Mark Zuckerberg fez, nesta quarta-feira (21), algo bastante incomum para a sua carreira quase sempre muito reservada: concedeu uma entrevista a um programa de TV. Em conversa com Laurie Segall, da CNN, o cocriador e presidente da maior rede social do planeta se mostrou aberto à regulamentação do Facebook.

“De fato, não estou certo de que não deveríamos ser regulamentados”, afirmou o executivo. "Em geral, penso que a tecnologia é uma tendência cada vez mais importante no mundo e acredito que a questão é mais ‘qual a regulamentação correta?’ do que ‘deveríamos ser regulamentados ou não?’”.

Pedido de desculpas

Na mesma entrevista veiculada ontem na CNN, Mark Zuckerberg reconhece que o escândalo do dados privados usados de forma ilegítima foi uma quebra de confiança e se desculpa.

“Isso foi uma enorme quebra de confiança e eu realmente lamento muito que tenha acontecido”, disse o executivo. “Nós temos uma responsabilidade básica de proteger os dados das pessoas e, se não conseguimos fazer isso, não merecemos ter a oportunidade de servir as pessoas. Então, a nossa responsabilidade agora é ter certeza de que isso não ocorrerá novamente”, prosseguiu.

Parte deste compromisso em evitar que casos como o da Cambrige Analytica se repitam foi anunciada ainda ontem. Zuckerberg escreveu em seu perfil do Facebook sobre o caso e pessoalmente anunciou as seis medidas que o Facebook tomará para impedir que o mesmo erro volte a acontecer.

Investigação

As denúncias e todo o imbróglio gerado pelo caso levantaram problemas que vão além das questões éticas, tanto é que o Facebook vem sendo investigado tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido. Diante disso, Laurie Segall questionou se Zuckerberg estaria disposto a depor diante do Congresso. Ele confirmou e defendeu ainda que os legisladores devem ter acesso às informações da rede.

“A resposta curta é que eu fico feliz em testemunhar se isso for a coisa certa a fazer”, declarou o criador do Facebook. “O Facebook testemunha no Congresso regularmente sobre diferentes tópicos, alguns de mais destaque e outros não, e o nosso objetivo é sempre oferecer ao Congresso esse trabalho extremamente importante para que eles tenham a maior quantidade possível de informações”, continuou.

Mark ZuckerbergMark Zuckerberg pediu desculpas e se mostrou aberto à regulamentação do Facebook.

“Nós vemos apenas uma pequena fatia da atividade no Facebook, mas o Congresso precisa ter acesso à informação do Facebook e de todas as outras companhias, da comunidade de inteligência e tudo”, afirmou Zuckerberg. “Então, o que nós tentamos fazer é enviar ao usuário do Facebook o maior conhecimento possível sobre o que Congresso está tentando descobrir”, concluiu.

Ainda não há qualquer informação mais precisa sobre uma convocação de Mark Zuckerberg pelas autoridades britânicas e estadunidenses, mas é bem provável que a boa vontade demonstrada pelo executivo leve essa possibilidade adiante. Aguardemos os próximos episódios dessa novela que ainda está longe de acabar.

O caso

Se você acessou algum site de notícias nos últimos dias, provavelmente sabe da razão pela qual Zuckerberg falou sobre isso. Ficamos sabendo no último final de semana do acesso da empresa de inteligência Cambridge Analytica a dados de milhões de usuários do Facebook a fim de direcionar propaganda eleitoral de Donald Trump e, possivelmente, a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, ambos os casos ocorridos em 2016.

A companhia tem entre seus investidores e executivos diversos nomes ligados ao atual presidente dos Estados Unidos. Os dados foram obtidos por meio de um app criado por Aleksandr Kogan, que não só teve acesso de forma legítima a dados de 270 mil pessoas, mas, de forma ilegal, obteve informações de amigos de cada um desses usuários, atingindo assim cerca de 50 milhões de participantes do Facebook.

As denúncias foram feitas por Christopher Wylie, ex-funcionário da Cambridge Analytica. O Facebook teria solicitado a exclusão dessas informações sob posse da empresa, o que, aparentemente, não foi feito. Apesar de evidencias documentais citadas pelo The New York Times, a Cambridge Analytica nega.

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