Organizada pela ORIGEM – Instituto Internacional de Comunicação e Cultura – e apoiada pela Câmara do Comércio e Indústria Brasil-Japão do Paraná e pela Inbrape, a Robotec Fair 2009 trouxe para Curitiba algumas das principais novidades da tecnologia em robótica do mundo e apresentou também a produção nacional no campo. Além de empresas, como a Kokoro japonesa, instituições de ensino superior marcaram presença no evento.

A feira reuniu em um único espaço os três grandes braços da robótica mundial – a produção comercial, a visão de entretenimento e o aspecto educacional – contemplando empresários, pesquisadores e o público geral. Nos cinco dias de exposição, 50 mil pessoas passaram pelo pavilhão do Parque Barigui – entre eles investidores internacionais, pesquisadores renomados, acadêmicos e professores locais, profissionais de áreas afins e turmas de escolas públicas que se encantaram com as máquinas exibidas na feira.

A vedete da feira

A Robô humanoide japonesa atraiu muita gente à Robotec Fair 2009.Cercada de atenções e exclamações de surpresa, a Actroid DER– robô humanoide desenvolvida pela Kokoro, empresa do grupo Sanrio – foi a principal atração do evento. O stand em que a robô estava era tomado pela audiência a todo instante em que alguém pegava no microfone e começava a conversar com a Actroid DER.

Fruto de seis anos de trabalho da equipe – composta por apenas seis membros –, a Actroid DER pretende simular, com o máximo de realismo, a fala e a postura de um humano. Apesar de seus movimentos ainda serem limitados, a simpática robô japonesa fascinou com suas respostas rápidas e principalmente pela beleza e realismo de seu visual. Ainda que vista de perto sua aparência não fosse perfeitamente igual à de um humano, os menos avisados que a olhavam de relance se surpreendiam ao perceber que se tratava de uma das atrações da feira, e não de uma visitante. A preocupação com o realismo foi tanta que nos dedos da Actroid DER é possível perceber impressões digitais .

Segundo a equipe responsável pelo desenvolvimento da Actroid DER, por mais avançado que o robô seja ainda existe um longo caminho a percorrer. O engenheiro responsável pela equipe afirma que o próximo passo começa a ser tomado assim que voltarem ao Japão, oferecendo à Actroid DER a possibilidade de andar e deixando seus movimentos mais naturais.

Encantos do Japão

Além da Actroid DER, os japoneses também encheram os olhos curitibanos com outros robôs humanoides – estes nitidamente mais próximos de brinquedos.

Um dos mais simpáticos modelos exibidos é este pequeno andróide chamado NAO. O robô NAO interage com o ambiente a sua volta com naturalidade e rapidez, graças à câmera de vídeo e ao sistema de reconhecimento de voz. Durante a demonstração, seu projetista lhe oferece uma chave de carro para segurar. Em frações de segundo o robô se posiciona com o braço esticado, e fecha delicadamente os dedos em torno do objeto. Pouco depois a chave é devolvida e o robô senta-se para “descansar” ao lado do seu desenvolvedor. Tudo isso enquanto o Nrobô NAO permanece conectado via Wi-Fi.

Tokotokomaru dança com lequesEnquanto o pequeno andróide azul e branco fica sentado, logo ao lado no palco principal uma boneca de pano high-tech - chamada Tokotokomaru - se posiciona com o gesto típico de cumprimento japonês, inclinando-se levemente para a frente. Após essa pequena mesura, abre os braços, esticando-os para os lados. Como um raio, leques se abrem nas “mãos” da boneca. Em uma apresentação de dança de fazer inveja a muitas descendentes de orientais que frequentam as muitas festas da colônia, o robô desempenha os passos de uma dança tradicional com suavidade e firmeza, como você pode ver no clipe de vídeo logo no começo do artigo.

AfuroDepois da belíssima apresentação de dança pela pequena boneca, um outro robô – este mais descontraído, com pinta de DJ e de nome Afuro – se coloca no palco, rodeando sua companheira mecatrônica. Assim que tem o palco só para si, o robô identificado por um vistoso A em sua roupa parece ter um defeito, caindo de costas no chão. Nada disso, tudo programado. Em instantes o robô recupera sua posição ereta, mostrando a facilidade que tem de executar movimentos complexos e manter seu equilíbrio. A apresentação continua com ambos – AfuroTokotokomaru – encantando aos presentes.

Praticidade paranaense

Bem diferente do charme humanoide dos robôs japoneses, mas nem por isso menos surpreendentes, os autômatos nacionais expostos na feira têm vocação técnica. No stand da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) – instituição que completa seu Centenário em 2009 – os cursos de mecânica, elétrica, computação, automação industrial e mecatrônica mostram os resultados de pesquisas e trabalhos acadêmicos.

Bancada giroscópicaEntre os robôs e equipamentos apresentados pela UTFPR, uma mesa redonda e brilhante chama a atenção. Apesar de não ser um artefato mecatrônico, a bancada giroscópica é essencial para a aferição e calibragem de giroscópios e demais sensores de giro – componentes utilizados em aviões, robôs e em diversos outros sistemas de movimento e que, portanto, requerem orientação angular no espaço. A bancada foi desenvolvida por professores pesquisadores da instituição, e não é parte da exposição didática trazida pelos cursos relacionados à robótica.

Alnos da UTFPR com o braço robô que é TCC de diversos grupos.Os acadêmicos da UTFPR não ficaram de fora da feira, e levaram um projeto de robô desenvolvido como trabalho de conclusão de curso por diversos estudantes. A cada ano uma turma assume a responsabilidade de avançar um pouco mais na finalização do projeto, e o equipamento mostrado na feira ainda não é um protótipo completo. Os alunos responsáveis pela etapa atual do projeto colocaram o robô para funcionar, e espera-se que a próxima equipe a trabalhar no projeto desenvolva o software de controle.

Outro robô exposto no stand da UTFPR é o RoboTurb, que também esteve presente no espaço do LACTEC (Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento). Este robô foi desenvolvido por um grupo de empresas e instituições de ensino do Paraná e de Santa Catarina, gerenciadas pela equipe do LACTEC. Seu propósito é fornecer mais conforto, segurança e qualidade na manutenção de turbinas de estações hidrelétricas, ao corrigir defeitos de cavitação nas pás das turbinas.

RoboTurb sem carenagem no stand da UTFPR  RoboTurb em funcionamento simulado no stand do LACTEC

Segundo o pessoal do LACTEC, a cavitação é uma falha estrutural na pá da turbina, que acaba sendo perfurada pelo impacto da água durante sua operação. O conserto desses buracos é feito com a aplicação de solda - e até o desenvolvimento do RoboTurb era feito por operários humanos -, uma tarefa delicada pelo espaço restrito disponível e pela necessidade da deposição precisa de solda para manter a eficiência da turbina. Enquanto no stand do LACTEC o robô era mostrado em funcionamento com um software adaptado, no espaço da Universidade Tecnológica o equipamento estava exposto sem carenagem. Dessa forma foi possível ao visitante da feira conhecer um robô por dentro e por fora, e entender até como certas partes da máquina se portam durante a operação.

Insetos!

Depois dos humanoides, o grupo de robôs que mais chama a atenção são os inspirados em animais. Na Robotec o visitante conferiu uma grande quantidade de “insetos” e alguns outros bichos, como cães também.

 Robô insetoide Robôs insetoides

A pesquisa sobre a forma de movimento dos insetos e como aplicá-la na construção de dispositivos capazes de trafegar em diversos ambientes é desenvolvida em vários lugares. A Faculdade de Engenharia Industrial (FEI), de São Paulo, a Universidade Positivo (UP) e até mesmo construtores independentes usam conceitos aprendidos com pequenos invertebrados para a criação de máquinas capazes de deslocamento preciso e independente de terreno.

Além dos robôs de pesquisa, kits comerciais de montagem também mostraram que qualquer um que se disponha a pagar um pouco mais – o valor dos conjuntos de peças e software varia de R$ 5 mil a até R$ 18 mil – pode ter um robô funcional em casa.

Automáticos e controlados

Modelo montável de dinossauroComo nem tudo precisa ser programado e auto-controlado como os robôs mais independentes, a Robotec manteve um espaço para diversos equipamentos que – mesmo não parecendo robôs – também utilizam vários conceitos da robótica e da mecatrônica.

Rodas gigantes, maquetes de construções famosas, dinossauros e outros modelos puderam ser vistos em diversos stands, atraindo muitas crianças para os espaços repletos de materiais didáticos de alta tecnologia.
Um dos destaques entre os kits de montagem foi a oficina da LEGO em que os participantes construíram carrinhos programáveis com os famosos blocos de montar. Depois de montados, os modelos foram testados numa pista de arrancada, apenas pela diversão de ver uma criação individual funcionando.

Para a criançada

Monitores do

Dizem que a diferença entre o adulto e a criança é o tamanho do brinquedo, e na Robotec isso foi levado em conta. Estudantes do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) montaram ao lado do seu stand um “berçário de robôs”. O espaço era na verdade uma grande coleção de brinquedos. Bastava uma criança chegar e perguntar se podia brincar que era prontamente recebida pelos monitores do espaço, que a orientaram e cuidaram dos pequenos enquanto os pais conferiam os “brinquedos de gente grande” da feira.

O Transformer brasileiro

O Superrobocar ainda parecendo apenas uma van

Em um espaço um pouco mais afastado, na lateral do pavilhão que recebeu a feira, uma discreta van da Kia estava estacionada sobre uma plataforma. Porém o carro não era uma van qualquer. De tempos em tempos o público se reunia em frente ao veículo, enquanto este mudava de forma, levantando a cabine para revelar um poderoso sistema de som, luz e efeitos especiais. O Superrobocar é um sonho de infância de seus criadores, que levou quase oito anos para ficar pronto a partir da proposta formada. Segundo a Marc Produções – dona do veículo – o transformer brasileiro é usado para publicidade e animação de eventos em todo o Brasil. Porém, para tristeza dos mais aficionados, a van não é funcional como carro, sendo que sua parte mecânica foi toda substituída para a montagem do robô. Você pode acompanhar a transformação do Superrobocar no vídeo da visita do Baixaki à feira.

Futebol mecatrônico

Robô jogador de futebol da FEIEsportes com robôs já são uma realidade há bastante tempo, e cada modalidade oferece desafios diferentes para as equipes. No futebol de robôs, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) trouxe sua equipe hexacampeã nacional para demonstrar seu bem afinado time, e seus rivais da FEI – logo no stand ao lado – também marcaram presença. Durante a partida, as equipes das universidades só torcem, já que os jogadores são programados para interagir com o vídeo gerado por câmeras colocadas acima do campo, dispensando o controle em tempo real.

A UFRGS também trouxe um segundo time de futebol robótico, com microrrobôs como jogadores. Segundo os membros da equipe, a modalidade está atualmente desativada, mas espera-se que partidas voltem a acontecer.

Serviço público

A Polícia Militar levou para a feira seu esquadrão anti-bombas. O furgão equipado com diversos dispositivos, a armadura e o escudo utilizados pelo desarmador ao encarar explosivos e alguns equipamentos de segurança do esquadrão estavam à mostra, com soldados sempre a postos para informar e conversar com o público. Mas existe um motivo maior por trás dessa exibição.

Esquadrão anti-bombas procura parceria para criar robô que desarme artefatos explosivos

Como você pode imaginar, desativar bombas não é uma tarefa fácil nem segura. Histórias que os soldados contam – apenas quando solicitados – se colegas mutilados ou que vieram a falecer devido à ação de dispositivos explosivos são tristes e podem ser evitadas. É justamente em busca de uma alternativa à desativação por humanos que a PM foi à feira. Como os robôs de desarmamento de bombas de origem estrangeira são muito caros e de difícil manutenção, o comando da Polícia Militar foi em busca de parcerias com empresas e instituições de ensino que trabalhem com robótica para a criação de um equipamento de desarmamento de explosivos totalmente nacional.

Quem teve a oportunidade de visitar a Robotec Fair 2009 certamente não se decepcionou. Apesar de ainda estar longe de apresentar o glamour das feiras internacionais, em termos de material exposto não há do que reclamar. Desde robôs industriais até o estado da arte na simulação de humanos – sem esquecer todas as propostas intermediárias, principalmente as de cunho educacional – tudo estava ali, bem perto. E a visita valeu cada segundo. Se sua curiosidade ainda não estiver saciada, aproveite e confira a Galeria de Imagens da visita do Baixaki à Robotec Fair 2009!

Galeria de Imagens