Os jogos e várias produções hollywoodianas apresentam conceitos bastante interessantes para a nossa realidade. Um ótimo exemplo disso são as tecnologias de filmes de ficção científica que já existem no mundo real e aquelas que saíram dos video games para o nosso dia a dia.

Mas há uma ideia que, volte e meia, aparece em algumas obras de entretenimento e vive deixando-nos com uma pulga atrás da orelha: será que está muito distante o dia em que veremos cidades submersas? E não estamos nos referindo a alguns cômodos debaixo d’água, e sim metrópoles inteiras completamente mergulhadas nos oceanos.

Os gamers de plantão, ao se depararem com essa ideia, logo devem se lembrar da gigantesca cidade submersa do universo de BioShock. A “Rapture” é uma colônia totalmente estabelecida debaixo d’água que toda a infraestrutura necessária para prover a todos os seus habitantes os recursos necessários para a sobrevivência digna e confortável, apesar das polêmicas que envolveram sua governança.

Rapture, a cidade submersa de BioShock.

Já os aficionados por ficção científica devem ter se lembrado do primeiro filme (quarto a ser lançado) da saga de George Lucas, Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma. Nessa produção, nos deparamos com a Otoh Gunga, uma cidade submersa criada pela raça Gungan que, apesar de ter sido concebida por criaturas que podem viver normalmente imersas na água, aparentemente também consegue oferecer os meios necessários para seres humanos comuns sobreviverem.

Otoh Gunga, a cidade submersa do universo Star Wars

Ocean Spiral, a cidade submersa que poderá se tornar realidade

Fugindo da ficção científica e dos games, chegamos à realidade do nosso mundo. E, acredite ou não, já existe um plano concreto e plausível de construir uma cidade totalmente debaixo d’água. Quem está por trás dessa ideia ambiciosa é a empresa japonesa Shimizu Corp, famosa por seus planos utópicos e ousados.

A companhia desenvolveu o projeto da Ocean Spiral, uma colônia baseada em uma esfera gigantesca e uma haste espiral que conectaria esse componente até o fundo do oceano. Essa cidade seria capaz de comportar até 5 mil habitantes que viveriam completamente independentes dos recursos provenientes da superfície.

Fontes de energia diversas

O projeto da Shimizu Corp tem como destaque as várias fontes para obtenção de energia. A esfera de 500 metros de diâmetro, local onde a maioria das pessoas viveria, ficaria posicionada próxima à superfície para a obtenção e canalização da luz solar. Lá haveria zonas residenciais, acomodações, lojas e amplos espaços para entretenimento.

Já a longa espiral se estenderia por 15 quilômetros até a base do oceano, onde obteria energia termoelétrica de vulcões aquáticos. O corpo dessa estrutura também seria responsável pela captação de recursos: a diferença de temperatura entre os extremos da construção poderia fornecer energia através de um processo chamado de “conversão de energia térmica oceânica”.

Motivações

Assim como aconteceu com a Rapture de BioShock, a Ocean Spiral tem motivações realistas para a sua construção. Segundo especialistas japoneses sobre o estudo do crescimento urbano, a busca por soluções como cidades submersas advém das preocupações ambientais e mudanças climáticas a que o nosso planeta está suscetível.

O Japão, situado em uma região muito propensa a terremotos e tsunamis, há anos busca por soluções para seus problemas com as catástrofes climáticas. A Ocean Spiral parece ser uma das melhores ideias já criada pelos japoneses.

Realidade em... 15 anos?

De acordo com a Shimizu Corp, a humanidade ainda não possui a tecnologia necessária para construir uma cidade subterrânea autossustentável. De acordo com previsões da companhia, o ser humano terá os recursos para tirar essa ideia do papel apenas daqui a 15 anos.

Ou seja, provavelmente só a partir de 2030 passaremos a ter colônias inteiras sobrevivendo completamente debaixo d’água. Será que estaremos vivos até que esse cenário passe a ser uma realidade?