Combustível de aviação feito de mostarda reduz emissões de gases em até 68%

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Uma pesquisa publicada neste mês na revista científica GCB Bioenergy faz uma análise da viabilidade econômica do uso da planta Brassica carinata (um tipo de mostarda) como fonte de um combustível sustentável para a aviação (SAF). Segundo o principal autor do estudo, a redução na pegada de carbono com o uso do combustível pesquisado pode chegar a 68% nos Estados Unidos. No entanto, um incentivo fiscal é necessário para equalizar os custos de produção.

Professor da Universidade da Geórgia (UGA), em Athens, nos Estados Unidos, Puneet Dwivedi liderou uma equipe que elaborou estimativas do preço de equilíbrio do SAF e também as emissões totais de carbono do ciclo de vida do combustível. Para chegar ao produto final, foi utilizado o óleo da chamada mostarda-da-abissínia, uma oleaginosa não comestível.

Incentivo fiscal para combustíveis sustentáveis para aviação

O estudo liderado por Dwivedi foi realizado em um momento oportuno, pois em setembro o governo do presidente Joe Biden propôs um incentivo fiscal para a produção de SAF, com base no programa Grande Desafio do Combustível Sustentável para Aviação, que projeta uma queda de 20% nas emissões da aviação até 2030 e zero carbono até 2050. Mas o presidente requer uma contrapartida de pelo menos 50% nas emissões, meta que a carinata supera.

A avaliação do custo de produzir SAF de carinata nos EUA variou de um mínimo de US$ 0,12 por litro até US$ 1,28 por litro, com base nos incentivos fiscais e de mercado atuais. Como o combustível de aviação feito de petróleo tem um custo por litro de US$ 0,50, "os atuais mecanismos de política devem continuar a apoiar a fabricação e distribuição de SAF". explica Dwivedi.

Pelo fato de ser uma cultura alimentar, a carinata não compete com as culturas tradicionais que, normalmente, são plantadas no verão. Com isso, ela é cultivada no inverno e, por esse motivo, foi levada para o sul, "porque nossos invernos não são tão severos em comparação com outras regiões do país”, afirma Dwivedi, que integra a Parceria Sudeste para Renováveis Avançadas de Carinata, ou SPARC.

O SPARC é um projeto agrícola de US$ 15 milhões (R$ 83 milhões), inteiramente financiado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). Além do óleo para produção de SAF e diesel, a semente da carinata pode produzir uma farinha de alto valor proteico para alimentação do gado.

Quanto às matérias-primas mais promissoras para produção de SAF, o que se sabe é que são plantas que contêm açúcares, amido e óleo, além de resíduos e gases de exaustão industrial. No Brasil, por exemplo, as culturas consideradas candidatas naturais a suprir o início de uma indústria de biocombustíveis são a cana-de-açúcar, a soja e o eucalipto.