O novo diretor da Agência Espacial Europeia (ESA), Johann-Dietrich Woerner, tem um plano que é contrário ao de muitos exploradores da área. Segundo ele, que acabou de assumir o cargo de administração, o foco de instituições como a ESA deveria ser construir um vilarejo na Lua.

A declaração causou surpresa. Afinal, desde que o homem (norte-americano) pisou no satélite natural, em 1969, os planos mudaram. Em vez de continuar mandando missões para lá, programas espaciais passaram a ver com bons olhos a exploração de Marte ou o envio de sondas ainda mais distantes.

"Nós deveríamos olhar para o futuro além da Estação Internacional Espacial. Deveríamos procurar por uma pequena espaçonave em baixa órbita terrestre para pesquisas sobre microgravidade [aquilo que é erroneamente chamado de gravidade zero] e eu proponho um vilarejo no lado mais distante da Lua", explica o diretor.

Segundo ele, o lado mais distante é interessante porque permite a obseração de um setor diferenciado do universo e do próprio satélite natural. "Um vilarejo na lua não significa apenas algumas casas, uma igreja e uma prefeitura. A colônia precisaria significar parceiros de todo o mundo contribuindo para a comunidade com missões envolvendo robótica e astronautas, além de suporte à comunicação via satélite", detalha. Ou seja, apesar de ser um local para se viver, a ciência precisa ser prioridade por lá.

"Em nossos genes, há algo além de só aplicações práticas. Gostamos de descobrir, ser pioneiros. Isso é o que a humanidade é e isso que nos traz o futuro" - Johann-Dietrich Woerner

A cooperação internacional sonhada pelo diretor da ESA é complicada, mesmo que essa união seja bem intencionada. O problema é que a NASA, por exemplo, está focada na exploração de Marte — algo que ele considera impossível se missões mais aprimoradas de exploração e colonização não forem feitas antes na Lua.

Ainda assim, quem disse que ele vai desistir fácil? "A experiência nos mostra que não há parede entre exploração e aplicações práticas. Olhe para o efeito estufa: todos sabemos o que é e usamos satélites para investigá-lo, mas isso não foi descoberto na Terra, mas sim em uma exploração para Vênus", conclui Woerner.

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