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Ciência

Aumento da atividade solar está derrubando centenas de satélites Starlink

Uma combinação nunca vista de espaçonaves na atmosfera da Terra e atividade solar intensa está provocando a reentrada abrupta dos satélites da Starlink.

Avatar do(a) autor(a): Jorge Marin

schedule09/06/2025, às 15:00

updateAtualizado em 11/06/2025, às 15:37

Fonte: SpaceX

Se você é daquelas pessoas que se preocupam em saber que há, neste exato momento, mais de 30 mil objetos circulando a cerca de 27.000 km/h na órbita baixa da Terra, ou seja, entre 340 km e 550 km acima da sua cabeça, então um estudo recente, liderado por cientistas do Goddard Space Flight Center da NASA, vai tirar o seu sono de vez.

Publicado na revista Frontiers in Astronomy and Space Science, o artigo demonstra que o aumento da atividade do ciclo solar atual está derrubando os satélites da rede Starlink, de Elon Musk, por intensificar o arrasto atmosférico nas camadas superiores da atmosfera. Ou seja, aumentar a resistência do ar, fazendo esses objetos perderem altitude e despencarem.

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Trata-se de uma combinação crítica na pesquisa de arrasto orbital de satélites. Como "o número de satélites em órbita baixa da Terra e a atividade solar são os mais altos já observados na história da humanidade”, diz o artigo, “mostramos claramente que a intensa atividade solar do ciclo solar atual já teve impactos significativos nas reentradas do Starlink”.

Aumento da atividade solar e análise dos satélites Starlink

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Existem 7.669 satélites da Starlink operacionais em órbita atualmente. (Fonte: SpaceX)

A equipe de cientistas, liderada pelo físico espacial brasileiro Denny Oliveira, do Goddard Space Flight Center da NASA, analisou 523 satélites Starlink que retornaram à Terra nos primeiros anos da fase ascendente do ciclo solar 25 e encontrou uma correlação evidente entre reentradas antecipadas na atmosfera e a intensificação da atividade solar.

O ciclo solar normal é um período de aproximadamente 11 anos marcado pela reversão magnética dos polos do Sol, e manifestado por manchas, erupções e ejeções de massa coronal. O ciclo atual, o 25º, está tendo um pico muito mais ativo do que o previsto, com incremento de fenômenos como auroras e aquecimento incomum da atmosfera superior.

O aumento da atividade solar eleva o arrasto atmosférico (resistência) obriga as espaçonaves a aprimorarem suas manobras de correção orbital para manter altitude e estabilidade. Todos os satélites em órbita baixa da Terra são vulneráveis a essa influência solar. Objeto do estudo atual, a SpaceX lançou 8.873 unidades da constelação Starlink, das quais 7.669 permanecem operacionais.

Principais conclusões e implicações do estudo

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O objetivo do novo estudo é antecipar as reentradas de satélites com segurança. (Fonte: Getty Images/Reprodução)

Para avaliar os impactos de tempestades solares de intensidades variadas, os pesquisadores usaram dados orbitais da Starlink para realizar uma análise temporal sobreposta de altitudes e velocidades orbitais. "As reentradas do Starlink coincidem com a fase ascendente do ciclo solar 25, um período com aumento da atividade solar", diz o estudo.

Desde o início dos lançamentos da Starlink em 2019, as reentradas atmosféricas começaram em 2020, com apenas dois registros registrados. Em 2021, 78 unidades reentraram; 99 em 2022; e 88 em 2023. Porém, em 2024, foi observado um salto expressivo e irregular, com 316 satélites Starlink caindo de volta na Terra. Esse aumento abrupto sugere influência da dinâmica solar.

Para testar suas hipóteses, os autores classificaram cada queda de satélite com o nível de atividade magnética da Terra naquele momento, descobrindo que cerca de 72% ocorreram durante períodos de baixa atividade, e não em tempestades intensas. Para os pesquisadores, isso ocorreu porque as órbitas desses veículos se degradaram sutilmente com o tempo.

Reconhecendo os “dados de alta cadência da Starlink”, ou seja, informações coletadas em intervalos curtos e frequentes, Oliveira e colegas puderam refinar modelos de arrasto orbital, especialmente durante eventos extremos. A abordagem permitiria antecipar reentradas, planejar manobras corretivas e reduzir o risco de colisões, conclui o estudo.

Para levar adiante essa discussão, acompanhe as atualizações da NASA e da SpaceX, pois controlar esses processos de reentrada não só nos protege de eventuais detritos, como também contribui para um ambiente espacial mais seguro e sustentável. Pense no que aconteceria se um pedaço de lixo espacial caísse na sua casa.

Perguntas Frequentes

O que está causando a queda dos satélites Starlink?
O aumento da atividade solar no atual ciclo solar está intensificando o arrasto atmosférico nas camadas superiores da atmosfera terrestre. Esse fenômeno aumenta a resistência do ar, fazendo com que os satélites percam altitude e reentrem na atmosfera de forma prematura.
O que é o ciclo solar e por que o atual é preocupante?
O ciclo solar é um período de aproximadamente 11 anos marcado pela reversão dos polos magnéticos do Sol, acompanhado por manchas solares, erupções e ejeções de massa coronal. O ciclo atual, o 25º, está mais ativo do que o previsto, provocando fenômenos como auroras intensas e aquecimento anormal da atmosfera superior, o que afeta diretamente os satélites em órbita baixa.
Quantos satélites Starlink já reentraram na atmosfera?
Desde o início das reentradas em 2020, os números aumentaram progressivamente: 2 em 2020, 78 em 2021, 99 em 2022, 88 em 2023 e um salto expressivo para 316 em 2024. Esse aumento está correlacionado com a intensificação da atividade solar.
Por que a maioria das reentradas ocorre fora de tempestades solares intensas?
Segundo o estudo, cerca de 72% das reentradas ocorreram durante períodos de baixa atividade magnética. Isso se deve à degradação gradual das órbitas dos satélites ao longo do tempo, causada por um arrasto atmosférico constante, mesmo sem tempestades solares intensas.
Quantos satélites Starlink estão atualmente operacionais?
Dos 8.873 satélites Starlink lançados pela SpaceX, 7.669 permanecem operacionais em órbita baixa da Terra, entre 340 km e 550 km de altitude.
O que é arrasto atmosférico e como ele afeta os satélites?
Arrasto atmosférico é a resistência do ar que atua sobre objetos em movimento na atmosfera. Quando a atividade solar aquece as camadas superiores da atmosfera, ela se expande, aumentando o arrasto sobre os satélites em órbita baixa e fazendo com que percam altitude mais rapidamente.
Qual é a importância dos dados de alta cadência da Starlink?
Os dados de alta cadência, coletados em intervalos curtos e frequentes, permitiram aos pesquisadores refinar modelos de arrasto orbital. Isso ajuda a prever reentradas, planejar manobras corretivas e reduzir o risco de colisões no espaço.
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