O asteroide 2024 YR4 tem 4,3% de chances de atingir a Lua em 2032, de acordo com os cálculos mais recentes, evento astronômico que traz riscos para a Terra mas também apresenta um “lado bom”. Quem afirma é o pesquisador da Universidade de Tsinghua (China), Yifan He.
Em artigo publicado na plataforma arXiv, recentemente, o especialista em astrofísica e a equipe chefiada por ele detalharam o lado positivo do impacto no satélite natural. Eles acreditam que o evento astronômico tem potencial para fornecer inúmeros dados científicos a respeito da Lua.
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Qual a importância do impacto na Lua para a ciência?
Descoberto em dezembro de 2024 por meio do Sistema de Último Alerta de Impacto de Asteroides (ATLAS), instalado no Chile, o 2024 YR4 tem 60 m de diâmetro. Sua possível queda na superfície lunar pode liberar energia equivalente à de uma bomba termonuclear de porte médio.
- Com essa potência, o evento se tornará o “impacto lunar mais energético já registrado na história humana”, de acordo com o estudo, formando uma enorme nuvem de rocha e plasma visível de alguns pontos da Terra;
- Astrônomos podem usar telescópios infravermelhos como o James Webb para observações detalhadas do processo de resfriamento do local impactado, nos dias seguintes, identificando detalhes inéditos das crateras lunares;
- Estima-se a formação de uma cratera de 1 km de largura e entre 150 m e 260 m de profundidade, com cerca de 100 m de rocha derretida na área central, que fornecerá dados importantes para a ciência;
- Os pesquisadores também terão a oportunidade de observar um terremoto lunar de magnitude 5,0, se tornando o maior registrado por lá, permitindo entender a composição do solo.
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Segundo o artigo, o impacto vai lançar uma quantidade gigantesca de detritos no espaço, parte deles vindo rumo à Terra. Os especialistas calculam uma nuvem de detritos de até 400 kg chegando à atmosfera do planeta, semelhante a uma chuva de meteoros.
Apesar de parte dessas rochas se carbonizarem na reentrada, muitas amostras da Lua poderiam ser aproveitadas para análises científicas. Por isso, Yifan e seu grupo tratam o evento como uma espécie de missão gratuita de retorno de pedaços do solo lunar.
Há riscos para a Terra?
Essa nuvem de detritos, que se tornaria um belo espetáculo visual com pequenas bolas de fogo cruzando o céu, também representa riscos. Os cientistas chineses estimam que algumas dessas rochas espaciais vão cair em áreas na América do Sul, América do Norte, África e Península Arábica.
Porém, o perigo maior é para as megaconstelações de satélites. O estudo aponta a possibilidade de o evento desencadear a “Síndrome de Kessler”, derrubando toda a rede ao longo de anos e impedindo lançamentos de novos satélites por algum tempo, impactando serviços de navegação e comunicação.
Até por conta disso, agências espaciais não descartam uma missão para desviar o asteroide 2024 YR4 da rota lunar, especialmente se as chances de colisão aumentarem nos próximos anos, o que colocaria fim aos planos de observação do evento.
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