A convite da HP, o TecMundo esteve presente na sede da empresa em Palo Alto, na Califórnia, para acompanhar a Global Reinvention Week, a semana de palestras e visitas que levou jornalistas do mundo todo para conhecer os laboratórios de pesquisa que completam 50 anos de existência em 2016 e conversar sobre toda a história pregressa da companhia e o que podemos esperar para um futuro a curto e médio prazo dentro da imensa gama tecnológica com a qual estão envolvidos.

Durante o evento, pudemos ouvir diversos diretores da HP e outros profissionais de empresas de tecnologia envolvidos em diversos pontos com a empresa californiana. Dentro de cada um dos painéis, foram tratados assuntos como a reinvenção das cidades na forma de comunidades inteligentes e o conceito de “Internet de Todas as Coisas”, a concepção de uma nova revolução industrial a partir do desenvolvimento tecnológico e a noção de realidade misturada, assunto que está em alta com a popularização dos dispositivos de realidade virtual e aumentada.

Cinquenta anos dos laboratórios de pesquisa da HP

Um pouco de história

Para quem não está familiarizado com a história da criação da HP, não é muito complicado: a empresa foi fundada em 1939 pelos engenheiros Bill Hewlett e Dave Packard em uma simples garagem de uma rua suburbana de Palo Alto, na Califórnia. Recém-formados na Universidade de Stanford, ambos tiveram o apoio providencial de Frederick Terman, ex-professor da dupla que serviu como mentor na formação da Hewlett-Packard.

O primeiro produto que obteve sucesso ao ser produzido pela jovem empresa foi o oscilador de áudio de precisão HP200A, dispositivo muito usado na época por transmissoras de rádio e no cinema

O primeiro produto que obteve sucesso ao ser produzido pela jovem empresa foi o oscilador de áudio de precisão HP200A, dispositivo muito usado na época por transmissoras de rádio e no cinema. A genialidade da dupla já se mostrava desde então, com mudanças críticas na produção do equipamento que possibilitaram um produto final melhor e mais barato.

Ao inserir uma lâmpada incandescente em uma parte específica do circuito do oscilador, Hewlett e Packard obtinham uma estabilização muito melhor na forma de onda senoidal de saída. Essa solução simples também diminuiu o custo do dispositivo, que era vendido pelo valor de US$ 54,40, ao contrário da maioria dos concorrentes, cujo preço girava em torno dos US$ 200.

A famosa garagem onde a HP foi fundada em 1939 por Bill Hewlett e Dave Packard

Jogada de sucesso

O grande segredo para a HP decolar nessa fase inicial foi a primeira venda em larga escala feita pela empresa, para ninguém menos que a Walt Disney Productions, que trabalhava na fase de produção do filme “Fantasia”, lançado em 1940.

A HP pode ser considerada a empresa fundadora do famoso Vale do Silício, principalmente por ser a primeira grande companhia de tecnologia da região

Os osciladores HP200B – uma versão levemente modificada do primeiro modelo – foram utilizados no sistema de reprodução de som estereofônico Fantasound, desenvolvido pelos engenheiros da Disney e da RCA especialmente para as exibições do filme em algumas salas de cinema nos Estados Unidos. Oito deles foram vendidos pelo valor individual de US$ 71,50 e, na soma, a transação mais do que pagou o investimento inicial da empresa, meros US$ 538.

A HP pode ser considerada a empresa fundadora do famoso Vale do Silício, principalmente por ser a primeira grande companhia de tecnologia da região, visto que inicialmente não trabalhava com nenhum tipo de semicondutor à base de silício. Assim, nas décadas seguintes, a Hewlett-Packard se aventurou a desenvolver uma enorme diversidade de produtos eletrônicos a ponto de se tornar a maior fabricante de PCs do mundo entre os anos de 2007 a 2013.

No presente

O evento que reuniu veículos da mídia especializada em tecnologia do mundo todo teve como objetivo comemorar os 50 anos dos HP Labs, um grupo de pesquisas avançadas ligado a HP Inc. onde são desenvolvidas as novas tecnologias relacionadas aos computadores, calculadoras e impressoras – produtos tão famosos da HP –, além de novidades como os sistemas de impressão tridimensional e até o envolvimento da companhia na criação de dispositivos ligados diretamente à área da saúde.

Cinquenta anos depois, os laboratórios reúnem pesquisadores das mais diversas áreas que trabalham no desenvolvimento de pesquisas

Fundados em 1966 pelos próprios Bill Hewlett e Dave Packard a pouco mais de um quilômetro dos campi da Universidade de Stanford, os HP Labs foram criados para manter o espírito inventivo da dupla desde a época da pequena garagem em Palo Alto. Cinquenta anos depois, os laboratórios reúnem pesquisadores das mais diversas áreas que trabalham no desenvolvimento de pesquisas nas áreas de sistemas, análise, segurança e gerenciamento, redes e mobilidade, e design de mecanismos para todos os tipos de função.

Tivemos a chance de ver, ouvir, tocar e experimentar uma série de produtos recém-desenvolvidos pela HP, desde robustas impressoras tridimensionais até equipamentos para uso em laboratórios da área da saúde, que utilizam as mesmas tecnologias no campo dos microfluidos que as impressoras da marca.

Jornalistas experimentam as novidades da HP

Nesse intervalo, também fomos apresentados a PCs gamers adaptados a dispositivos de realidade virtual, aparelhos que estimulam a comunicação remota de uma maneira completamente nova e todo um sistema de Internet das Coisas embutido nos mais variados objetos e ambientes para tornar a vida muito mais simples e conectada.

Com a palavras, os executivos da HP

Durante as sessões de palestras e painéis, tivemos o prazer de ouvir grandes nomes da HP como Shane Wall, Chief Technology Officer e cicerone da nossa visita; Dion Weisler, presidente e CEO da HP; Keith Moore, chefe de toda a área de impressão e de impressoras 3D; Mirjana Spasojevic, chefe dos laboratórios de experiência imersiva; Simon Shiu, chefe do laboratório de segurança; Nathan Hurst, diretor de sustentabilidade e impacto social; Lesley Brown, diretora de diversidade e inclusão global; entre vários outros profissionais da empresa.

No painel de boas-vindas, foi apresentado um panorama geral do que vai conduzir a agenda de inovação da HP. Segundo o CTO Shane Wall, o foco da empresa são as pessoas: a maneira como olhamos para a sociedade e para onde ela vai caminhar nos próximos 30 anos.

Shane Wall, CTO da HP

Para ele, quatro tendências devem guiar o avanço nessa área: um processo veloz de urbanização, com o aumento considerável das grandes megalópoles, principalmente em economias em desenvolvimento; mudanças demográficas, que indicam o aumento da idade média da população mundial; o crescimento da globalização, conforme o acesso à internet cresce em países mais pobres e emergentes; e a aceleração das inovações, com a disponibilidade

É a partir dessas quatro tendências e utilizando essas diretrizes que a HP vai direcionar o desenvolvimento de seus produtos nos próximos 30 anos

É a partir dessas informações e utilizando essas diretrizes que a HP vai direcionar o desenvolvimento de seus produtos nos próximos 30 anos: pensando nas dificuldades de se viver em cidades cada vez mais povoadas, com foco na Geração Y (os “millennials”, nascidos entre o fim dos anos 1970 e o fim dos anos 1990), que forma uma sociedade com idade média mais alta, utilizando a internet em todas as coisas e por todos os lados e novidades tecnológicas cada vez mais avançadas e entrelaçadas com as vidas das pessoas.

Reinventando a cidade

O painel moderado por Paul Noglows, diretor executivo da ForbesLive! e da Forbes Media tratou da reinvenção das cidades, ou sobre como os centros urbanos vão reagir às mudanças populacionais, ao avanço da tecnologia e ao crescimento da globalização. Chandrakant Patel, engenheiro chefe da HP; Adam Khan, CEO da Akhan Semiconductor e Sid Espinosa, diretor de engajamento cívico e filantropia da Microsoft debateram como empresas como a HP podem fazer a diferença nesse desenvolvimento.

O número de moradores de centros urbanos vai atingir patamares altíssimos e é essencial que essas sociedades sejam compreendidas para que a tecnologia seja aplicada

Segundo eles, o desenvolvimento da tecnologia necessária para criar as “cidades inteligentes” depende diretamente do trabalho das grandes empresas que realizam pesquisas como a HP, o que é facilitado com alianças feitas entre companhias privadas e órgãos do governo, caso de muitas cidade no mundo que já tentam implementar soluções para gerenciar, por exemplo, seu sistema de iluminação pública, o tráfego de veículos nas ruas, serviços públicos de atendimento (policial, bombeiros, ambulâncias) e muitas outras coisas.

Com uma previsão de que a população do planeta aumente para a impressionante soma de 8,5 bilhões de pessoas e que 97% delas estejam em economias em desenvolvimento, o número de moradores de centros urbanos vai atingir patamares altíssimos e é essencial que essas sociedades sejam compreendidas para que a tecnologia seja aplicada de modo que torne a vida desses habitantes muito mais confortável de maneira acessível.

A HP está pensando nas cidades do amanhã

A próxima Revolução Industrial

A Revolução Industrial iniciada no século 18 mudou o mundo completamente: ela alterou os processos de manufatura e gerou a emergência da economia capitalista como conhecemos hoje. Foi ela que moldou os sistemas de produção, fazendo a humanidade ir do trabalho majoritariamente manual para a utilização de meios que envolviam o uso de ferramentas mais complexas, máquinas, energia à vapor ou da água.

De acordo com o panorama traçado pelos especialistas, a principal mudança na indústria pode ser causada pelo advento da impressão em três dimensões

Uma revolução parecida com essa, envolvendo novas tecnologias e meios de produção, está prestes a acontecer, segundo o painel apresentado novamente por Shane Wall, o CTO; Paul Benning, tecnólogo chefe de impressão 3D e Tim Weber, chefe global de materiais 3D e aplicações avançadas, todos colaboradores da HP.

De acordo com o panorama traçado pelos especialistas, a principal mudança na indústria pode ser causada pelo advento da impressão em três dimensões, já capaz de produzir peças diversas in loco e em uma variedade impressionante de materiais, inclusive gerando objetos maciços com durezas e texturas diferentes. Essa prática pode riscar do mapa a maior parte dos transportes que acabam encarecendo o produto final, retardando a fabricação de certos itens e colaborando para o maltrato com o meio ambiente.

A impressora 3D HP MJF 4200 que utiliza como matéria-prima o plástico PA12, capaz de criar formas complexas e com durezas diferentes

Como exemplo do que as impressoras 3D da HP são capazes, pudemos ver um elo de corrente feito de plástico que não é apenas capaz de erguer um carro de passeio de tamanho médio, mas também pode receber pequenos sensores em sua fabricação de modo que registrem o peso daquilo que estão levantando.

Pensando em um futuro melhor

“Uma identidade profundamente enraizada na diversidade e na sustentabilidade pode criar uma cultura de inovação e causar impacto positivo”. É com esse pensamento que Shane Wall deu início ao painel que tratou da cultura que a HP tem em manter um plantel bastante diversificado, com colaboradores das mais diversas origens, entre indianos, orientais, latino-americanos, africanos, e claro, acolhendo todas as minorias, incluindo mulheres, negros e a comunidade LGBT.

Nathan Hurst, diretor de sustentabilidade e impacto social; Lesley Brown, diretora de diversidade e inclusão global; e Zoe McMahon, diretora de privacidade e responsabilidade social, todos da HP, apontaram uma série de exemplos em que a pluralidade de seu quadro de colaboradores fez com que a empresa desse passos largos tanto no desenvolvimento de seus produtos quanto no relacionamento com seus stakeholders.

Painel sobre sustentabilidade, impacto social, diversidade e inclusão

Realidade misturada

Você já deve ter ouvido falar sobre a Internet das Coisas, o conceito que defende a conexão de dispositivos eletrônicos de toda a natureza com a rede mundial para facilitar a vida dos usuários. A HP acredita em algo que ainda mais além: a “Internet de Todas as Coisas”.

A 'Internet de Todas as Coisas' pretende levar conexão não apenas para nossas geladeiras e máquinas de lavar, mas até para objetos simples, como cadeiras, notas de dinheiro e simples pedaços de papel

Essa visão do futuro foi apresentada por Keith Moore, chefe de toda a área de impressão e de impressoras 3D; Mirjana Spasojevic, chefe dos laboratórios de experiência imersiva; Srheekant Thakkar, chefe do laboratório de computação emergente; e Simon Shiu, chefe do laboratório de segurança. Segundo eles, o futuro deve trazer uma realidade onde os mundos físico e digital tornem-se um só para trazer conforto para as pessoas.

Indústrias serão transformadas e experiências mais imersivas vão permear o nosso dia a dia. A “Internet de Todas as Coisas” pretende levar conexão não apenas para nossos celulares, relógios inteligentes, televisores, geladeiras e máquinas de lavar, mas até para objetos simples, como cadeiras, notas de dinheiro e simples pedaços de papel, todos devidamente identificados e reconhecíveis por dispositivos específicos.

Um exemplo de cozinha conectada nos laboratórios da HP

As opções que isso pode criar são infinitas. Imagine rastrear produtos enviados pelo correio em tempo real, canetas que se ajustam às suas preferências automaticamente na hora de escrever, cadeiras que sabem que está sentado nelas e que podem ativar, por exemplo, uma televisão no seu programa favorito ou ativar uma playlist musical de sua preferência. Diversos protótipos já podem ser apreciados nos laboratórios da HP, como em um ambiente que simula uma residência e é completamente conectado e personalizado.

 O jornalista viajou para Palo Alto a convite da HP.

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