Devorondina. Parece nome de remédio, mas não é. É o nome de uma obra de arte em exposição em Salvador, na Bahia, que transforma ondas sonoras em desenhos através de um complexo software, ou seja, tira fotografias dos sons de um ambiente.

“O aparelho faz um mapeamento do ruído através das ondas – perturbações – do espaço”, como explica Manuel Andrade. Ele, ao lado de Luiza Themin, assina a produção artística do projeto, que tem como coautores Vanessa De Michelis, Bruno Vianna e Felipe Turcheti.

Essas ondas, ainda segundo Andrade, “estão por aí e a gente não pode muito escolher como somos afetados”. A Devorondina é como uma máquina fotográfica desses ruídos que nos cercam. E seria uma solução para as pessoas encontrarem lugares realmente silenciosos. Pensando bem, o nome parece de remédio e a obra, de certa maneira, o é.

A Devorondina em exposição nas ruas de Salvador.
Imagem: Folha.com Tec

Na confecção da curiosa peça, foram utilizados engradados plásticos de alimentos e dois pneus, além do aparato eletrônico com microfones, scanner de rádio e medidor de perturbações do campo magnético. Os ruídos são captados e depois processados pelo software. As “pinturas” são exibidas em um monitor e até impressas. Claro, o carrinho com toda a instalação não passou despercebido pelas ruas de Salvador.

A obra é inspirada no livro “Eupalinos ou o Arquiteto”, de Paul Valéry, que conta a história de um cego com ouvidos extremamente aguçados, capaz de devorar ondas. Daí o nome.

A Devorondina fez parte do Arte.mov Salvador – Festival Internacional de Arte em Mídias Móveis, uma coleção de arte digital com organização da operadora Vivo. O festival está em sua 5ª edição com o tema “Novas Cartografias Urbanas: Reconfigurações do Espaço Público”. A capital baiana exibiu suas peças entre os dias 29 de setembro e 2 de outubro.

Nesse período, o equipamento fez medições no bairro do Rio Vermelho, um dos mais frequentados na noite. Às 19h30, a Devorondina “pintou” muitas transmissões de rádio, celulares e momentos em que ruído e silêncio se alternavam na ponte sobre o rio Camurujipe.

Em novembro, Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo terão exposições sobre o mesmo tema.

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