O cometa "Tchouri", acompanhado pela sonda europeia Rosetta, alcançará na quinta-feira o ponto mais próximo ao Sol em sua trajetória, uma nova etapa em sua missão de busca pelas origens da vida na Terra. Os cientistas esperam que os jatos de gás muito poderosos sob o efeito do calor permitam a captura de partículas orgânicas deixadas pela formação do sistema solar e presas há 4,6 milhões de anos no gelo do "Tchouri".

Os cometas são pequenos corpos do sistema solar constituídos de um núcleo feito de gelo, de materiais orgânicos e pedras, e cercado de poeira e gás. Ao se aproximar do sol, o gelo subterrâneo do cometa vai se transformar em vapor, provocando tempestades de gás e poeira e projetando partículas. "Este é o momento em que haverá mais ação", declarou à AFP Mark McCaughrean, assessor científico da Agência Espacial Europeia (ESA).

O cenário mais emocionante: que o "pescoço de pato" se quebre --- devido à sua forma, Tchouri é muitas vezes comparado a um pato --- revelando o material enterrado. "Este seria realmente o Santo Graal... ver o interior do cometa", afirmou entusiasmado McCaughrean, mesmo que a maioria dos cientistas acreditem que o cometa não é tão instável a ponto de se quebrar. 

O Cometa 67P/Tchouriumov-Gerasimenko alcançará o ponto mais próximo ao Sol às 02h00 (23h00 de Brasília de quarta), a uma distância de 186 milhões de quilômetros da nossa estrela, antes de afastar-se seguindo uma longa curva elíptica de sua órbita de seis anos e meio. "Estamos à procura de matérias-primas virgens que podem escapar" da parte de baixo da camada de poeira deixada pelo último periélio, explica Mark McCaughrean.

Novas informações

O robô espacial europeu Philae permanece em silêncio há mais de um mês, e caberá à sonda Rosetta capturar essas partículas. Rosetta está atualmente localizada a cerca de 300 km do cometa e não pode chegar mais perto sem o risco de ficar perdida na tempestade de gás. Os instrumentos da Rosetta podem coletar partículas, mesmo em sua distância atual, mas em concentrações muito baixas, e "ela não poderia pegar os raros", segundo McCaughrean.

Os cientistas também podem, graças a fotos tiradas por Rosetta, comparar a aparência do cometa antes e depois do periélio. Estas imagens, as amostras de gás e outras medições feitas pela sonda devem trazer novas informações sobre a composição do cometa e o seu ciclo. Philae está estacionada no cometa desde o seu pouso turbulento, em 12 de novembro de 2014. Após sete meses de hibernação, voltou a fazer contato com Rosetta em oito ocasiões.

Mas desde 9 de julho, data de seu último sinal, permanece em silêncio. "Philae pode estar ativa... mas como não temos nenhum contato, não sabemos nada de sua condição", disse à AFP Patrick Martin, chefe da missão Rosetta. Quando o cometa se afastar do sol e suas tempestades de gás se acalmarem, os cientistas esperam chegar perto e restabelecer contato com o pequeno robô precioso.

ParisFrança

Via EmResumo.

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