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Ciência

Planeta 9 tem 40% de chance de existir no Sistema Solar, segundo cientista brasileiro

Baseado em simulações computacionais, astrônomos afirmam que planetas de órbita larga — como o Planeta 9 — são mais comuns do que imaginamos.

Avatar do(a) autor(a): Jorge Marin

schedule20/06/2025, às 18:30

updateAtualizado em 18/07/2025, às 10:24

Desde que, em 2016, os astrônomos Konstantin Batygin e Mike Brown publicaram um estudo sugerindo que as órbitas de alguns objetos transnetunianos (TNOs) estavam sendo “conduzidas” por uma força gravitacional, uma pergunta assombra os astrônomos. Será que existe, naqueles confins do Sistema Solar, um nono planeta que explique essa configuração orbital?

Depois de muitas idas e vindas, uma equipe internacional liderada pelo astrônomo brasileiro André Izidoro pode ter finalmente encontrado a resposta. Em um novo estudo publicado recentemente na revista Nature Astronomy, os autores usaram modelos computacionais sofisticados para mostrar que os chamados “planetas de órbita ampla” não são anomalias. 

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Entre esses planetas, cujas órbitas podem estar a centenas ou milhares de UAs (unidades astronômicas, ou seja, a distância da Terra ao nosso Sol), poderia estar o suposto Planeta Nove. Em outras palavras, o nosso Sistema Solar pode ter tido condições especialmente favoráveis para criar um planeta de órbita ampla, como um resultado natural e esperado da formação planetária.

Planetas em um “jogo de pinball cósmico”

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A formação planetária pode ser às vezes como um “jogo de pinball cósmico”. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Izidoro, que teve seu nome dado a um asteroide pela Conferência sobre Asteroides, Cometas e Meteoros (ACM), compara a formação planetária a um "jogo de pinball cósmico". Quando planetas gigantes interagem gravitacionalmente, alguns são arremessados para longe de suas estrelas. Mas alguns deles podem não ser ejetados e ficar presos em órbitas muito distantes.

Nas milhares de simulações realizadas, os pesquisadores modelaram realisticamente tanto sistemas parecidos com o nosso quanto configurações exóticas com dois sóis. Em todas, um padrão se manteve: instabilidades internas empurravam planetas para órbitas amplas e excêntricas, que eram depois estabilizadas pela influência gravitacional de estrelas vizinhas.

Para o coautor Nathan Kaib, cientista do Instituto de Ciências Planetárias em Tucson, nos EUA, “quando esses chutes gravitacionais acontecem no momento certo, a órbita de um planeta se desacopla do sistema planetário interno”. Ele se torna então um planeta de órbita ampla e fica “congelado” após a dispersão do aglomerado. Essas órbitas podem chegar a 10 mil UAs.

Afinal, quais as chances de detectar o Planeta Nove?

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O Planeta Nove tem 40% de chance de existir em nosso Sistema Solar, diz André Izidoro. (Fonte: André Izidoro/Divulgação)

Como o hipotético Planeta Nove orbitaria entre 250 e 1 mil UAs do Sol, as descobertas podem esclarecer seu mistério. Levando-se em conta duas fases de instabilidade do Sistema Solar — crescimento de Urano e Netuno e dispersão entre gasosos —, “há até 40% de chance de que um objeto semelhante ao Planeta Nove tenha ficado preso durante esse período”, afirma Izidoro.

O estudo conecta planetas de órbita ampla aos "planetas desgarrados" que vagam perdidos no espaço interestelar. Mas nem todos eles ficam presos gravitacionalmente, pois a maioria é ejetada completamente. Por isso, o conceito de "eficiência de aprisionamento" varia conforme o sistema: os parecidos com o nosso mostram 5-10% de probabilidade de o planeta disperso ficar ligado à estrela. 

A estimativa de Izidoro é de um planeta de órbita ampla para cada mil estrelas, mas o estudo “filtra” alguns alvos promissores para imageamento profundo: estrelas ricas em metais com gigantes gasosos. A expectativa é que o Observatório Vera C. Rubin, com first look previsto para a próxima semana, consiga vislumbrar finalmente o Planeta Nove. Se ele de fato existir.

E você, acredita que o Planeta Nove existe? Compartilhe sua opinião nas redes sociais e acompanhe conosco as próximas descobertas do Observatório Vera Rubin. Para saber mais sobre planetas desgarrados, leia: O sistema solar já teve 15 planetas orbitando o Sol. Onde eles foram parar?

Perguntas Frequentes

O que é o Planeta Nove e por que ele é importante?
O Planeta Nove é um planeta hipotético que poderia explicar o comportamento orbital incomum de alguns objetos transnetunianos (TNOs), localizados além de Netuno. Desde 2016, astrônomos sugerem que uma força gravitacional desconhecida estaria influenciando esses objetos, e a existência de um nono planeta nos confins do Sistema Solar seria uma explicação plausível.
Qual é a chance de o Planeta Nove realmente existir?
Segundo o astrônomo brasileiro André Izidoro, há até 40% de chance de que um objeto semelhante ao Planeta Nove tenha sido capturado pelo Sistema Solar durante sua formação, especialmente durante fases de instabilidade envolvendo Urano, Netuno e os planetas gasosos.
O que são planetas de órbita ampla?
São planetas que orbitam suas estrelas a distâncias muito grandes, podendo chegar a centenas ou até milhares de unidades astronômicas (UA). Uma UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol. Esses planetas podem se formar naturalmente durante a evolução de sistemas planetários, como resultado de interações gravitacionais intensas.
Como os cientistas simulam a formação desses planetas?
Utilizando modelos computacionais avançados, os pesquisadores simularam milhares de cenários, incluindo sistemas parecidos com o nosso e outros com características exóticas, como dois sóis. As simulações mostraram que instabilidades internas podem empurrar planetas para órbitas amplas, que depois são estabilizadas pela gravidade de estrelas vizinhas.
O que significa "jogo de pinball cósmico" na formação planetária?
É uma metáfora usada por André Izidoro para descrever como planetas gigantes interagem gravitacionalmente durante a formação de um sistema. Essas interações podem arremessar planetas para longe ou colocá-los em órbitas muito distantes, como se estivessem sendo "rebatidos" como em um jogo de pinball.
O que são planetas desgarrados e qual sua relação com o Planeta Nove?
Planetas desgarrados são corpos que foram ejetados de seus sistemas originais e vagam pelo espaço interestelar. O estudo sugere que alguns desses planetas podem não ser completamente ejetados e acabam presos em órbitas amplas, como seria o caso do Planeta Nove. A eficiência desse aprisionamento varia entre 5% e 10% em sistemas semelhantes ao nosso.
Como o Planeta Nove pode ser detectado?
O estudo aponta que estrelas ricas em metais com gigantes gasosos são alvos promissores para buscas. O Observatório Vera C. Rubin, que terá sua primeira observação em breve, é uma das esperanças para detectar o Planeta Nove, caso ele realmente exista.
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