Sempre tem alguém para dizer que os celulares oferecem tantas funcionalidades que nem se preocupam mais com o fato de serem aparelhos criados para realizar chamadas telefônicas. Porém, é inegável que a tecnologia empregada nos dispositivos tem potencial para funções realmente úteis. O Pacific Northwest National Laboratory (PNNL), foi além das selfies e resolveu transformar a câmera dos smartphones em potentes microscópios.

Os cientistas do PNNL, um laboratório de pesquisa do Departamento de Energia dos EUA, acabaram pensando na dificuldade de se analisar substâncias de risco em áreas públicas. Em vez de transportar o material para outro lugar, para que seja examinado, seria muito mais fácil que qualquer pessoa no local pudesse acoplar um pequeno microscópio em seu smartphone, capturar uma imagem e enviar a foto detalhada para qualquer parte do mundo.

Bom, bonito e barato

Tudo isso deve se tornar realidade em breve, graças ao acessório que o PNNL desenvolveu. Com um custo de material inferior a US$ 1, o microscópio tem o formato de um prático clip de plástico e pode ser produzido rapidamente em impressoras 3D. O corpo tem um espaço reservado para que seja colocada uma pequena esfera de vidro, que serve como lente para o aparelho.

O clip não é mais grosso do que uma capinha para celular e torna simples o processo de alinhar a bolinha de vidro com a lente da câmera do celular. Embora o objeto tenha sido desenvolvido em cima do design do iPhone, pode ser facilmente acoplado à maioria dos aparelhos disponíveis no mercado.

Porém, não se engane pela simplicidade e pelo baixo custo do projeto, o microscópio para smartphones tem a capacidade de ampliar os objetos em até mil vezes – o suficiente para identificar traços de antraz em qualquer substância. É possível ainda fazer versões mais modestas, com ampliações de 350x ou 100x, ideais para detectar micróbios e parasitas ou ser usada para analisar materiais em sala de aula.

Usos diversos

Manter o custo de produção baixo foi uma das principais metas durante o desenvolvimento do microscópio, que pode ser utilizado na medicina e veterinária, em regiões em desenvolvimento ou com acesso restrito a laboratórios. Outra vantagem do preço é tornar o item praticamente descartável, uma opção bem-vinda após usar o kit para analisar a imagem de substâncias contaminadas, por exemplo.

Segundo Janine Hutchison, microbiologista do PNNL, o fato de o aparelho ser barato pode fazer com que a tecnologia esteja mais facilmente à disposição da educação. “Estamos muito empolgados com a possibilidade de incentivar as crianças na ciência. As escolas têm dificuldade em fornecer um número suficiente de microscópios para os estudantes”, explica a cientista.

O site oficial do produto disponibiliza diversos arquivos para a impressão 3D do clipe, além de fornecer links para a compra – nos EUA – do vidro usado como lente do microscópio. Se você tem acesso fácil a uma impressora 3D, é engajado com a ciência ou simplesmente quer mostrar para os amigos o poder do seu celular, esse projeto pode ser o que você anda procurando.

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