canote do selim e na mesa, é possível adaptá-lo rapidamente para condutores de maior ou menor estatura — basta usar chaves allen convencionais.

Aliás, vale a pena observar que a magrela acompanha os seguintes acessórios: um carregador bivolt para a bateria, um jogo de ferramentas básicas e um molho de chaves com duas originais (a de ignição e a de bloqueio da roda traseira) e duas sobressalentes. Evitando o desperdício de matéria-prima, o manual de instruções da E-bike L é enviado em formato eletrônico por email assim que o comprador sai da loja com seu novo veículo.

A LEV optou por uma quadro step-through, que é mais confortável e prático nas cidades

Ligando o motor

O motor elétrico da E-bike L é instalado na roda traseira da bike e possui 250W de potência — ou seja, são 100W a menos em comparação com a Vela 1. Porém, diferente desse modelo anteriormente analisado, o automóvel da LEV possui um acelerador no punho direito do guidão. Isso significa que a magrela funciona basicamente como uma motocicleta: basta puxar a manopla para trás e acelerar de acordo com a necessidade.

A E-bike L consegue atingir até 30 km/h

Para ligar o veículo, é preciso inserir a chave na ignição e girá-la para a direita, acionando o sistema elétrico. Através de um pequeno botão posicionado logo abaixo do acelerador, é possível desligar completamente o auxílio do motor (primeiro nível) ou selecionar entre três níveis de velocidade diferentes (segundo, terceiro e quatro nível). Em seu desempenho máximo, a E-bike L consegue atingir até 30 km/h com facilidade em terrenos planos.

Nas subidas, porém, a história é diferente. O motor elétrico do modelo não é forte o suficiente para encarar aclives acentuados, sendo necessário pedalar nesses momentos a fim que a bicicleta consiga concluir o trajeto — e, mesmo assim, o produto da LEV ainda perde para a Vela 1. Por outro lado, dirigir a E-bike L no plano não poderia ser mais divertido, pois o acelerador é uma mão na roda para que você não chegue suado no seu destino.

O acelerador lhe permite se locomover em trajetos planos sem ter que usar os pedais

É importante lembrar também que o automóvel possui um modo “piloto automático”. Ao atingir determinada velocidade, basta apertar esse botão para que o veículo mantenha a aceleração sem que seja necessário puxar a manopla ou pedalar. Trata-se de um recurso interessante para vencer logradouros longos, retos e de trânsito intenso, como a Avenida Paulista e a Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo (só para citar algumas vias em que testamos a bike).

Os freios da E-bike L se mostraram eficientes, especialmente porque eles também cortam a alimentação elétrica do motor quando acionados. A buzina, por ser elétrica, produz um som mais alto e chama mais atenção nas ruas do que uma análogica. Por fim, tanto a lanterna dianteira quanto a traseira também nos agradaram — sentimos falta apenas de setas para indicar aos motoristas quando iríamos entrar em alguma rua ou mudar de faixa.

A E-bike L possui um guidão elevado, mantendo o ciclista em uma posição mais ereta

Autonomia

A bateria da E-bike L possui 36V e 10 amperes, capaz de aguentar mais ou menos 30 km de uso misto — ou seja, com o usuário auxiliando o motor e pedalando em determinados momentos. Obviamente, a autonomia também varia de acordo com a inclinação do trajeto percorrido. Quem enfrenta muitas ladeiras em seu caminho vai perceber que o motor elétrico dura um pouco menos em comparação com quem está sempre em ruas planas.

O tempo de recarga varia entre 3 e 5 horas

No geral, porém, a autonomia do modelo da LEV agrada, principalmente se levarmos em conta o fato de que estamos falando sobre um veículo de mobilidade urbana. O tempo de recarga varia entre 3 e 5 horas — o ideal é que você não deixe a bateria se descarregar completamente, garantindo que ela não precise ficar muito tempo na tomada até que esteja cheia e pronta para outro passeio.

Aliás, outro ponto positivo é o fato de a bateria ser retirada facilmente da E-bike L para ser recarregada. Basta acionar uma trava do selim, levantar o banco, inserir a chave na ignição e girá-la completamente para a esquerda, destravando o componente de seu trilho. Essa característica é muito importante, pois a magrela é relativamente pesada e o mais apropriado é deixá-la na garagem/quintal e levar somente a bateria para conectar na tomada dentro de casa.

A bateria pode ser removida para ser recarregada

Painel, USB e recursos de segurança

É importanter comentar também sobre outras particularidades da E-bike L. A principal delas é o seu painel digital — não se trata de uma tela LCD, mas sim de uma pequena peça com luzes LED que se acendem para indicar informações. Essa interface lhe permite conferir o nível de potência selecionado para o motor (como dissemos anteriormente, são quatro opções), o nível de bateria, se os farois estão acionados ou não e assim por diante.

Infelizmente, ficou faltando um velocímetro para indicar a velocidade da magrela em tempo real — um hodômetro também cairia bem. Por outro lado, o modelo sai de fábrica com uma porta USB ao lado da manopla esquerda que pode ser usada para recarregar um celular — assim, basta fixar seu smartphone no guidão e usar um app que transforme o aparelho em um ciclomotor.

Por fim, ressaltamos que a E-bike L possui uma trava de segurança na roda traseira, que pode ser acionada e desarmada com uma das chaves que o ciclista recebe ao adquirir a magrela. Isso impede que alguém furte o veículo pedalando, mas não ajuda muito caso o ladrão esteja disposto o suficiente para colocar a bike nas costas e sair carregando mesmo assim. O uso das correntes e travas em U (U-Lock) ainda é recomendado.

Faltou um velocímetro no painel

Vale a pena?

A E-Bike L é, no geral, uma bicicleta elétrica excelente para quem deseja um veículo leve, intuitivo e veloz para trafegar em cenários urbanos — desde que você não enfrente muitos aclives no caminho para o trabalho, casa, faculdade etc. Trata-se de um produto bem mais amigável do que a Vela 1 e que apresenta uma proposta diferente dessa concorrente: em vez de focar nos amantes do ciclismo, o modelo é mais atraente para pessoas que não têm o costume de pedalar e/ou não têm interesse em enxergar o modal como atividade física.

O modelo é mais atraente para pessoas que não têm o costume de pedalar

O principal motivo para isso é justamente o fato de que a magrela possui acelerador, dispensando o uso dos pedais na maior parte do tempo. Sua aceleração é suave e a velocidade máxima é alta o suficiente para que acompanhe carros e motos em grandes avenidas. A posição de pilotagem é confortável para trajetos mais longos e a suspensão dianteira é uma benção para quem mora em cidades esburacadas.

A autonomia também está na média do mercado, tal como o tempo necessário para recarregar as baterias. A E-bike L só nos decepcionou em relação a falta de potência para as subidas (algo que não vai incomodar quem estiver disposto a suar um pouquinho) e ausência de um velocímetro em seu painel digital. De resto, trata-se de um produto sensacional e muito divertido de pilotar.

Vale a pena investir em uma E-bike L?

O preço sugerido do modelo é de R$ 5,590 — um investimento relativamento alto, mas que compensa a longo prazo. Ao compararmos uma bicicleta elétrica com uma moto, é importante lembrar que a magrela dispensa uma série de impostos que recaem sobre o veículo à combustão.

Além disso, a manutenção é bem mais barata, as recargas elétricas saem mais em conta do que a gasolina e não é necessário ter CNH e tampouco emplacar um automóvel desses (ao menos por enquanto). São pontos que precisam ser levados em consideração antes que você tome qualquer decisão.