Estudo britânico revela o que caracteriza um bom abraço

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O que caracteriza um bom abraço? Segundo um estudo britânico, abraços de 5 ou 10 segundos são mais agradáveis que os de 1 segundo, além de proporcionarem maior sensação de controle aos participantes do contato.

Publicado na edição de novembro da revista Acta Psychologica, o estudo também sugere que abraços cruzados são mais comuns, especialmente entre dois homens. Neles, um dos braços está cruzado sobre o ombro do parceiro, e o outro sobre sua cintura.

À esquerda, um abraço do tipo cruzado e, à direita, pescoço-cintura.À esquerda, um abraço do tipo cruzado e, à direita, pescoço-cintura.Fonte:  A. L. DUEREN, ET AL., ACTA PSYCHOLOGICA (2021) 10.1016/J.ACTPSY.2021.103441 

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Londres e da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e foi dividido em duas partes. A primeira, em laboratório, analisou as percepções de 45 mulheres sobre abraços de diferentes tipos e durações.

Elas receberam seis abraços, com a combinação de três durações (1, 5 e 10 segundos) e dois estilos de cruzamento de braços diferentes (abraço cruzado ou do tipo pescoço-cintura).

Os abraços foram dados por uma das cientistas, e a duração do contato foi cronometrada a partir do momento em que as mãos da pesquisadora tocaram as costas da participante, que depois avaliou o abraço e suas emoções.

Abraços de 5 ou 10 segundos foram qualificados como mais agradáveis do que os de 1 segundo, além de proporcionarem maior sensação de controle às participantes. A hipótese dos pesquisadores é de que, como o abraço médio dura aproximadamente 3 segundos, receber um abraço de 1 segundo pode corresponder a uma quebra de expectativa por parte da pessoa abraçada.

Para a segunda parte do estudo, a equipe de pesquisadores se aproximou de pessoas no campus da universidade e em espaços públicos, pedindo que dessem um abraço na pessoa com quem estavam socializando. Os participantes não foram orientados sobre detalhes dos contatos.

Os abraços do tipo cruzado foram significativamente mais comuns, especialmente entre homens, e por isso foram avaliados pelos autores como mais familiares para o receptor do abraço.

Dos cem abraços analisados, 66 foram do tipo cruzado e 34, pescoço-cintura. Diferenças na proximidade emocional e na altura não influenciaram o tipo do abraço de forma significativa.

Apesar de não ser um assunto tão frequente na pesquisa científica, pesquisas sobre abraços já haviam indicado a existência de benefícios como fornecimento de suporte emocional e alívio de estresse, mas segundo os autores, tais estudos investigaram especialmente a frequência do abraço, e não o tipo de abraço, de forma que seu objetivo foi preencher algumas das lacunas da bibliografia existente.

Os pesquisadores apontam para a necessidade de mais pesquisas sobre o tópico, avaliando também o comportamento do gênero masculino perante abraços de diferentes durações e estilos e averiguando a influência de aspectos como pressão e superfície de contato na satisfação proporcionada pelo abraço. Por enquanto, abraços de tipo cruzado que duram em média 5 segundos parecem ser a aposta mais segura.

ARTIGO Acta Psychologica: doi.org/10.1016/j.actpsy.2021.103441