Embora o ser humano não entenda completamente tudo o que acontece no planeta Terra, expandir os horizontes sempre foi um desejo inato da humanidade. Por conta disso, a exploração espacial ganhou força nas últimas décadas, impulsionando vários países a desenvolver formas de levar o homem ao espaço e entender um pouco mais sobre a imensidão do Universo.

Ao falarmos sobre esse assunto, não há como deixar de lembrar da NASA, a agência espacial norte-americana. Embora a organização seja a maior empresa do mundo a lidar com esses temas, outras companhias começaram a se destacar nos últimos anos devido ao seu interesse em "democratizar" o interesse e os recursos para a exploração espacial. Nesse quadro, duas empresas merecem ser mencionadas: a Blue Origin e a SpaceX.

Corrida espacial dos bilionários

Quem é quem?

A Blue Origin é um empresa astronáutica criada por ninguém menos que Jeff Bezos, o icônico fundador da Amazon. Situada em Kent, Washington, Estados Unidos, a companhia se dedica a desenvolver tecnologias que permitam ao homem ter acesso ao espaço de uma forma confiável e de baixo custo.

Interessado no espaço desde sua juventude, Jeff Bezos diz que sempre sonhou com a dominação espacial pela humanidade. Construir hotéis, parques e colônias são apenas alguns dos objetivos utópicos do executivo, que fundou a empresa em setembro de 2000 com essa visão em mente. Por conta disso, Bezos tem uma visão democrática do espaço. Ele acredita em uma maneira acessível de levar todos à órbita da Terra e experimentar essa experiência única de sair do seu planeta.

Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin

A Space Exploration Technologies Corporation (SpaceX), fundada dois anos depois da Blue Origin, teve como ponto de partida a mente do visionário Elon Musk, conhecido como o "Tony Stark da vida real". O bilionário não relata a sua paixão pela exploração espacial como Jeff Bezos, mas também acredita fielmente que é possível democratizar a exploração espacial.

Quando fundou a SpaceX, Elon Musk tinha como visão a criação de foguetes relativamente baratos e que tivessem a capacidade de ser reutilizados, um diferencial que o levou a perseguir objetivos distintos de seu concorrente. O bilionário conseguiu fazer com que sua empresa se destacasse de forma bastante intimidadora diante do mercado, especialmente se considerarmos que se trata de uma companhia privada.

Elon Musk, fundador da Tesla Motors e da SpaceX

Façanhas

Jeff Bezos tem alguns motivos para comemorar. Recentemente, o foguete New Shepard conseguiu fazer uma decolagem até a zona suborbital – em um altitude de 100 km – e retornar em segurança para a Terra duas vezes. Embora essa distância seja relativamente pequena se considerarmos a vastidão do espaço e o quanto faltava para chegar realmente à orbita do planeta, a Blue Origin se orgulha de ter conseguido fazer isso em uma escala pequena e pretende elevar seus padrões em breve.

De acordo com Bezos, o objetivo primário de sua empresa é desenvolver tecnologias relativamente baratas e reutilizáveis, permitindo uma viagem segura do ser humano ao espaço. "Nós estamos construindo a Blue Origin para semear uma presença forte do homem no espaço", comentou o executivo depois do pouso histórico da New Shepard. Embora tenha trabalhado em constantes aprimoramentos, o executivo não revela quais são os objetivos específicos e futuros da empresa.

Elon Musk foi mais categórico ao dizer que a SpaceX tem como objetivo final a colonização de Marte. Para isso, tem investido em tecnologias mais ousadas que as de seu concorrente. A pretensa dianteira que Musk assume diante de Bezos fica clara na resposta que ele deu diante do sucesso da aterrissagem da New Shepard em 2015.

O fundador da Blue Origin chamou o seu foguete de "besta rara" por conta do feito. Já o dono da SpaceX argumentou que ela não é tão rara assim, já que o foguete Grasshopper havia feito seis voos na subórbita três anos antes e ainda estava em uso. Mas aí fica clara a diferença entre as duas propostas: enquanto um dos foguetes era destinado a levar carga e pessoas para o espaço, o outro estava mais para um passeio no céu.

No começo de abril, Musk demonstrou como a SpaceX está avançada na reutilização de foguetes que alcançam a órbita terrestre. O pouso histórico aconteceu em uma base em alto-mar em uma balsa controlada a distância no oceano Atlântico, logo depois de o veículo ser lançado de Cabo Canaveral, EUA.

Um Falcon 9 da SpaceX, o foguete utilizado nessa façanha, custa cerca de US$ 60 milhões para ser fabricado (R$ 215 milhões), contra “apenas” US$ 200 mil (R$ 717 mil) para ser reabastecido. Considerando que, para subir ao espaço novamente, um veículo como esse não precise de muitos reparos, a economia na reutilização seria na casa das dezenas de milhões de dólares.

Pouso de sucesso do Falcon 9, foguete da SpaceX

Objetivos em escalas diferentes

Embora ambas as empresas tenham alcançado o feito de realizar pousos bem-sucedidos, seus objetivos possuem escalas diferentes. A Blue Origin criou o New Shepard para fazer voos na subórbita e retornar com segurança, mostrando que o mesmo poderia ser feito com ser humanos a bordo. O foguete utilizado pela empresa de Bezos tem 12 metros de altura e 3 metros de diâmetro, exigindo muito menos esforço para ser lançado.

Já o Falcon 9 mirou um pouco mais alto e foi lançado em órbita terrestre para demonstrar suas capacidades. Com 48 metros de altura e muito mais massa, foi necessário bem mais esforço para lançar e manter essa criação da SpaceX ao redor do globo.

A diferença entre o foguete da Blue Origin e o da SpaceX

A imagem abaixo mostra a diferença de escala entre o projeto da Blue Origin e o da SpaceX.

Objetivos com escalas diferentes

Objetivos assíncronos

Embora a comparação entre as duas empresas seja inevitável, é importante destacar os feitos de cada uma delas. Não há como dizer que uma delas esteja na frente da corrida espacial apenas porque lançou um dos foguetes em uma altitude maior. As tecnologias por trás do Falcon 9 e do New Shepard são diferentes e podem resultar em um crescimento – dentro da corrida espacial – igualmente distinto.

As duas empresas têm seus méritos dentro do cenário atual e definitivamente ainda vamos ouvir falar muito delas. Jeff Bezos e Elon Musk podem até se estranhar por conta de seus objetivos assíncronos – ou que não possuem sintonia e evoluem em velocidades diferentes –, mas ambos deveriam colaborar para um fim em comum: democratizar o espaço e abrir as portas para que a humanidade possa finalmente conhecer esse vasto Universo.

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