Não há dúvida de que a Amazon é uma das referências do mercado de leitores digitais com a sua linha Kindle. A companhia não está disposta a perder esse status, e a prova disso é o mais recente modelo de eReader da marca: o Kindle Voyage — ele foi lançado em setembro de 2014 nos EUA, mas que ainda não chegou no Brasil.

Com melhorias na tela, avanços no sistema de iluminação e leitura e aperfeiçoamentos em seu formato, o aparelho promete proporcionar a melhor experiência possível quando o assunto é leitura digital. Mas será que as mudanças implementadas são relevantes e ele realmente vale o investimento? É isso que você confere a seguir.

Especificações técnicas

Mais leve, mas elegante como sempre

Quando o assunto é visual, o Voyage não fugiu muito das linhas de seu antecessor, o Paperwhite. O novo leitor da Amazon manteve os traços arredondados das bordas e o material fosco e emborrachado de revestimento, ganhando apenas algumas ranhuras e uma pequena faixa em material plástico black piano na parte traseira. Assim, a linha continua com uma aparência discreta e elegante.

Uma mudança perceptível é a localização do botão que liga e desliga a tela, que agora fica atrás do eReader. Seu novo posicionamento mais uma vez parece ter sido bem pensado pela fabricante, pois não atrapalha na hora de ler e evita que o display seja desligado sem querer —algo que poderia facilmente acontecer se esse recurso ficasse na lateral do dispositivo.

Vale ressaltar ainda que o Voyage está um pouco menor, mais fino e leve do que o Paperwhite. Com apenas 0,76 cm de espessura, o aparelho pesa 180 gramas na sua versão apenas com WiFi e 188 gramas na edição que pode se conectar via WiFi ou 3G. Tais características promovem uma pegada menos “tensa”, já que você não precisa esticar e forçar tanto a mão para segurá-lo. Dessa maneira, você pode ter longas leituras com apenas uma das mãos sem cansar.

Pixels condensados

Outro destaque do Kindle Voyage é a sua tela. Embora ela tenha as mesmas seis polegadas que a de seu antecessor, o display deixou de ter uma diferença de relevo em relação à carcaça (colaborando também para uma maior harmonia da sua aparência) e recebeu um aumento considerável de pixels por polegada. Agora, ele tem 300 pixels por polegada, contra os 212 do modelo anterior da linha.

Na prática, essa maior densidade de pixels resulta na exibição de letras mais refinadas e nítidas. Em consequência disso, a leitura tende a ficar ainda mais natural e parecida com a de um livro físico. Além disso, conforme informado pela Amazon, o vidro frontal do dispositivo emprega uma textura que tenta passar a sensação de toque em papel — o que, sinceramente, não conseguimos sentir.

Iluminação adaptativa

O sistema de iluminação foi outro recurso aprimorado para o Voyage. Assim como já acontecia no Paperwhite, as luzes são direcionadas para a tela, e não para os seus olhos, sendo um dos aspectos deste modelo que buscam evitar o cansaço visual durante a leitura. Aliada a esse recurso, uma camada especial de vidro evita ao máximo a incidência de reflexos no display. Durante nossa análise, foi fácil perceber que esse último aspecto melhorou bastante se comparado ao do Paperwhite. No Voyage, mesmo quando o utilizamos sob o sol, a distorção da imagem foi praticamente nula.

Como se isso não bastasse, este leitor possui um sensor capaz de identificar a luminosidade do ambiente, permitindo que o aparelho regule o nível de iluminação da tela automaticamente. Por exemplo, se você estiver lendo no quarto e resolver apagar a luz, o novo Kindle percebe essa mudança e vai reduzindo gradativamente a iluminação interna, para que seus olhos se adaptem sem afetar a leitura.

Sem mover um dedo

Essa ótima experiência já promovida pela tela e seu sistema de iluminação é ainda complementada pela nova função PagePress, que consiste em um sensor de pressão feito de carbono e prata que fica nas laterais do eReader. Com base em um sistema tátil de resposta, o aparelho percebe que você pressionou uma das bordas com maior intensidade e executa o comando de transição de página, que acontece da forma bem sutil.

Em outras palavras, você pode mudar de página sem tirar os dedos do Voyage. Outro aprimoramento nesse sentido consiste na disponibilização de ações de avançar ou retroceder uma página a partir de ambas as bordas do aparelho. Com isso, você pode passar ou retornar a sua leitura segurando o Voyage com uma única mão sem qualquer complicação.

Lendo semanas sem parar

Em relação à bateria deste modelo, não temos muito o que ressaltar ou criticar. O fornecimento de energia segue basicamente os mesmos padrões de potência e qualidade do Paperwhite e demais versões da linha, sendo suficiente para uma semana ou até mais de leitura com uma única carga.

A Amazon promove seu eReader como sendo capaz de ficar longe da tomada por até seis semanas. Obviamente, tais parâmetros são para situações ideais, como leitura de meia hora por dia, desconectado de redes WiFi ou 3G e com iluminação no nível 10. Mesmo não adotando tais configurações, a bateria do Voyage deve permitir que você leia um ou até mais livros do seu acervo com uma única carga.

Biblioteca ilimitada

Aproveitando o gancho, a biblioteca da loja brasileira da Amazon merece ser mencionada por seu amplo e constante crescimento, algo que é até natural após um período de adaptação ao nosso mercado e de negociações com editoras que vêm evoluindo após mais de dois anos da presença da empresa no Brasil.

Mas o destaque mesmo fica com a chegada do serviço Kindle Unlimited em terras tupiniquins. Por apenas R$ 20, você tem à sua disposição centenas de milhares de títulos, dos mais variados gêneros e idiomas. São opções para ninguém ter desculpa que não tem o que ler, e o que é melhor: por um preço que pode ser mais barato do que um único exemplar novo, seja físico ou digital.

Suporte ampliado

A Amazon também realizou uma pequena ampliação dos formatos de arquivos suportados pelo seu mais recente produto. Com isso, o Kindle Voyage pode abrir conteúdos em AZW3 (Kindle Format 8), AZW (Kindle), TXT, PDF, MOBI e PRC nativamente. Além disso, as extensões HTML, DOC, DOCX, JPEG, GIF, PNG e BMP são aceitas por meio de conversão.

Aqui devemos registrar apenas que o leitor digital da empresa continua não lidando muito bem com arquivos PDF. As letras são muito pequenas e quando ampliadas, facilmente extrapolam os limites da tela do dispositivo. Documentos que possuem muitas imagens podem pesar no espaço de armazenamento do aparelho e reduzir drasticamente a quantidade de livros digitais salvos.

Navegador realmente experimental

Não é de hoje que os eReaders da linha Kindle oferecem um browser incorporado ao seu sistema operacional. O problema é que esse navegador, indicado como “experimental” pela fabricante, continua apresentando um desempenho abaixo do esperado, sendo bastante lento e ineficiente na hora de abrir sites um pouco mais elaborados.

Apesar de sabermos que os pequenos atrasos na exibição de páginas têm relação com limitações técnicas das telas do tipo E Ink, já que cada conteúdo é “impresso” na tela, e não simplesmente reproduzido (clique aqui para saber como isso funciona), esperávamos ver algum avanço nesse recurso do Voyage. Assim, o browser pode servir para abrir o Google e fazer uma breve pesquisa, mas pode esquecer a possibilidade de navegar pelo TecMundo para acompanhar nossas notícias e artigos.

Vale a pena?

De maneira bem objetiva, se você está buscando um leitor digital e uma experiência que se aproxime ao máximo de ler no bom e velho papel, o Kindle Voyage é uma das melhores opções do mercado. A ergonomia da sua pegada, o sistema de iluminação adaptativo e a tela com maior densidade de pixels promovem leituras extremamente agradáveis.

Porém, este aparelho não é um dos mais baratos da sua categoria. Seus preços variam de US$ 199 a US$ 289, dependendo se o modelo oferece apenas conectividade WiFi ou também possui suporte para 3G e se ele oferecerá publicidades ou não.

Esses valores representam em média US$ 80 a mais do que as versões do Paperwhite. É válido salientar que para comprar este modelo hoje, você teria que importá-lo ou pedir para algum conhecido que viajar para o exterior trazê-lo, ou seja, há a possibilidade de acrescer taxas e impostos sobre os preços originais dele.

Além disso, as mudanças apresentadas pelo Voyage promovem melhorias perceptíveis de leitura, mas nada revolucionárias. Assim, se você já possui o seu antecessor ou já lê seus ebooks em apps para tablets e se vê satisfeito com isso, talvez seja melhor pensar duas vezes antes de investir no Voyage.

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