Tablets, telas capacitivas e o mundo inteiro esperando por um toque.  É mais ou menos este o cenário que temos hoje com as inovações que vêm chegando nos últimos dias. Depois do anúncio do Magic Mouse da Apple que acompanha o novo iMac, pode-se entender que as palavras de ordem para a produção de periféricos são: sensibilidade e praticidade. Ao incorporar estes conceitos em um projeto, as possibilidades para o desenvolvimento de novos periféricos só depende da criatividade dos seus engenheiros.

As especulações de como seria o computador do futuro podem ir muito mais longe do que se imagina. Entretanto, é melhor deixar que a ficção científica se encarregue dessa parte. Afinal, o que vem sendo proposto pelos engenheiros de companhias como a 10/GUI é bastante audacioso, porém simples de ser compreendido. O sistema patenteado por R. Clayton Miller envolve algo bastante parecido com o que vemos hoje em notebooks. Os teclados podem ser mantidos, oferecem boas interações que não interferem no andamento do que acontece na tela.

O Magic Mouse traz superfície capacitiva ao mouse - mais toques!

MacBook Touch: o tablet da Apple. Será que as mãos não atrapalham?Talvez um ponto negativo das propostas em forma de tablet como que se vê no modelo MacBook Touch da Apple é uma questão de observação: suas mãos. Para comandar o computador, suas mãos estarão na tela, bloqueando a visão do conteúdo. A grande proposta do projeto 10/GUI é trazer a ergonomia necessária a um desktop, porém com a economia de espaço e movimentos que os tablets propõem ao usuário. Trabalhar com o 10/GUI implicará em usar as duas mãos em uma superfície colocada próxima ao teclado, de maneira a não bloquear a tela e permitir movimentos mais livres.

A tela do 10/GUI é híbrida, ou seja, possui uma camada capacitiva e outra resistiva. Essa mescla é necessária para que sejam captados os movimentos e a posição das pontas dos dedos sobre a área destinada à movimentação de pontos de interação. Logo que forem captadas, os movimentos traçados pelas pontas dos dedos formarão o trajeto de movimento do cursor. Outra característica muito interessante desta nova tecnologia é a multiplicidade de pontos interativos a serem considerados pelo computador. Em vez de ter apenas um ponto, como acontece com os mouses convencionais, o 10/GUI permitirá dez pontos simultâneos – cada um para um dedo.

 

Com isso, o 10/GUI trabalha com diferentes comandos com significados diferentes interpretados pelo computador. Através de movimentos coordenados, é possível aumentar ou diminuir a tela, ao juntar e separar as pontas de ao menos dois dedos que toquem a superfície do novo periférico. Usar apenas um dedo implica em controlar ferramentas dentro de aplicativos, como usar o pincel de um editor de imagens, por exemplo. Trabalhar com dois dedos na tela fará com que seja possível usar a rolagem das telas. Para mover as janelas de lugar o 10/GUI precisará da pressão de três dos seus dedos.

Como o sistema trabalha com um novo modelo de disposição das janelas, cada dedo que for usado fará diferença na hora de executar uma tarefa diferente. Este sistema diferenciado para exibição das janelas chama-se Con10uum (con-ten-uum, que significa “contínuo”). Dessa maneira, as janelas são postas lado a lado em uma linha contínua, tal qual uma linha de janelas em sequência. Portanto, para fazer com que esta “barra” seja rolada, utilize quatro dedos para navegar por ela.

A ideia é muito próxima dos touchpads e touchscreens que já conhecemos!

Também há a opção de movimentar o polegar e o indicador (nesta formação de quatro dedos) como uma pinça para aumentar ou diminuir o zoom desta sequência de janelas. O Con10uum também permitirá que você use as duas mãos para trabalhar nesta barra. Enquanto uma aumenta ou diminui o ambiente, a outra pode rearranjá-lo. A adição e abertura de novos aplicativos e documentos pode ser feita ao explorar o uso das extremidades desta superfície.

As bordas do 10/GUI possuem comandos especiais para ambientes locais e globais. Ao lado esquerdo, você poderá ativar o menu de contexto local – ou seja, arquivos, softwares específicos, trabalhos em andamento e outros. Ao lado direito fica o campo para ativação do menu global. Nesta opção você encontra os softwares propriamente ditos, como navegadores, editor de imagem e texto e outras opções do sistema.

Será o fim do mouse?O nome deste periférico é baseado em algo chamado de “Graphical User Interface” (GUI), ou seja, Interface Gráfica do Usuário (IGU, em português do Brasil). Esta interface nada mais é do que tudo o que vemos na tela dos nossos computadores atualmente. Os ícones, barras e ponteiros fazem parte desse conjunto gráfico que tem como principal objetivo trazer ao usuário muito mais praticidade para navegar em um desktop. Para interagir com estes elementos são necessários periféricos como o mouse e o teclado.

Assim, capta-se a ideia proposta no 10/GUI – usar dez dedos para interagir com a interface gráfica do usuário no seu computador. Também existem outras propostas já prontas para trabalhar com superfícies multitoque de maneira a substituir o mouse como o conhecemos. O Bamboo Touch, da Wacom, é um dos periféricos um pouco menos ousados, porém igualmente inovadores. O hardware é bastante similar aos touchpads dos notebooks atuais, mas utiliza de superfícies mais desenvolvidas para o reconhecimento de vários toques simultâneos.