Um parque industrial digno de filmes pós-apocalípticos. Este é o cenário que vemos no melancólico minidocumentário de Colin Archdeacon e John Woo, que mostra o Eastman Business Park, onde um dia funcionou a pleno vapor a Kodak, líder na produção de filmes fotográficos e outras parafernálias relacionadas à fotografia e filmagem.

A área de 5,3 km² em Rochester, no estado de Nova York, que um dia já teve cerca de 200 prédios, hoje abriga uma porção de outras empresas que buscavam espaço para operar. Muito do que havia lá já foi demolido ou vendido, mas em uma das construções restantes ainda sobrevive a Kodak.

Após sua falência em 2012, devido à queda desenfreada nas vendas de seus produtos, causada pela ascensão da fotografia digital, a Kodak precisou buscar novos horizontes. No mesmo local onde já operou no auge de seu funcionamento, fabrica-se hoje quase todo tipo de produto, de embalagens a molho de tomate.

Funcionário trabalhando no que restou da Kodak

Os números da queda

Dos 30 mil funcionários dos anos áureos, apenas 300 trabalham hoje na empresa em Rochester. Mundialmente, esse número foi de 144 mil, no auge, para 8 mil empregados. À frente desses 300 funcionários no Eastman Business Park está Terry Taber, supervisor de pesquisa e desenvolvimento, há 34 anos vestindo a camisa da empresa. Taber assistiu ao declínio da Kodak sem poder fazer nada a respeito além de torcer para que o poço não fosse tão fundo. Mas ele resistiu firmemente.

De dentro dos laboratórios, esses 300 engenheiros trabalham diretamente com o desenvolvimento de tecnologias novas, como tintas especiais, novas tecnologias de impressão, sensores que servem para indicar na embalagem de um produto se ele está vencido e telas sensíveis ao toque mais baratas para serem implantadas em smartphones e afins.

Trabalhadores na fábrica da Kodak em 1906

Um novo rumo para a tecnologia

Jeff Clarke, novo chefe-executivo da Kodak, acredita que a missão não será fácil. Segundo ele, a empresa não tem força para lançar algum produto com marca própria usando essas tecnologias. Por isso, seria necessário fazer parcerias para que as pesquisas fossem adotadas em produtos de terceiros e, assim, comercializadas.

Do que era vendido antigamente, os produtos relacionados diretamente à fotografia, apenas uma minúscula porcentagem ainda sai da fábrica. A queda foi de 96% desde 2007. São poucas as pessoas que ainda tiram fotografias usando filmes, e mesmo grandes estúdios de cinema já partiram para a tecnologia digital. A produção anual, que em 1990 girava em torno de 19 bilhões de dólares, caiu para apenas 2 bilhões anuais. Considerando a inflação e as correções monetárias de 1990 até hoje, é uma queda catastrófica.

Engenheiros nos novos laboratórios da Kodak

Uma mãozinha do cinema

Ainda assim, grandes nomes do cinema como Quentin Tarantino e J.J. Abrams apoiam o uso do filme tradicional, rendendo para a Kodak alguns acordos interessantes com estúdios de Hollywood, que se comprometeram a continuar comprando deles os rolos de filme por mais alguns anos, enquanto ainda existirem diretores mais old school, fãs do bom e velho filme.

Resta para a Kodak encontrar seu lugar nos dias de hoje. Investir pesado em novas pesquisas que possam se encaixar com facilidade na realidade tecnológica de hoje. Força e peso no nome, algo muito difícil de conseguir nesse mercado, a Kodak já possui e ainda não perdeu.

Será que em alguns anos voltaremos a ver esse nome estampado em produtos eletrônicos, seja em câmeras, impressoras ou quem sabe até mesmo em produtos completamente fora dessa área? Vai depender de dedicação, esforço e também de uma boa parcela de sorte para os 300 que ainda habitam o prédio no meio de escombros das construções da Kodak no outrora glorioso Eastman Business Park.

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