Glúteos ou Braços: em qual região aplicar a vacina contra o Coronavírus?

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Imagem: Nelson Antoine/Shutterstock
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Uma publicação feita no Twitter no sábado (21) revelou o que muitos moradores de Joinville (SC) queriam esconder: por ali, a regra é receber a vacina contra a Covid-19 na região próxima dos glúteos.

A medida causou estranheza em um país que tem subido as mangas da camiseta para receber a injeção, mas apesar do constrangimento de ter que abaixar as calças no meio de uma vacinação em massa — o que, sem dúvida, pode fazer crescer a resistência à imunização — a medida não está errada e é prevista nos documentos do Ministério da Saúde que orientam a vacinação.

Por que recebemos a vacina no braço?

Alguns fatores tornam a vacinação no braço a mais adequada e aceita pela comunidade médica na atual campanha de vacinação. Primeiro, algumas vacinas, como é o caso do imunizante contra a Covid-19, têm um melhor efeito quando aplicadas em algum músculo, explica Libby Richards, professora de enfermagem na Universidade Pardue, dos Estados Unidos.

Em um texto publicado no site The Conversation, que reúne artigos de especialistas em linguagem acessível, Richards diz que os músculos são excelentes locais de vacinação porque os tecidos da área possuem células imunes — que é tudo que queremos que o imunizante encontre no nosso corpo.

As células imunes reconhecem o antígeno, um pequeno pedaço do vírus ou o vírus inteiro inativado (que não pode causar infecção) introduzido pela vacina e que estimula a resposta imune. No caso das vacinas de RNA (Pfizer e Moderna), o antígeno é um trecho da informação genética do patógeno.

"As células imunes dos tecidos do músculo pegam os antígenos e os apresentam aos linfonodos [estruturas que contêm agrupamentos de células imunes]. Injetar a vacina no tecido muscular mantém a vacina localizada, permitindo que as células imunes toquem o alarme para que outras células de proteção comecem a trabalhar", escreve Richards.

Quando a vacina é aplicada no músculo deltoide, na parte superior do braço, a substância pode encontrar muito facilmente as células imunes que ficam estocadas nos linfonodos das axilas.

Richards explica que em crianças mais novas é comum que as vacinas sejam aplicadas nas coxas, pois os músculos dos braços ainda não estão desenvolvidos o suficiente.

Para Richards, a conveniência é outro forte argumento que sustenta a vacinação no braço. "Subir as mangas é muito mais fácil e preferível. Surtos de doenças infecciosas, como na atual pandemia, exige que o sistema público vacine a maior quantidade de pessoas possível em um curto período. Por isso, uma injeção no braço é preferível simplesmente porque o braço é mais acessível", conclui a especialista.

Ao jornal catarinense ND Mais, a prefeitura de Joinville disse que a prática busca minimizar os efeitos colaterais das vacinas — o que, segundo especialistas, não está totalmente errado. A prefeitura disse ainda que se alguém preferir a injeção no braço pode solicitar à equipe de saúde.