A luta por respeito às diferenças não é atual, mas, em dias como os nossos, não ter uma atenção voltada a essas questões pode significar o fracasso de uma empresa. Sabemos bem que políticas internas não mudam pensamentos preconceituosos, mas ajudam a controlar e coibir que eles sejam manifestados. Porque se o respeito não encontra razões para ser praticado espontaneamente, que o seja de forma punitiva.

Não são poucas as companhias que se encontram em situações embaraçosas com relação a racismo e discriminação. Há alguns dias, a Netflix anunciou a demissão do seu diretor de Comunicação, por ofensas racistas em ambiente de trabalho. E ele fez isso duas vezes, usando a polêmica N-word.

Para corrigir isso e construir uma imagem de respeito ao seu público, a Netflix divulgou a contratação de um profissional focado em deixar o seu quadro de funcionários tão diverso quanto o público que paga por seus serviços de streaming.

Embora a marca tenha essa preocupação estampada em sua comunicação, na prática a maioria dos seus funcionários, segundo relatos internos, não se parecem em nada com a comunidade de assinantes globais  nem com o público dos Estados Unidos, onde fica localizada a sua sede. São raras as pessoas de pele negra, por exemplo, entre os funcionários de alto escalão.

Dados levantados por um estudo do Directors Guild of America mostram que apenas 29% dos conteúdos produzidos pela Netflix são de autoria de mulheres ou negros. Porém, a maioria do seu público pertence a esse grupo. Como assim, Netflix?

O novo executivo, cujo nome ainda não foi revelado, não tem a obrigação de contratar pessoas negras, mas sim a de promover um clima de consciência à diversidade entre os profissionais de RH da empresa, a fim de minimizar quaisquer decisões de recrutamento motivadas por preconceitos.

A missão dele será global, de São Paulo a Dubai, respeitando a cultura local para transformar a marca em um sinônimo de inclusão. 

Agir para a mudança já um bom começo, então esperamos que a iniciativa gere frutos, pois o respeito e a tolerância são inegociáveis. Parabéns pela atitude, Netflix.