Mudanças climáticas: cientistas preveem Brasil mais seco no futuro

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As mudanças climáticas chegaram para todos no planeta Terra, e algumas de suas consequências podem ser irreversíveis, concluiu o relatório publicado nesta segunda-feira (9) pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), ligado à ONU (Organização das Nações Unidas).

No Brasil, se a Terra aquecer de 2ºC a 4ºC, todos os cenários descritos no documento preveem um país mais seco, com 10% a 20% menos chuvas nos próximos anos, principalmente na região central do país e no leste da Amazônia.

Paisagem secaCientistas preveem menos chuvas na região central do Brasil e no leste da Amazônia nos próximos anos (crédito: Piyaset/Shutterstock)

“É indiscutível que as atividades humanas estão causando mudanças climáticas, tornando eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor chuvas fortes e secas, mais frequentes e severos", disse o físico Paulo Artaxo durante um seminário online promovido pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) na tarde desta segunda-feira (9).

Artaxo é um dos autores do documento do IPCC e um dos mais proeminentes cientistas do clima no mundo.

"[O que está acontecendo] não se trata de uma variabilidade climática natural, que sempre existe, mas é uma mudança drástica que não tem precedentes nos últimos 2.000 anos", afirmou o cientista. "Não há qualquer outro mecanismo conhecido que possa explicar um aquecimento em menos de 100 anos causado por qualquer forçante orbital da Terra no entorno do sol. A ciência está muito clara neste ponto."

“A temperatura é apenas um dos elementos nesse contexto. O aquecimento provoca mudanças no ciclo hidrológico, o que tem impacto na frequência e intensidade das chuvas", afirmou Lincoln Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que também é um dos autores do relatório do IPCC.

“A cada meio grau de aquecimento, temos aumentos perceptíveis das chuvas em alguns locais, bem como secas em outros lugares", disse o cientista.

AlagamentoAlagamento em rua do Rio de Janeiro, em 2018 (créditos: Celso Pupo/Shutterstock)

O seminário, transmitido pelo canal no YouTube da Agência FAPESP, teve ainda a participação de Thelma Krug, cientista do INPE e vice-presidente do IPCC.

“Alguns eventos climáticos extremos não teriam acontecido se não houvesse ação humana", disse Krug. “Isso sempre ficava pendente nos relatórios anteriores, e o documento atual é muito claro quando liga a questão da temperatura com a ação humana", completou.

“Se as emissões globais de gases do efeito estufa continuarem nos níveis atuais nas próximas décadas, atingiríamos os 2ºC de aquecimento até a metade deste século”, disse a cientista. “Isso traz um recado para os formuladores de políticas públicas que acredito que podem trazer um novo cenário ou uma nova preocupação. Esperamos uma reação correspondente.”

O IPCC compila o resultado de milhares de pesquisas realizadas sobre o clima nos últimos anos. Para o relatório mais recente, mais de 14 mil estudos foram revisados. O documento está disponível para leitura (em inglês) e todas as referências científicas usadas nele estão listadas para consulta.

Ao todo, mais de 200 cientistas de 66 países escreveram o documento — outras centenas de pesquisadores revisaram o relatório.

O relatório publicado nesta segunda (09) deve ser seguido por outros dois em 2022, que tratarão dos impactos das mudanças climáticas e das possíveis soluções.