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O centro de dados do Facebook na Suécia que quase ninguém conhece

Empresa vai utilizar conceitos de arquitetura modular aliados ao frio da cidade para manter os seus servidores rodando

schedule30/06/2014, às 10:20

Fonte: Lulea Data Center

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Desde que os humanos desistiram da vida nômade e começaram a construir as suas casas, a arquitetura teve o objetivo de tornar a vida das pessoas melhor. No entanto, agora, há uma “nova” arquitetura que está surgindo em lugares remotos do mundo. Ela não é projetada para os seres humanos, mas para as máquinas. Neste caso, para os computares que mantêm o Facebook funcionando.

No norte da Suécia, muito perto do Círculo Polar Ártico, uma nova forma de design modular está sendo projetada por arquitetos e usada pela equipe liderada por Marco Magarelli, o gerente de Engenharia do Facebook. Ele trouxe uma abordagem incomum para os centros de dados da empresa ao longo dos últimos cinco anos.

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Como as empresas de tecnologia costumam competir para construir um data center mais inteligente, mais rápido e mais barato, isso estimulou o renascimento da arquitetura modular e pré-fabricada. Atualmente, é o Facebook que mais a utiliza.

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A “caixa mágica”

Magarelli comentou a respeito desse tipo de arquitetura e como ela afetou o Facebook. Além disso, ele usa o termo “caixa mágica” para descrever o mundo físico no qual estão os centros de dados: “As massas sabem que eles existem, mas não conhecem como eles são e onde estão”. O seu trabalho como engenheiro é “tentar fazer essa caixa o mais elegante e eficaz  possível”.

Além disso, o gerente explicou que o centro de dados do Facebook está longe de parecer comum. Alguns data centers usam mais de 100 vezes a energia consumida por um prédio de escritórios. Eles precisam ser ultraseguros e ultraestáveis contra hackers, desastres naturais e outros tipos de problemas. O engenheiro também revelou que o mercado de centro de dados modulares deverá gastar mais de US$ 40 bilhões nos próximos quatro anos.

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O Facebook é o segundo site mais visitado no mundo e conta com muitos centros de dados modulares. Segundo a empresa, 6 bilhões de pessoas acessam o site diariamente e compartilham cerca de 400 milhões de fotos. Em 2012, os usuários utilizaram 7 petabytes de armazenamento de fotos de um dos centros de dados da empresa mensalmente.

Para lidar com esse aumento na demanda, há dois anos, o Facebook designou uma tarefa para três engenheiros: escalar a infraestrutura computacional da forma mais eficiente e econômica possível. E eles conseguiram.

Com o sucesso do projeto, ele tornou-se conhecido como “Open Compute Project”. O plano também foi uma iniciativa para alterar completamente o hardware e a infraestrutura de rede e de data centers do Facebook.

Magarelli juntou-se ao Facebook em 2009 como parte do Open Computing Project e trouxe especialistas do setor de construção que utilizam com eficiência peças manufaturadas. Além disso, os conceitos básicos de design usados das construções dos data centers foram chamados de “Ford” e “Ikea”.

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O primeiro conceito poderia ser considerado “a montagem de um carro em um chassi”. Nele, você constrói o seu quadro estrutural e em seguida anexa todos os componentes reais, incluindo cabos e iluminação, usando a linha de montagem de uma fábrica.

O esquema Ikea é diferente: em vez de montar os módulos em uma fábrica, as peças finalizadas da construção seriam empacotadas em uma caixa. Assim como o hardware, os componentes de construção eram simplificados ao máximo para evitar erros durante a montagem. Ao dividir a construção em pedaços simples e universais, o conceito faria o projeto ser mais barato, mais rápido e mais fácil de ser finalizado.

Após essas duas ideias, surgiu o Rapid Deployment Data Center, ou RDDC. Ele é o novo design arquitetônico usado nos seus centros de dados. Trata-se de uma série de módulos pré-montados que são enviados para o local e encaixados a velocidades incríveis, melhor do que as ideias pioneiras “Ford” e “Ikea”.

Frio, muito frio!

Em 2014, o Facebook vai ter a chance de testar a ideia do RDDC: a empresa anunciou um novo projeto de construção em Luleå, na Suécia, junto com o mais recente centro de dados. A cidade possui uma população de 46 mil pessoas e está perto da Finlândia.

Lá, as temperaturas são realmente muito mais baixas. O mês mais quente, julho, tem uma temperatura média de 16 graus Celsius. Em fevereiro, esse número cai para 6 graus. No entanto, esse clima é um grande aliado para as empresas de data center, que gastam milhões de dólares para esfriar os seus servidores.

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Não é apenas o frio o motivo pelo qual o Facebook decidiu pela cidade. Também há a infraestrutura elétrica da Suécia, que é uma das mais confiáveis do mundo. O lugar também conta com várias fontes renováveis — uma grande vantagem para a empresa, já que ela tem comprado vários parques eólicos nos Estados Unidos para alimentar os seus centros de dados na América do Norte.

Magarelli acredita que o que a sua equipe está fazendo tem um precedente de mais de um século: “Eu penso atrás, na Revolução Industrial, e como as construções foram adaptadas às indústrias que estavam surgindo no momento”.

Diante deste cenário, é fácil ver o paralelo entre as fábricas e os centros de dados. Cada tipo de construção é projetado para atividades comerciais específicas e deve aderir a um prazo e orçamentos apertados.

“O centro de dados, assim como uma fábrica do século 19, é um tipo de construção diferente”, finaliza Magarelli.