Entre as tecnologias que fazem parte da nossa rotina diária, é possível afirmar que o laser é uma das mais icônicas quando se fala de recursos tipicamente associados à ficção científica que foram transportados com sucesso para a vida real. Ok, ainda não temos pistolas iguais às de Star Wars ou outras franquias do cinema, mas leitores de mídia digital, cirurgias de miopia e impressões rápidas devem muito de sua eficiência ao recurso. A popularização dos lasers, no entanto, tem sua cota de perigo aos humanos, principalmente à nossa visão.

O preço progressivamente mais baixo de produzir dispositivos com a tecnologia laser fez com que o laser saísse de investidas militares e de projetos multimilionários para cair nas mãos do cidadão comum. Um exemplo disso é a ampla oferta de ponteiros laser, que são utilizados comumente para dirigir os olhos do público em apresentações regadas a Powerpoint ou para fazer gatos perderem as estribeiras perseguindo o sinal móvel. A irresponsabilidade no manuseio desses brinquedinhos, porém, tem rendido toda sorte de problemas.

Pilotos de avião e helicóptero por todo o mundo, por exemplo, andam sofrendo bastante com “ataques” de engraçadinhos que não têm muita noção da gravidade de suas ações ao erguer o equipamento – geralmente comprado em sites chineses – para os céus em direção a esses veículos. Enquanto as autoridades se organizam para combater casos como esses, as pessoas comuns ficam relativamente expostas a um feixe de laser bem em seu campo de visão – sem muita chance de defesa.

Todo cuidado é pouco

Como nossos olhos são bem sensíveis e adaptados para enxergar, com uma qualidade consideravelmente alta de detalhes, ambientes pouco iluminados, seu defeito é justamente fontes de luz múltiplas vezes mais poderosas do que aquelas a que estamos acostumados. Para garantir a segurança dos consumidores, muitos dos equipamentos vendidos ao público comum se limitam a utilizar lasers de classe 1 ou 2 – embora isso nem sempre seja indicado claramente na embalagem ou no exterior da peça.

Porém, enquanto o item colocado dentro de um tocador de DVD ou PlayStation 4 pode fugir dessas especificações sem um tipo de ameaça real para a segurança alheia – já que ficam escondidos embaixo de uma infinidade de hardware –, os ponteiros laser são regulados de forma bastante precária. Mesmo nos Estados Unidos e na Europa, regiões que andam fechando o cerco sobre esse tipo de aparelho, itens vendidos como se tivessem potência de 1 miliwatt acabam apresentando um raio que pode chegar a até cem vezes esse limite.

Na teoria, a bateria de um aparelho mobile comum já teria energia suficiente para alimentar um feixe de laser absurdamente poderoso – até mil vezes mais potente que o recomendado para não ferir olhos humanos –, algo que ressalta ainda mais a importância da fiscalização desse setor. Os órgãos reguladores internacionais têm trabalhado para tirar de circulação os gadgets mais perigosos, mas, enquanto isso não acontece na escala necessária, campanhas de conscientização podem ser uma solução temporária.

Isso porque, enquanto grande parte dos usuários entender que esses ponteiros com a tecnologia – em geral, com as cores verde e azul – são uma espécie de brinquedo inofensivo, mais as pessoas ficam suscetíveis a possíveis acidentes. Claro que acertar exatamente a íris de alguém sem mirar esse ponto é algo bem difícil. Porém, imagine uma criança ou um jovem com um dispositivo laser nas mãos e bem próximo a um amiguinho na escola ou na rua: nessas condições, as chances de dano permanente na visão sobem consideravelmente.

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