As novas tecnologias estão mudando consideravelmente a forma de consumir entretenimento, especialmente no campo audiovisual e na internet. Com a popularização da banda larga, tornou-se comum a produção de conteúdos de qualidade, distribuídos pela rede, muitos gratuitamente.

Para se ter uma ideia, a média de adesão de serviços streaming cresce, no Brasil, 50% ao ano, segundo dados do instituto de pesquisa Dataxis. Em 2011, o país tinha 310 mil assinantes e, apenas um ano depois, o número saltou para 1,1 milhão. Atualmente, conta com mais de 4 milhões. Na semana passada, a HBO anunciou que vai lançar seu próprio serviço de assinatura streaming, para ser lançado em abril. Embora várias empresas comecem a fazer o mesmo, a principal causadora desse fenômeno é a Netflix. 

Com mais de 50 milhões de assinantes no mundo e diversos projetos anunciados, a Netflix chama cada vez mais atenção. Segundo Zanei Barcellos, professor de Novas Mídias na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), os consumidores vão procurar cada vez mais uma programação personalizada.

“Vai acabar aquela coisa de todos verem a mesma novela ou filme ao mesmo tempo. As empresas precisam levar em consideração a interação com o espectador via redes sociais ou outro meio. Na verdade, a TV digital, assim como as TVs a cabo, deveriam funcionar como computadores, nos quais você poderia interferir, mudar enquadramentos de câmeras, parar, gravar, tirar comerciais etc. Ou seja, a TV "normal" seria uma espécie de on demand”, afirma.

Banda larga lenta no Brasil

Mas para isso acontecer, o serviço de banda larga precisa ser bom, o que não acontece no Brasil, dificultando que as novas tecnologias alcancem voos maiores. Embora tenha ocorrido a ampliação de redes, maior concorrência e consequente acesso dos serviços de banda larga pela população, o serviço ainda é instável e tem graves oscilações de velocidade, sobretudo em regiões mais remotas do país, comprometendo o hábito de consumir vídeos.

Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a banda larga no país ainda é cara e ruim.  Um estudo realizado no ano passado pela empresa de internet americana Akamai, apontou que os brasileiros acessam a internet com uma velocidade de 2,7 megabits, ficando atrás do Cazaquistão (3,5 Mbps) e Iraque (3,1 Mbps).

Para Carina Silveira de Bitencourt, diretora de marketing e qualidade da Fibracem, empresa que atua no segmento de comunicação óptica, a principal causa da banda larga ser defasada em relação aos outros países é a causa principal de todos os problemas no país: a corrupção. “A lei não é cumprida, os orçamentos previstos para investimento do governo em infraestrutura não são aplicados como previsto, por mais que o desejo das pessoas seja de ter internet de melhor qualidade e estejam dispostas a pagar por isso”, declara.

Para Bittencourt, os serviços on demand serão básicos na vida da população, além de forçar os canais a melhorarem. “O streaming não é mais uma promessa, é um fato. Como ocorre em outros países, esse serviço não tira a clientela da TV a cabo, mas certamente força os canais a buscarem programações cada vez mais exclusivas para manter seu público atraído. Acho que o futuro será mais com competidores nesse mercado, fazendo séries exclusivas e vendendo programas online. A expectativa da Fibracem é de continuar expandindo o público de banda larga”, acredita.

Com todo esse investimento, a previsão é de que os serviços on demand cresçam cada vez mais. No Brasil, o Governo Federal propôs universalizar a Banda Larga, garantido investimento massivos, com recursos públicos e privados, para ampliar a infraestrutura de fibra óptica em todo país. A previsão é que o mercado de vídeo on demand no país chegue a 17 milhões de assinantes até 2017.

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