Muito da tecnologia eletrônica e computacional está voltada para o desenvolvimento de softwares interativos e de plataformas de comunicação que permitam um maior relacionamento do usuário com tais programas. Hoje em dia temos projetos que permitem acessar a internet e programas somente usando toque na tela do computador ou o movimento do corpo percebido por uma câmera. Mas são ideias  voltadas a programas, a software e a uma interação bidimensional com uma tela plana. Você já pensou se essa interatividade fosse possível também com hardware? Já imaginou se a  parte física dos computadores também pudesse ser maleável ? Será que um dia poderemos ter uma interface mais tridimensional com os computadores?

Em um futuro pós-apocalíptico, máquinas superavançadas desenvolveram tal tecnologia utilizando metal líquido. Quem assistiu ao filme O Exterminador do Futuro II, pôde ver um robô do futuro que molda sua forma e a cor de seu corpo à vontade.

Pensando nesse mesmo princípio, existem, desde a década de 90, pesquisas e tentativas para desenvolver uma forma para moldarmos matéria sólida com a mesma facilidade que conseguimos fazer com imagens na tela de um computador. Além de  conseguirmos bons avanços até hoje, temos vários outros projetos promissores para o futuro.

Impressão em 3D e Prototipagem

Uma tecnologia já disponível é a impressão em 3D. Basicamente, ela é uma impressora feita para montar modelos, maquetes e protótipos utilizando um tipo de argila de secagem rápida. A impressora imprime camadas de argila uma sobre a outra formando o objeto tridimensional. Tal objeto pode ser manipulado normalmente, como qualquer peça real de argila. Veja aqui um exemplo de uma impressora em 3D disponível no mercado.

Essa tecnologia é muito usada por engenheiros, arquitetos e designers que precisam montar maquetes. As impressões em 3D, conhecida também como prototipagem, agilizam e simplificam a confecção desses protótipos. Agora não é preciso mais montá-los manualmente. Seu maior problema é o custo da argila de secagem rápida, mas já existem fórmulas para barateamento e modelos de impressoras open source.

Novas Possibilidades com Nanotecnologia

Por mais que  estas tecnologias não estejam ainda amplamente disponíveis, muitas pesquisas são realizadas no intuito de desenvolver novas formas de manipulação de matéria. Devemos então considerar que um “metal líquido” ou qualquer outro tipo de matéria maleável precise ter suas partículas pequenas o suficiente para poder adquirir qualquer forma.

A nanotecnologia possibilitaria isso, pois cada nanopartícula seria tão pequena que seria individualmente imperceptível, podendo formar uma massa homogênea, maleável e programável através de sistemas consoles de comando. Na realidade, as possibilidades da nanotecnologia são praticamente limitadas somente pela imaginação do programador.

Matéria Programável

Se cada nanopartícula conseguir trabalhar junto para formar uma massa homogênea, podemos pensar que essa massa seria uma forma de matéria programável. Na prática, telas de cristal líquido, que modificam as emissões de luz a partir de comandos elétricos, podem ser consideradas como uma forma de matéria programável, sem necessariamente utilizar nanotecnologia.

Foi pensando em possibilidades mais audaciosas para  aplicação de matéria programável utilizando nanotecnologia que pesquisadores da Universidade de Carnegie Mellon junto com a Intel desenvolveram um conceito novo, o Claytronics ou Argilotrônica.

Claytronics, Argilotrônica e os Cátomos

O conceito básico do Claytronic são os cátomos. Eles são átomos de claytronics (tradução livre de “catoms” ou Claytronic Atoms) que formariam a estrutura básica dessa matéria programável. Cada cátomo é um pequeno computador em si, com seu próprio processador independente e maneiras de interação magnética com os outros cátomos próximos a eles. Ao mesmo tempo, a superfície de cada cátomo pode adquirir sua própria coloração. Alinhando e programando cátomos em uma mesma área seria possível obter qualquer forma de qualquer cor e com programação variada.

Ao que tudo indica, os cátomos podem ser reprogramados enquanto estiverem em contato com uma superfície de controle. Assim, não só sua forma, mas sua cor e suas funções também poderiam ser reprogramadas em um console de comando próprio. Ao mesmo tempo, como cada cátomo carrega seu próprio processador e memória, seria possível incluir uma programação geral e guardada pelos cátomos a ponto de programar sistemas eletrônicos detalhados e hardwares programáveis.

Interface Orgânica Cinética

Outra forma de programar matéria está sendo desenvolvida pelo Dr. Roel Vertegaal, chamada de Interface Orgânica Cinética. Ela seria uma forma de interação tridimensional com o computador, que deixaria de ser uma interface de um simples monitor e poderia ser formada por superfícies programáveis. Essa tecnologia possibilitaria programar objetos eletrônicos para interagir de diferentes formas com o usuário, de uma forma mais orgânica e menos bidimensional, o que, segundo o cientista, limita nossas possibilidades de criação com computadores.

Na prática, a interface orgânica cinética não seria uma forma de programar matéria em si, mas sim uma forma mais natural ou orgânica de nos relacionarmos com o computador, tornando os sistemas programáveis a tal ponto que nossa relação com a informação nos daria a impressão que estamos reprogramando a matéria do objeto.