O Mundial de Fórmula 1 é o campeonato de automobilismo mais importante de todo o planeta. Em 2013, serão 19 etapas que percorrerão os quatro cantos do planeta, finalizando a temporada aqui, no Brasil, mais precisamente no já tradicional circuito de Interlagos, em São Paulo, no dia 24 de novembro.

Com os seus carros andando a mais de 300 quilômetros por hora, cada corrida do campeonato pode ser decidida em pequenos detalhes. Assim, além de pilotos habilidosos, veículos bem acertados e engenheiros cheios de novas ideias, há também outra parte importantíssima das corridas capaz de selar o destino dos corredores durante as disputas: as paradas nos boxes.

Elemento tradicional nos eventos automobilísticos, os pit stops são um verdadeiro espetáculo à parte. Na Fórmula 1, por exemplo, é incrível de se perceber toda a sincronia e o perfeito trabalho de equipe realizado por cerca de 20 mecânicos que, em segundos, trocam os quatro pneus do carro e o mandam de volta para a pista.

Por que é necessário

Com os carros cada vez mais potentes, o grande desgaste de pneus é inevitável. Isso, combinado ao fato de que compostos mais macios fazem o carro render mais, acaba tornando obrigatório o uso dos pit stops para que se mantenha o carro em um ritmo forte do início ao fim das provas.

(Fonte da imagem: Reprodução/Formula 1)

Além disso, para deixar as corridas mais emocionantes e com um grau de exigência maior para pilotos e equipes, os times não podem escolher os seus próprios fornecedores de pneus. É a Federação Internacional de Automobilismo, em conjunto com a direção da Fórmula 1, que fecha os contratos com uma única fornecedora. Atualmente, a Pirelli é a fabricante oficial.

Isso é feito para que todos os carros tenham que utilizar os mesmos tipos de compostos nos pneus. Assim, além de escolher a fornecedora, os diretores também trabalham em conjunto com os pesquisadores da fabricante para desenvolver borrachas que se desgastem de maneiras específicas, fazendo com que pilotos mostrem mais perícia conduzindo os carros e gerenciando o gasto dos pneus.

Além disso, também entra nesse quesito todo o trabalho da equipe na hora de projetar o carro para fazer com que o desgaste dos pneus seja o menor possível. Eles também precisam definir a melhor estratégia para cada corrida e, quando chega a hora, trocá-los no pit stop com a maior eficiência possível.

Utilizando vários jogos de pneus

Além de determinar a fabricante e o material dos compostos, a Fórmula 1 também conta com nada menos do que seis tipos diferentes de pneus. A proposta para a temporada de 2013 é exigir mais dos pilotos e promover ainda mais pit stops.

Diferentes jogos de pneus (Fonte da imagem: Reprodução/Formula 1)

Na primeira corrida do ano, pudemos ver que a maioria das equipes já optou por fazer três paradas durante a corrida. O irônico, pelo menos nesse caso, é que o vencedor da prova fez apenas dois pit stops. Os seis tipos de pneus são identificados por faixas coloridas pintadas em suas laterais. Confira:

  • Supermacio: vermelho;
  • Macio: amarelo;
  • Médio: branco;
  • Intermediário: verde;
  • Duro: laranja;
  • Chuva: azul.

As regras atuais da Fórmula 1 são muito rígidas quanto à utilização dos pneus. Segundo o site oficial da categoria, em 2013, cada piloto receberá 11 jogos de pneus (conjuntos com as quatro rodas) antes de cada fim de semana de prova.

Os kits conterão seis jogos de pneus dos mais duros e cinco dos mais macios. Para que a FIA mantenha um controle rígido sobre tudo isso, cada roda conta com um código de barras que traz uma identificação única – e que é inserida ainda no processo de vulcanização do pneu. Assim, a Fórmula 1 consegue ficar de olho em cada pneu utilizado nas provas.

O papel de cada um

Quando o carro entra nos boxes e se encaminha para o pit stop, uma grande mobilização ocorre para que a troca de pneus seja perfeita. Como dito acima, na F1, cada milésimo de segundo é importante – e pode acabar decidindo uma corrida.

Assim, o pit stop propriamente dito já começa nas mãos do piloto. Ele precisa conduzir o carro perfeitamente até a sua “vaga” dentro dos boxes. Na televisão pode até parecer fácil, mas lembre-se de que se trata de uma pessoa dirigindo um veículo a 100 km/h e com um monte de gente à sua volta. Além disso, na hora de parar o carro, ele deve entrar “no meio” de uma reunião de praticamente toda a sua equipe, conseguindo chegar às marcações exatas para que tudo saia como o planejado.

Com o carro no lugar entram em cena os mecânicos. O número de profissionais nessa hora pode variar de uma equipe para a outra, mas acredita-se que, em média, 20 mecânicos participam de todo o processo.

Todos eles obrigatoriamente devem utilizar macacões que os protegem de incêndios, além de capacetes especiais – tudo muito parecido com o que é vestido pelos próprios pilotos. Esses mecânicos ficam divididos em papéis essenciais, provando que o trabalho em equipe é fundamental.

Operadores de pistolas de ar comprimido, trocadores de pneus, o “homem do pirulito” e até mesmo um bombeiro, todos são extremamente especializados em seus respectivos trabalhos. Se cada um caprichar na hora de fazer a sua parte, o menor tempo possível poderá ser alcançado durante o pit stop.

Para isso, há muita prática. Antes do começo da temporada, as equipes fazem treinamentos intensivos para atingir a perfeição durante os pit stops. A equipe Mercedes, por exemplo, ensaia entre 40 e 50 paradas por dia durante 6 semanas. Além disso, os treinos continuam durante todo o campeonato, com as equipes ensaiando mais 50 vezes em cada fim de semana de corrida.

Os mais rápidos

As equipes parecem ter encontrado algumas fórmulas praticamente perfeitas de sincronização para os seus pit stops. O tempo das paradas vem diminuindo ano após ano – e recordes que pareciam inimagináveis já se mostram alcançáveis.

Equipe comemora a primeira marca abaixo dos 2 segundos e meio (Fonte da imagem: Reprodução/TAG Heuer)

Em um tempo menor do que os segundos que você está levando para ler essa frase (sim, a gente cronometrou na hora de elaborar o texto!), a McLaren conseguiu trocar os quatro pneus do carro de Jenson Button.

O feito aconteceu no GP da Alemanha do ano passado. A equipe realizou o pit stop em exatos 2,31 segundos. E essa evolução não deve parar por aí. A ideia da equipe é que a marca dos dois segundos seja algo “rotineiro” na temporada de 2013.

De acordo com um dos diretores do time inglês, Sam Michael, os duros treinamentos de inverno e as novas tecnologias podem permitir que tal marca seja alcançada não só por eles, mas também pelas outras grandes, como Ferrari, Mercedes e Red Bull.

O polêmico reabastecimento

Se hoje as trocas levam menos de três segundos para acontecer, saiba que isso nem sempre foi assim. Antigamente, os pit stops não eram obrigatórios e utilizá-los era algo bastante ousado – coisa que só os pilotos mais habilidosos conseguiam tirar proveito.

Juan Manuel Fangio, o pentacampeão de Fórmula 1 que também é uma das lendas do esporte, mostrou em 1957 como os pit stops poderiam ser explorados. O piloto largou com o carro mais leve, abriu uma grande vantagem e aí parou nos “boxes” (que na verdade eram improvisados na reta da corrida).

O trabalho dos mecânicos na hora de trocar os pneus e reabastecer o veículo era tão lento que nos vídeos é possível perceber um fato curioso: o corredor tinha tempo até mesmo de descer do veículo e dar uma esticada na coluna! O pit stop desse GP, por exemplo, demorou 1 minuto e 18 segundos para acontecer.

Isso, no entanto, não atrapalhou Fangio, que voltou para a pista e, por contar com um carro mais leve e pneus novos, conseguiu recuperar o tempo que havia ficado para trás, passar dois concorrentes e cruzar a linha de chegada em primeiro lugar.

Explorando o reabastecimento

Com o passar dos anos os pit stops evoluíram, pois os carros precisavam parar para realizar as trocas dos pneus, que ficavam cada vez mais desgastados. Contudo, as paradas nos boxes se tornaram um grande elemento-chave quando, em 1982, a equipe Brabham reintroduziu o reabastecimento.

Com os seus carros andando com a metade do combustível de seus adversários, os dois bólidos ganharam muito em desempenho, pois estavam bem mais leves. E isso foi algo que imediatamente chamou a atenção das outras equipes – que não perderam tempo e resolveram fazer o mesmo.

Dessa forma, em 1983, todos os times tinham sistemas de reabastecimento. O problema é que todos eles também quiseram fazer isso com o máximo de velocidade possível. O resultado? Muitos acidentes, incluindo explosões e incêndios. Assim, com problemas acontecendo em praticamente todas as provas, a FIA proibiu o reabastecimento já no ano seguinte, em 1984.

Ele voltou... E foi novamente proibido

Dez anos depois, na temporada de 1994, a FIA quis dar mais emoção às corridas – e escolheu a volta do reabastecimento como um dos ingredientes principais. Com tecnologias mais modernas, esperava-se que tudo fosse mais seguro. Infelizmente, não foi bem isso que aconteceu.

Logo no primeiro ano a equipe Benetton, querendo ganhar tempo nos boxes, removeu uma válvula da mangueira que controlava o volume de combustível injetado no carro. O resultado foi um grande vazamento e uma das mais graves explosões que já aconteceram em um pit stop.

O episódio serviu para que a Fórmula 1 e a FIA aumentassem ainda mais o rigor na utilização dos equipamentos de reabastecimento. Contudo, isso não impediu que novos incêndios e diversos outros acidentes, como válvulas travadas e mangueiras sendo arrastadas pelos carros, acabassem acontecendo. Por isso, em 2010, o reabastecimento foi novamente abolido das F1.

Futuro

Com a Fórmula 1 e as suas regras sofrendo diversas alterações, além da adoção de novas tecnologias, muito ainda pode mudar com relação aos pit stops. Muitos acreditam que o reabastecimento pode nunca mais voltar, principalmente se no futuro os carros assumirem motores elétricos e não poluentes.

Assim, as paradas nos boxes ficam cada vez mais condicionadas às trocas de pneus dos veículos. Nesse sentido, como dito acima, tudo deve ficar cada vez mais rápido. Se a McLaren acredita que pode atingir os dois segundos ainda nesse ano, há quem tenha esperanças de baixar ainda mais essa marca.

Na temporada atual, por exemplo, a FIA vem sendo muito “liberal” no que diz respeito à introdução de novidades para tornar o pit stop mais rápido. Assim, já existem testes para que se utilizem macacos automáticos e que descem o carro assim que um sinal eletrônico é enviado, por exemplo. Pistolas ainda mais poderosas e diversos outros sistemas eletrônicos também estão em desenvolvimento.

Quem sabe em um futuro distante os carros nem precisem mais ir até os boxes. Que tal se drones ultratecnológicos os erguessem na reta e realizassem a troca de pneus, derrubando-os no chão e os devolvendo à prova sem que nenhuma posição fosse perdida?

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