Esqueleto de pinguim gigante foi descoberto por crianças na Nova Zelândia

2 min de leitura
Imagem de: Esqueleto de pinguim gigante foi descoberto por crianças na Nova Zelândia
Imagem: Simone Giovanardi et al.
Avatar do autor

Em 2006, durante uma excursão escolar ao Kawhia Harbour, uma enseada na Ilha Norte na Nova Zelândia, um grupo de crianças fazia escavações à procura de fósseis de mariscos, quando se deparou com o torso, pernas e asas de um animal grande. Sem saber, os colegiais estavam fazendo a descoberta de um dos mais completos esqueletos de um pinguim gigante já vistos.

Agora, uma nova pesquisa, publicada na quinta-feira (16) na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology, finalmente identificou o animal como uma nova espécie de pinguim, chamada de Kairuku waewaeroa. Embora o gênero Kairuku já tivesse sido descrito na ilha Sul da Nova Zelândia, os pesquisadores neozelandeses da universidade de Massey optaram por chamá-lo de "waewaeroa", termo maori que significa "pernas compridas".

De acordo com o zoólogo Daniel Thomas, um dos autores da pesquisa, em comuniado, "essas pernas mais compridas teriam deixado o pinguim muito mais alto do que os outros Kairuku enquanto caminhava em terra, talvez cerca de 1,4 metro de altura, e podem ter influenciado a velocidade com que ele poderia nadar ou sua profundidade de mergulho".

Reconstruindo o pinguim gigante

Elementos de ossos de espécimes diferente de Kairuku. (Fonte: Simone Giovanardi et al./Divulgação.)Elementos de ossos de espécimes diferente de Kairuku. (Fonte: Simone Giovanardi et al./Divulgação.)Fonte:  Simone Giovanardi et.al. 

Além da equipe da Universidade de Massey, da cidade de Palmerston North, a análise da ossada contou com a participação de profissionais do Bruce Museum, de Greenwich, nos EUA. Juntos, os especialistas compararam os ossos com outros fósseis já digitalizados em 3D de outras regiões do mundo. Depois, conseguiram reconstituir o pinguim, construindo uma réplica tridimensional.

Pesquisadores acreditam que, por sobreviverem à extinção dos dinossauros não aviários há 66 milhões de anos, os pinguins se beneficiaram da falta de predadores marinhos gigantes em seu habitat. O surgimento desses espécimes "gigantes" parece ter sido consequência menos da interação das árvores genealógicas, já que essas linhagens não representam um clado, mas sim um "caldeirão" de experimentos evolutivos ocorridos depois da separação de Gondwana.

Deixados com recursos naturais abundantes capazes de sustentar corpos maiores, pelo menos dez espécies de pinguins gigantes foram descobertas na Nova Zelândia, além de uma grande variedade de aves absurdamente grandes. O crescimento desproporcional desses animais em novos nichos ecológicos é conhecido como liberação do mesopredador, e inclui outros pássaros como o papagaio carnívoro Squawk-zilla e as águias Haast de três metros de envergadura.

Falando ao site da editora britânica Taylor & Francis, Steffan Safey, uma daquelas crianças que desenterraram o Kairuku waewaeroa em 2006, afirmou ser um tanto "surreal" saber que uma descoberta feita por acaso por uma expedição infantil tenha contribuído para a descoberta de uma espécie nova. Lembrando seus tempos do Clube de Ciências Naturais da Escola Primária de Hamilton, diz: "Claramente, o dia que levamos para retirá-lo do arenito foi muito bem gasto!"

ARTIGO Journal of Vertebrate Paleontology: doi.org/10.1080/02724634.2021.1953047