Três dias após a IBM ter revelado em seu relatório que passou por mais um trimestre decepcionante, o valor das ações da companhia continua em declínio e uma série de pessoas começou a aparecer para criticar a companhia. Uma das mais enfáticas é o investidor bilionário Mark Cuban, que disse recentemente à CNBC que “absolutamente não investiria” na empresa.

A principal razão para essa afirmação seriam os 10 trimestres consecutivos em que a companhia relatou ter sofrido queda em suas receitas, com encolhimento em todas as suas unidades de negócios. “A IBM não é mais uma empresa de tecnologia. Eles não têm visão. O que eles se tornaram foi uma corporação que se matem com base em arbitragem de aquisições. Isso é reaquisição de ações”, disse Cuban.

O investidor afirmou ainda que se tornou quase impossível reconhecer a empresa, que antigamente era considerada quase um sinônimo de computadores e serviços de software. “Hoje eles se especializam em engenharia financeira. Eles não são mais uma companhia de tecnologia, mas sim uma amálgama de corporações diferentes que estão tentando arbitrar em Wall Street, e eu não sou um fã desse tipo de coisa”, pontuou.

O fundo do poço?

Ainda que a mudança de foco da IBM seja um fato estabelecido, as afirmações de Cuban são um pouco exageradas. A “engenharia financeira” da empresa foi resultado de uma tentativa de cumprir uma promessa feita por seu CEO anterior, Sam Palmisano, que disse que faria a corporação atingir US$ 20 de rendimento por cada ação até 2015.

Caso a atual sucessora de Palmisano no cargo de chefe executivo, Ginni Rometty, tivesse conseguido atingir essa meta, é provável que os especialistas passassem a considerá-la um gênio. No entanto, a promessa não foi cumprida e a CEO informou aos investidores que a IBM estava abandonando esse objetivo. Agora, a executiva se encontra sem uma estratégia clara e articulada para reverter a situação, o que só aumenta a insegurança dos acionistas.

Um dos principais motivos para a queda contínua das receitas da IBM é a grande mudança que vem se estabelecendo na forma como as companhias estão comprando produtos de tecnologia. Ao invés de adquirir software e hardware para montar seus próprios data centers e então contratar os caros serviços de consultores para fazer tudo funcionar, as empresas passaram a adotar a computação em nuvem.

O caminho do futuro

As grandes corporações de tecnologia estão lentamente abandonando a velha forma de vender tecnologia e migrando para os serviços de nuvem. Incluindo a própria IBM, empresas como Microsoft, Dell, HP, Oracle e SAP, entre outras, estão cada vez mais adotando o novo paradigma de computação remota, cada uma com seus métodos e níveis de sucesso.

Ainda que Cuban afirme que a IBM não tem visão do futuro do mercado de tecnologia, o fato é que a companhia possui presença em todos os novos setores que estão em crescimento na área, incluindo a computação em nuvem, big data, análise de dados e processamento móvel. Enquanto isso, a empresa conseguiu realizar os seguintes feitos sob a direção de Rometty:

  • Aquisição da SoftLayer e início da construção de uma rede mundial constituída por 40 centros de dados de nuvem nos cinco continentes;
  • Lançamento do Watson, uma sofisticada tecnologia de big data, como um serviço de nuvem;
  • Assinatura de um significativo acordo com a Apple para vender iPads e aplicativos móveis para empreendimentos, contrato cujos frutos devem se tornar visíveis a partir de novembro;
  • Encaminhamento de mais acordos com outros grandes nomes das tecnologias da nuvem, como Microsoft e SAP.

Questão de comprometimento

Para reestabelecer a confiança dos investidores na IBM, Rometty deve deixar claro que vai levar um tempo considerável para que a empresa volte a atingir um crescimento estável – e ela terá também que cumprir qualquer promessa que fizer. Em resposta às afirmações de Cuban, a companhia fez questão de esclarecer que não vai ficar parada.

“Nós da IBM vamos acelerar nossa estratégia de crescimento, criando um negócio dedicado de nuvem e unidades especializadas para servir às indústrias e profissões que estão sendo transformadas pelos dados e a ciência de análise. Também vamos continuar a fornecer dinheiro para os nossos acionistas, além de manter nosso compromisso com pesquisa e desenvolvimento e com o investimento no nosso negócio”, concluiu a empresa.

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