Exoplaneta pode estar orbitando três estrelas ao mesmo tempo; veja

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Imagem: ESO/L. Calçada, Exeter/Kraus et al.
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Se você assistiu à saga Star Wars, conhece Tatooine, o planeta natal de Anakin Skywalker e seu filho, Luke Skywalker. O corpo celeste, apesar de ser obra de ficção, traz o conceito real de um planeta circumbinário, isto é, que orbita duas estrelas ao mesmo tempo. Agora, astrônomos acreditam ter descoberto o primeiro planeta de órbita circuntripla — que circunda não duas, mas três estrelas simultaneamente. Embora não tenha sido avistado, as evidências de sua existência são convincentes.

Veja uma simulação artística do sistema triestelar:

O exoplaneta de dimensões gigantescas estaria localizado no sistema estelar GW Ori, a cerca de 1.300 anos-luz da Terra. Composto por três estrelas, o sistema possui dois corpos estelares menores em uma órbita binária fechada e, orbitando ao redor deles, uma estrela maior. Circundadas por muita poeira, as três estrelas criam uma imagem que lembra um alvo. Olhando mais atentamente para o trio, algo chamou a atenção dos pesquisadores.

Em 2020, astrônomos haviam publicado um estudo no The Astrophysical Journal Letters, no qual analisaram o sistema GW Ori com a ajuda do telescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile. Eles descobriram que os três anéis de poeira dele estavam desalinhados entre si, com o anel mais interno, produzido pela estrela menor, "balançando descontroladamente" em sua órbita.

Era como se algo tivesse criado um buraco enorme na nuvem de poeira e gás que circunda o sistema – com cerca de 15 bilhões de quilômetros de diâmetro –, entre o anel mais interno e os outros dois. Alguns astrônomos acharam que a lacuna teria se formado devido ao torque da gravidade das três estrelas, que "rasgava" o disco, mas após uma série de cálculos, a probabilidade se mostrou pequena.

Simulando o primeiro planeta com órbita circuntripla

Imagens do sistema GW Ori feitas pelo telescópio ALMA.Imagens do sistema GW Ori feitas pelo telescópio ALMA.Fonte:  ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), ESO/Exeter/Kraus et al. 

O astrônomo Jeremy Smallwood e sua equipe, da Universidade de Nevada, em Las Vegas (Estados Unidos), fizeram uma série de simulações em 3D, cujos resultados foram publicados em 17 de setembro na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Segundo o estudo, é mais provável que um exoplaneta – ou mais de um – tenha feito o buraco. Ao todo, o time executou 11 simulações e chegou à conclusão de que, sem ao menos um planeta gigante – provavelmente do tamanho de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, com 2,5 vezes a massa de todos os outros planetas do seu grupo —, não haveria como romper o disco de gás e poeira do sistema triestelar.

Com simulações de passagem do tempo, o buraco aparecia de novo. “Não observamos o planeta diretamente, mas há algumas evidências de que um planeta está moldando essa lacuna”, disse Smallwood no artigo. Mas o astrônomo sabe que não é fácil confirmar sua suposição: o hipotético planeta estaria longe das estrelas e teria uma órbita inclinada, o que tornaria difícil sua detecção com o método usual — que depende de sua passagem em frente a uma estrela, bloqueando parte de sua luz.

E como seria a observação desse sistema de lá de dentro? Segundo os pesquisadores, caso um observador hipotético estivesse no exoplaneta gigante e olhasse para o horizonte, ele não conseguiria ver todos os três sóis surgirem e sumirem no céu, devido à órbita binária fechada das estrelas centrais do sistema: as duas apareceriam como uma única grande estrela, com a terceira girando ao seu redor.

Se confirmada, a existência do corpo celeste de órbita circuntripla provaria que planetas podem se formar em condições mais amplas do que os cientistas imaginavam. Por enquanto, nos resta apenas assistir a Star Wars e imaginar quantos mundos desconhecidos e diferentes nos aguardam escondidos pelo universo.

ARTIGO Monthly Notices of the Royal Astronomical Society: doi.org/10.1093/mnras/stab2624.