MIT e Harvard criam máscara que detecta coronavírus; veja como funciona

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Imagem: Fonte: Matt Bango/StockSnap/Reprodução.
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Já é realidade a máscara capaz de detectar o coronavírus em seu usuário. Com precisão tão alta quanto os testes RT-PCR – considerados padrão-ouro atualmente –, o dispositivo criado por engenheiros do MIT em parceria com a Universidade de Harvard (ambas nos Estados Unidos) pode dar o diagnóstico de covid-19 ao usuário em cerca de 90 minutos. Para isso, a máscara utiliza um minúsculo sensor descartável. A novidade foi publicada em junho, na revista científica Nature Biotechnology.

A tecnologia da máscara também pode ser adaptada no futuro para detectar outras ameaças e vírus e utilizada em uniformes profissionais como jalecos — o que pode oferecer uma nova maneira de monitorar a exposição de profissionais de saúde a vírus e outras ameaças. Os sensores virais são feitos com um material que foi desenvolvido durante a última década para uso em diagnósticos de vírus causadores de doenças como Ebola e Zika.

Como a máscara funciona?

Nova máscara com dispositivo detector de vírusNova máscara com dispositivo detector de vírusFonte:  MIT/Divulgação 

Os sensores vestíveis da máscara são baseados na tecnologia que James Collins, professor do Departamento de Engenharia Biológica do MIT e autor sênior do estudo, começou a desenvolver em 2014. Na época, ele demostrou que proteínas e ácidos nucleicos que criam redes de genes sintéticos reagentes a determinadas moléculas-alvo poderiam ser incorporados a um papel. Em 2017 ele aperfeiçoou a ideia utilizando a ferramenta de edição genética CRISPR.

Collins e sua equipe separaram componentes dos vírus por meio de liofilização – processo de desidratação que não passa pelo estado líquido –, o que faz com que eles permaneçam estáveis por muitos meses, até serem reidratados. Quando ativados pela água, esses componentes interagem com a molécula alvo – coronavírus, por exemplo – e produzem um sinal, como uma mudança na cor do dispositivo.

Os sensores podem ser projetados para produzir diferentes tipos de sinais: além de mudança de cor que pode ser vista a olho nu, pode ser um sinal fluorescente ou luminescente – que pode ser lido com um espectrômetro portátil.

Os sensores da máscara podem ser ativados pelo usuário no momento em que ele quiser realizar o teste e os resultados são exibidos apenas na parte interna do dispositivo, preservando a privacidade da pessoa que está realizando o teste.

No caso da máscara de diagnóstico, os sensores detectam as partículas virais no hálito do usuário. Ela vem com um pequeno reservatório de água, que é liberada com o toque de um botão quando o usuário quer realizar o teste. Assim, os componentes liofilizados do sensor SARS-CoV-2 são hidratados e analisam as gotículas de respiração acumuladas no interior da máscara.

Quando estará disponível para compra?

Os pesquisadores entraram com o pedido de patente da nova tecnologia e devem passar a trabalhar na versão comercial em breve. Segundo Collins, a máscara facial de diagnóstico deve ficar pronta primeiro. "Já tivemos muito interesse de grupos externos que gostariam de usar os esforços de protótipo que temos e levá-los a um produto aprovado e comercializado”, afirmou o cientista em um comunicado do MIT.

Os primeiros cálculos dão conta de que a máscara com o dispositivo de detecção custaria aproximadamente US$ 5 (cerca de R$ 26) para o usuário final.

E você, usaria uma máscara detectora de covid-19? Conte para a gente nos comentários!

ARTIGO Nature Biotecnology: https://doi.org/10.1038/s41587-021-01061-9.