Celulares e relógios mais novos podem interferir em marca-passos

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Um estudo divulgado na quarta-feira (25) por pesquisadores do Centro de Dispositivos e Saúde Radiológica (CDRH) da Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos confirmou uma recomendação desta agência reguladora a todos os usuários de dispositivos médicos implantados: manter telefones celulares e relógios inteligentes a uma distância de 15 cm.

Publicada na revista científica HeartRhytm, a pesquisa teve como ponto de partida diversos artigos recém-publicados que descrevem a possibilidade de que determinados modelos de smartphones, smartwatches e demais aparelhos que utilizam ímãs de alta intensidade de campo possam interferir, ainda que temporariamente, no funcionamento normal de marca-passos e desfibriladores implantáveis.

Os dispositivos eletrônicos cardíacos são implantados no peito dos pacientes para equilibrar os distúrbios do ritmo cardíaco, o que significa frequências cardíacas muito lentas ou muito rápidas. Todos os marca-passos e desfibriladores cardiovasculares (ICDs) vêm com um “modo magnético”, para serem desligados quando necessário, mas esse (perigoso) recurso pode ser acionado por acidente quando exposto a campos magnéticos maiores que 10 Gauss.

Metodologia da pesquisa

Medição do campo magnético estático (Fonte: HeartRhythm/Divulgação.)Medição do campo magnético estático (Fonte: HeartRhythm/Divulgação.)Fonte:  HeartRhythm 

Quando os primeiros marca-passos surgiram, era visualmente simples identificar os dispositivos com essa potência magnética, como alto-falantes estéreo ou monitores eletrônicos em ferramentas sem fio. Porém, com o surgimento dos ímãs de terras-raras, a coisa se complicou um pouco, pois campos magnéticos fortes podem estar presentes em pequenos dispositivos como fones de ouvido, fechaduras de portas e alto-falantes de smartphones.

Para avaliar o potencial “risco” de exposição, os pesquisadores testaram a saída do campo magnético de todos os modelos do iPhone 12 e o relógio Apple Watch 6, a diferentes distâncias. Embora todos os aparelhos testados tenham campos magnéticos estáticos bem maior que 10 Gauss (suficientes para interferir nos dispositivos médicos), a boa notícia é que, separados por uma distância igual ou superior a 15,5 cm, não existe mais interferência

Que risco corro com meu marca-passo?

O engenheiro elétrico e principal autor do estudo, Seth J. Seidman afirma em comunicado: "Acreditamos que o risco para os pacientes é baixo, e a agência não tem conhecimento de nenhum evento adverso associado a esse problema no momento”. Ainda assim, pondera o pesquisador, a lógica diz que o lançamento de novos eletrônicos de consumo com ímãs fortes só deve aumentar com o passar do tempo.

Dessa forma, é recomendável que as pessoas que tenham dispositivos médicos implantados conversem com seus médicos e planos de saúde, para que fique clara a existência desse risco potencial, e também se estabeleçam as técnicas seguras para a utilização dos dispositivos. No caso, uma medida preventiva simples, como manter “certos smartphones e smartwatches a 15,5 cm de distância dos dispositivos médicos implantados", aconselhou Seidman.

ARTIGO HeartRythm: doi.org/10.1016/j.hrthm.2021.06.1203