Cervos possuem anticorpos do coronavírus; mas há ainda o vírus zumbi

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Nos últimos dias, a revista Nature trouxe um estudo que chamou a atenção de toda a comunidade científica internacional: Um terço dos veados-de-cauda-branca (Odocoileus virginianus), encontrados no Nordeste dos Estados Unidos, possui anticorpos contra a SARS-CoV-2, o famoso coronavírus.

Esses animais são muito comuns na América do Norte, especialmente perto de centros urbanos no leste dos Estados Unidos. Além disso, eles vivem em pequenos rebanhos, o que significa que o vírus pode se espalhar naturalmente a partir de um animal infectado.

O veado de cauda branca é anterior à Idade do Gelo e é a espécie mais antiga de cervo existente. O rastreio deste animal deve ser feito com muito cuidado, já que pode transmitir doenças perigosas como a Doença de Lyme, dos carrapatos, e também possuem parasitas que colocam em risco outros animais".

Veados-de-cauda-brancaVeados-de-cauda-branca descansam em campo (créditos: Pixabay)

Essa descoberta vem se somar a outras, que mostram o quanto esses animais podem ser potencialmente perigosos quando se fala na capacidade de portarem doenças. Para piorar, as enfermidades que eles carregam trazem sérios riscos para o ser humano. Essa última revelação, por exemplo, mostra a facilidade de contágio deste vírus e comprova que mais pessoas do que imaginamos o pegou e nem apresentou sintomas.

Um outro cuidado que deve ser observado é que estes animais são portadores da Doença Zumbi, parecida com a da Vaca Louca, doença neurodegenerativa progressiva fatal. Ela é transmitida por príon, proteínas patógenas semelhante a zumbis, que não estão vivas e não podem ser mortas. Quando infecta, se alimentam do cérebro, causando demência e possibilidade de ataques por disfunção.

A Doença de Creutzfeldt-Jakob, por exemplo, levou uma tia minha, portuguesa, que morava em Macaé, no Rio de Janeiro. Os sintomas assemelham-se ao estado zumbi em que a pessoa está lá, mas não está, com reações incoerentes e descontrole motor. Essa enfermidade afeta cervos, veados e alces; porém, outra vertente dela é causada por príons que já fizeram vítimas humanas. Trata-se da Nova Variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob, que causa degeneração do cérebro e morte. Por isso, creio que todo cuidado deve ser tomado ao seguir os estudos destes animais.

Fabiano de Abreu Rodrigues, é doutor e mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Neurociências e Psicologia, com especialização em Propriedades Elétricas dos Neurônios (Harvard), programação em Python na USP e em Inteligência Artificial na IBM. É membro da Mensa International, a associação de pessoas mais inteligentes do mundo, da Sociedade Portuguesa e Brasileira de Neurociência e da Federação Europeia de Neurociência. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), considerado um dos principais cientistas nacionais para estudos de inteligência e alto QI.

Fontes