Apple vem falando sobre sua plataforma de streaming já há algum tempo e muita gente esperava por alguma novidade ainda este ano, pois na temporada passada a companhia havia adiantado um investimento em torno de US$ 1 bilhão na produção de conteúdo exclusivo. Esse assunto ficou dormente na Maçã nos últimos meses e agora uma matéria do The Wall Street Journal, publicada no final de semana, coloca um pouco mais de luz a respeito.

Cena com personagens armados usando drogas em uma orgia teria chocado Tim Cook

Tudo vinha acontecendo como planejado até que o CEO Tim Cook viu o primeiro drama criado para o serviço, a obra autobiográfica do rapper Dr. Dre. Em uma das sequências de “Vital Signs”, que tem uma atmosfera sombria, personagens armados usavam drogas durante uma orgia e isso teria sido o suficiente para o executivo baixasse novos critérios para os criadores.

A maior razão para barrar o teor adulto seria a preocupação com a imagem da companhia, afinal, associar sexo e violência gratuitos à uma marca que depende 80% da venda de aparelhos soa arriscado para Cook. "Como uma empresa de produtos para o consumidor, a Apple é especialmente exposta se o conteúdo chegar a um tom inadequado. Para a Netflix, o único risco é que as pessoas não assinem o serviço. Com a Apple, você pode dizer: ‘vou puni-la não comprando seu celular ou seu computador'",  explica Preston Beckman, um ex-executivo de programação da NBC e da Fox, em entrevista ao The Wall Street Journal.

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Ou seja, a Apple deve seguir um caminho que a Disney já vem trilhando há algum tempo e dificilmente terá séries ou filmes classificados como “TV-MA”, o equivalente aos filmes “Rated R”, com classificação etária para maiores, a exemplo de “House of Cards”, “Game of Thrones” ou “Breaking Bad” — que são os carros-chefe de seus principais concorrentes.

Ordens de Cook já teriam causado diversos ajustes — e atrasos

Para dar conta dessa programação somente de tom “alto astral”, a Apple contratou Jamiel Erlicht e Zack Van Amburg, que ajudaram a produzir atrações como “Better Call Saul”, “The Crown”, “Sneaky Pete”, entre outras coisas feitas também na Sony Pictures TV. E isso vem causando mudanças nos principais shows anunciados anteriormente.

A série de M. Night Shyamalan sobre um casal que perde seu filho, um thriller psicológico, teria tido que remover crucifixos em uma de suas cenas. A razão para isso seria não atrelar as produções a nada que levante discussões políticas ou religiosas. Já o showrunner do drama com Jennifer Aniston e Reese Witherspoon teria deixado o barco por conta de “diferenças criativas e parte do tom do humor” — o que, entre linhas gerais, quer dizer que o cara não gostou de alterar o roteiro original por conta dessas novas imposições.

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Até mesmo o remake de “Amazing Stories” teria sido afetado por essas decisões e agora pode contar com capítulos sem o apelo “dark” de outras épocas. E não se sabe ainda como será a série sobre a clássica saga “Fundação”, de Isaac Asimov, depois dessas medidas. Isso tudo faz com que as produções atrasem e o que era previsto para este ano agora só deve estrear em março de 2019 — com possibilidade de adiamentos.

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