HIV: novo tratamento experimental pode combater infecção com injeção única

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Pesquisadores desenvolveram uma nova injeção que pode revolucionar a vida de pacientes com HIV, o vírus causador da Aids. Segundo novo estudo publicado na revista científica Nature Biotechnology, no futuro será possível se livrar da infecção pelo HIV com uma única injeção.

Hoje, pacientes com o vírus devem se submeter a um coquetel de medicamentos para reduzir a carga viral a níveis baixíssimos, de modo que não sofram com sintomas e não corram o risco de transmitir o patógeno a outras pessoas.

Com nova tecnologia apenas uma injeção será necessária para curar infecções por HIV (Fonte: Shutterstock)Com nova tecnologia apenas uma injeção será necessária para curar infecções por HIV (Fonte: Shutterstock)Fonte:  Shutterstock 

Mas esse volume de remédios traz muitos efeitos colaterais. Além disso, aumenta o preço do tratamento, dificultando o acesso a populações mais pobres - geralmente também as mais afetadas.

Por isso, pesquisadores da Universidade de Tel Aviv se debruçaram sobre o desafio de desenvolver um tratamento revolucionário para a doença. Com base em uma única injeção, eles desenvolveram uma tecnologia que pode ser capaz de curar a infecção.

Adi Barzel, autor do estudo, explica em nota que a técnica que desenvolveu se baseia no uso de glóbulos brancos do tipo B modificados. O primeiro desafio do grupo foi cultivar essas células fora do corpo humano.

Células modificadas geneticamente

O pesquisador afirma que "até agora, apenas alguns cientistas, e nós entre eles, tínhamos sido capazes de criar células B fora do corpo". Feito isso, usaram a técnica de CRISPR (edição genética) para modificar geneticamente esse material.

Essa tecnologia, que rendeu o Prêmio Nobel de Química de 2020 para as pesquisadoras Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier, permite que genes sejam inseridos, reparados ou removidos de dentro do DNA de células vivas.

Foi assim que Barzel conseguiu criar células B capazes de excretar anticorpos específicos para combater o HIV. Injetando o material modificado em animais, os pesquisadores comprovaram a eficiência do processo.

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Barzel diz ainda que não existe tratamento genético para a Aids hoje em dia, e por isso a abordagem proposta por seu grupo de pesquisa pode ser revolucionária.

Com base nisso, podemos esperar que nos próximos anos surjam novos medicamentos ainda mais eficientes no mercado - não só para tratar a infecção por HIV, mas até mesmo para certos tipos de câncer causados por vírus.

ARTIGO Nature Biotechnology: doi.org/10.1038/s41587-022-01328-9