Para muita gente, os ataques hackers se limitam àquelas mensagens com links suspeitos e executáveis nada discretos que chegam por email ou a notícias sobre vazamento de contas de grandes serviços online. Esses casos, no entanto, parecem ser obra de peixes pequenos, já que, aparentemente, são os cibercriminosos que se especializam em invasões de empresa que acabam fazendo uma fortuna com esse tipo de prática. É o caso do hacker Michael Knighten, preso na última quinta-feira (27) em Blumenau (SC).

O norte-americano de 52 anos morava há pelo menos um ano em um condomínio de luxo da cidade catarinense e parecia não ter problemas em ostentar a riqueza obtida com suas empreitadas na web. Procurado pela Interpol há 13 anos, Knighten é acusado pela Justiça do EUA do crime de Comprometimento de Email Empresarial, que diz respeito a um tipo de esquema digital que mira especificamente companhias que fazem negócios e transferências de forma rotineira. A ideia é interceptar grandes quantias em dinheiro.

Dinheiro encontrado no apartamento de Knighten (Foto: Polícia Federal/Divulgação)

De acordo com a Polícia Federal, esse tipo de negócio escuso pode ter feito com que hacker tenha desviado ao menos R$ 6 milhões de empresas de todo o mundo – apenas uma fração dos US$ 2,3 bilhões em prejuízo que essa vertente do cibercrime já causou nos últimos anos. A fortuna real do suspeito, porém, fica difícil de ser calculada no momento, já que parte das transações captadas por ele pode ter ocorrido em bitcoins.

Em seu apartamento, a PF encontrou R$ 500 mil em dinheiro, drogas e documentos falsos. Na garagem do prédio, foram apreendidos um carro e uma motocicleta de luxo que juntos podem também passar de R$ 500 mil. Para facilitar a investigação, todas as contas no nome de Michael Sabatine – identidade utilizada pelo norte-americano no país – foram bloqueadas, assim como as de sua esposa. A brasileira pode acabar respondendo por “cegueira deliberada”, que é quando a pessoa usufrui de riqueza, mas não quer saber de onde o dinheiro vem.

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Copo foi essencial para que a prisão fosse efetuada (Foto: Polícia Federal/Divulgação)

Para chegar ao suspeito e analisar todo o seu histórico de ilegalidade, a PF prendeu Knighten pelo crime de uso de documentos falsos. Como isso foi comprovado? Basicamente, os investigadores conseguiram interceptar um copo usado pelo suspeito enquanto ele se exercitava na academia e comparou as digitais do objeto com os registros disponibilizados pela Interpol. Com a confirmação dos papiloscopistas, a prática deve mantê-lo detido por pelo menos dois meses na sede da Polícia Federal, em Itajaí.

"Esse tempo deve ser o prazo em que deve tramitar o pedido de extradição dele para os Estados Unidos, que foram informados sobre a prisão assim que realizada", informou o delegado Alexandre Braga ao G1 de Santa Catarina. Processos paralelos também devem avaliar o restante da ficha do norte-americano e buscar quem expediu a documentação portada por Knighten, já que o papel utilizado na produção desses itens parecia oficial.

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