A raposa já não está mais tão rápida e saudável. O Mozilla Firefox foi ultrapassado pelo Google Chrome até no Brasil e agora é o terceiro navegador mais popular da internet, além de nunca ter ficado na frente do Internet Explorer, que deve melhorar na décima versão. Esse parece ser um dos piores momentos do projeto desde que o código aberto tornou-se o produto que todos conhecemos.

Apesar de ainda manter uma legião de fãs desde o início, a Mozilla (que herdou o código do finado Netscape Navigator) parece ter parado no tempo e estagnado em qualidade. Apesar de suas últimas versões receberem elogios,  o browser até corre risco de morte, caso fique sem a integração com a busca do Google (que gera 84% da receita do navegador).

Para não virar peça de museu e continuar figurando entre os preferidos da galera, o Firefox precisa se espertar e promover algumas mudanças técnicas e estratégicas. O Tecmundo não tem bola de cristal para saber se os palpites vão acontecer, mas lista algumas das possibilidades abaixo.

Mudar o visual

Um navegador nunca pode estar totalmente satisfeito com sua aparência – as pessoas sempre vão reclamar de problemas que precisam ser modificados em versões posteriores. Na maioria dos casos, as empresas não costumam fazer mudanças radicais, mas o Firefox parece que resolveu parar no tempo: o modelo 4.0 do programa é quase idêntico ao atual.

O Firefox 4.0, quase um irmão gêmeo da versão atual (Fonte da imagem: Wikipedia)

Para o 9.0, entretanto, a Mozilla prometeu mudanças e até cumpriu algumas delas ao modificar o gerenciador de downloads, inserir o botão “Firefox” e melhorar o sistema de permissões – mas será que só isso é suficiente para retomar a vice-liderança no mercado de navegadores?

Essas mudanças apenas técnicas podem afastar quem deseja trocas mais drásticas no navegador, enquanto os fãs do programa receberiam de braços abertos qualquer melhoria inovadora para deixar a navegação mais dinâmica.

Melhorar o Sync

Sincronizar seus arquivos do PC de casa com o do escritório é um sonho já possível em navegadores como o Chrome e o Firefox – o problema é a jornada épica que você precisa passar até que consiga configurar a sincronia com sucesso, especialmente no produto da Mozilla.

Explicamos: o Firefox Sync até funciona, mas exige que você alterne várias vezes entre os dois computadores para configurar o código de sincronia e outras opções, fazendo com que você perca muito tempo só para ter o mesmo conteúdo nas máquinas.

Itens como a Sync Key geram mais segurança, mas dão uma dor de cabeça... (Fonte da imagem: Tecmundo)

Além disso, o programa é instável e em muitas vezes não reconhece a conta cadastrada, obrigando você a repetir todo o processo mais de uma vez. O Google Chrome é bem mais feliz nesse tipo de serviço, já que conta com os servidores e a força da gigante de Mountain View, algo inimaginável em uma empresa do tamanho da iniciativa Mozilla.

Convencer o usuário a baixá-lo

O Google faz propaganda do próprio produto o tempo todo na mídia, além de “sugerir” que você baixe o Chrome enquanto utiliza os serviços de busca ou mapas da empresa, por exemplo. Já o Internet Explorer é ainda mais direto, pois está sempre anexado ao Windows e é utilizado de um jeito ou de outro, nem que seja para você baixar o seu navegador favorito.

Mas o Firefox não tem nada parecido e, para ganhar espaço no mercado, ele depende de indicações de sites ou de quem já usa o navegador. Para melhorar isso, ele precisa ter uma carta na manga para desbancar a concorrência, seja uma função exclusiva ou um sistema de publicidade cativante.

Apostar ainda mais em mobilidade

O acesso à internet via Wi-Fi ou 3G em dispositivos móveis, como tablets e smartphones, precisa fazer parte das políticas de uma grande empresa da internet, incluindo as que desenvolvem navegadores. O Firefox não pode ficar fora dessa – e, ao menos nesse item, ele já está dando seus primeiros passos.

A versão móvel do navegador não é a mais famosa entre os consumidores, mas pretende levar a força da marca também para os portáteis. As novidades incluem integrações com redes sociais ou até o programa para desktop e foram avaliadas de maneira positiva antes mesmo de serem lançadas.

Ainda assim, esse investimento está muito longe da concorrência de Google e Microsoft, que possuem seus próprios sistemas operacionais e ainda lideram esse mercado. Não que a raposa precise lançar algo no estilo do Android ou iOS, mas competir com eles apenas com um produto é uma missão arriscada.

Gerenciar o uso de memória

Uma das maiores críticas que o Firefox recebe é o alto consumo de memória RAM pelo programa enquanto o navegador está aberto: ao abrir abas simultâneas, você pode se deparar com um PC lerdo ou até travado.

O Google Chrome, que aposta na leveza e rapidez com que abre as páginas, ganhou muito mercado ao explorar essa falha – mas a Mozilla jura que está consertando isso, principalmente na nona versão do navegador, que busca gastar menos do que os quase 200 MB consumidos pelas builds anteriores.

Será que veremos um consumo menor do que o acima nas próximas versões? (Fonte da imagem: Tecmundo)

Além disso, o motor JavaScript também está sendo melhorado, fazendo com que páginas cheias desse tipo de conteúdo abram até 30% mais rápido do que nas versões anteriores, aumentando bastante o desempenho no navegador. Mas, apesar de ter fechado essas brechas, a Mozilla precisa sonhar ainda mais alto na hora de desenvolver as próximas versões.

...

A raposa mais famosa da internet não está exatamente à beira da morte, mas precisa dar a volta por cima para bater de frente com a concorrência. A boa notícia? O Firefox 9.0 parece um passo largo na direção da recuperação.

Ainda assim, se ela vai sobreviver à guerra dos navegadores, só o tempo – e o número total de downloads – são capazes de nos dizer.

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