Você já reparou que, muitas vezes, fotografias tiradas no mesmo ambiente apresentam colorações diferentes? Algumas ficam mais amareladas e outras, muitas vezes, com um tom mais azulado. Você sabe o que causa esse efeito?

Essas variações de cor são resultado do balanço de branco feito pela câmera. Ou seja, muitas vezes a lente não consegue traduzir corretamente o que é branco no ambiente e distorce as cores na fotografia.

O balanço de branco e o olho humano

Cada um dos tipos de luzes diferentes que encontramos no nosso dia a dia produz um brilho com uma cor característica. Não apenas aquelas lâmpadas coloridas, que seriam os casos extremos, porém as lâmpadas comuns encontradas em todas as casas.

Alguns tipos de fontes de luz produzem um brilho mais amarelado, outras possuem uma cor característica em tons de verde ou azul. Nós quase não percebemos isso, pois o nosso olho é capaz de, automaticamente, corrigir as diferentes tonalidades que encontramos por aí.

Diferentes tonalidades de cor

Fonte das imagens: Rachel K. (cima) e allen LI (baixo)

Não apenas as lâmpadas, mas alguns ambientes que possuem paredes coloridas ou muitas superfícies de uma mesma tonalidade podem refletir a luz em tons característicos. Apesar de o nosso olho ser “treinado” para compensar essas diferenças, uma máquina fotográfica não tem a mesma capacidade. Ou, pelo menos, não de uma maneira tão eficaz.

Diferentes tonalidades

Todas as fontes de luz possuem brilhos em tonalidades características. Por exemplo, a luz do sol (em um dia sem nuvens) possui uma coloração levemente amarelada. Uma luz fria, fluorescente, pode ter tons mais azuis e algumas lâmpadas incandescentes são bastante amareladas.

Tabela de temperatura de cores para iluminação

Nesta tabela é possível apontar algumas situações: por volta de 5200K está a luz do sol, a iluminação dos flashs das câmeras é encontrada entre 5500K e 6000K. Luzes de tungstênio (incandescentes) estão entre 3000K e 3200K aproximadamente, e um dia nublado tem uma iluminação com a tonalidade em aproximadamente 7000K a 8000K.

Quando uma fotografia é batida, o brilho refletido pelo ambiente vai interferir na coloração da imagem. Em um quarto iluminado por uma lâmpada incandescente, tudo o que for branco, vai sair na foto com tons levemente amarelados. É possível corrigir isso no Photoshop, mas não é necessário. A sua câmera tem ajustes que balanceiam essas alterações de cor no momento do disparo!

O balanço de branco é a função que corrige a coloração das fotos. Ela é chamada assim, pois, quando você mostra para a câmera o que ela deve tratar como a cor branca na imagem, ela automaticamente ajusta todas as outras cores.

Modos automáticos

Existem quatro meios de a câmera lidar com a mudança na tonalidade de diversas fontes de iluminação. Ela pode usar uma função completamente automática, alguns modos pré-definidos, uma ferramenta na qual você indica a temperatura de cor aproximada ou o modo completamente manual.

Escolhendo o modo automático, você não tem nenhum controle sobre a coloração final, e nem sempre o sistema da câmera acerta. Muitas vezes o que vemos é uma fotografia sem vida, com cores que não apresentam o devido brilho. Tente não optar por esse modo, sempre que possível.

O ajuste manual apresenta cores mais vivas do que o ajuste automático

Fonte da imagem: Domínio Público

O problema nesses casos é que a câmera só consegue medir com maior precisão quando houver elementos brancos na composição a ser fotografada. Caso contrário, o medidor pode se confundir e deixar a imagem com tons lavados e sem vida.

Já os modos pré-programados apresentam, geralmente, resultados melhores. Muitas câmeras não trazem nenhum tipo de configuração manual para o balanço de branco, sendo que nesses casos as funções programadas são a melhor alternativa.

Com esse tipo de ajuste, você escolhe uma configuração de acordo com a iluminação local, e a máquina tem condições de medir melhor a tonalidade da luz do ambiente. Por exemplo, em uma tarde ensolarada, escolha o modo “luz solar” (geralmente indicado com o ícone de um sol), pois ele é o que mais corresponde com a realidade.

Utilize o modo diurno em ambientes abertos e com bastante sol

Fonte da imagem: Ana Nemes

Nem sempre vai existir um modo programado que seja exatamente condizente com a realidade, mas as câmeras mais novas procuram trazer uma gama bem grande de opções, que conseguem cobrir uma boa faixa de temperaturas de cor.

As configurações pré-programadas mais encontradas são: luz solar (para dias com sol em ambientes abertos), dia nublado (para dias chuvosos, em ambientes abertos), luz fria (ambientes fechados com luzes em tons mais azulados), luz de tungstênio (lâmpada comum incandescente) e, nas máquinas mais novas, luz de flash e sombra. Teste todos eles em diferentes ambientes para ter uma ideia do que é melhor para cada situação.

Principais modos de ajuste programado para o balanço de brancos

Se você quer obter uma cor distorcida, mais amarelada ou azulada que o real, escolha propositadamente um modo que não condiz com a realidade. Por exemplo, em um dia de sol, se você quer uma foto mais amarelada que o normal, escolha o modo nublado no balanço de brancos.

Modos manuais de ajuste do balanço de branco

Além do sistema automático e dos ajustes pré-programados, algumas câmeras trazem dois modos manuais para o balanço de brancos: um no qual você pode indicar a tonalidade da iluminação e outro no qual você indica para a câmera um objeto branco para que ela faça a medição, a famosa ação de “bater o branco”.

Apesar de serem configurações manuais, não existe segredo nenhum em ajustar o balanço de brancos. Primeiro, observe o ambiente e a sua iluminação. Você não precisa saber exatamente a temperatura de cor, mas pode deduzir a partir da coloração predominante no local. Se for preciso, olhe em uma tabela de temperatura de cores, como a existente no início do artigo, então indique o valor para a máquina fotográfica.

Um ajuste com cores quentes pode dar um ar mais aconchegante aos ambientes

Fonte da imagem: Ana Nemes

Existem modelos nos quais você precisa indicar um valor de temperatura de cor apenas, e isso exige mais prática e muitas tentativas, porém, existem câmeras que trazem um círculo de cores e você só precisa colocar o marcador sobre a região de cores que mais se aproxima da iluminação ambiente.

O método completamente manual é popularmente chamado de “bater o branco”. Coloque a câmera neste modo (cada máquina traz um caminho diferente, leia sempre o manual!) e escolha medir a partir de uma nova fotografia. Aponte a câmera para uma superfície branca para indicar para a máquina o que, naquele ambiente e iluminação, ela deve tratar como branco.

Se quiser melhores resultados, não use algo completamente branco para bater o branco. Prefira uma superfície cinza (não muito escura) e não refletiva, pois as cores finais dessa forma ficam mais vívidas e valorizadas. Se você quiser um resultado diferente, pode usar a sua criatividade e se divertir com as cores usando o balanço de brancos!

Experimente novos resultados

Experimente resultados inusitados para brincar com as cores

Você pode brincar e distorcer bastante o resultado finais. Por exemplo, se você "bater o branco" em uma superfície verde, a foto ficará com tonalidades próximas ao magenta. Fazer isso em uma superfície vermelha gera fotos em tons de azul claro (ciano). Cada tonalidade gera uma outra cor para a imagem.

Isso acontece obedecendo a regra das cores complementárias para a luz, e se você quiser uma tonalidade específica na imagem, basta "bater o branco" em uma superfície que possua aproximadamente a sua cor oposta, conforme essa tabela:

Cores complementares para a luz

Vale a pena testar diferentes variações e distorções, em maior ou menor proporção, para que você consiga ter mais controle sobre o que você fotografa, e para saber como conseguir o resultado de cor desejado.

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