Aquecimento global: Canadá enfrenta onda de calor que beira 50 ºC

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Imagem: Pawel Janiak/Unsplash.
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Enquanto no Brasil, nesta semana, registramos temperaturas negativas, muito frio e até neve nas serras gaúcha e catarinense, no hemisfério norte, o calor está causando grandes transtornos. Além de incêndios e uma seca alarmante em 11 estados dos EUA, o Canadá registrou a temperatura mais alta de sua história: 49.6°C na cidade de Lytton, no dia 30 de junho.

Foi o terceiro dia de recordes consecutivos, em uma onda de calor que já dizimou centenas de pessoas em quatro dias, segundo registros das autoridades da Colúmbia Britânica. Ao todo, 233 mortes foram relatadas entre a sexta-feira, 25 de junho, e segunda, 28 – cerca de 100 mortos a mais do que o comum para o período.

Onda de calor leva Canadá a temperaturas extremas.Onda de calor leva Canadá a temperaturas extremas.Fonte:  Twitter/Reprodução 

Entre os transtornos relatados em cidades americanas e canadenses estão incêndios, asfalto entortando e até mesmo o serviço de bondes precisando parar em Portland, devido ao derretimento dos cabos de sustentação do sistema.

Recordes de temperatura no hemisfério norte

Em sua conta do Twitter, o meteorologista Scott Duncan explicou que antes desta onda de calor, o recorde nacional canadense era de 45ºC, registrado em julho de 1937. O recorde em questão foi batido no último 27 de junho, quando os termômetros registraram 46.6°C. E esse era apenas o início da onda de calor histórica pela qual o país vem passando. No dia 29, as temperaturas bateram 47,9ºC e, no dia 30, chegaram aos inacreditáveis 49,6ºC.

Segundo Duncan, até hoje nunca houve um registro desse nível de calor em um local tão ao norte do planeta Terra – conhecido pelas temperaturas baixas. Para título de comparação, no Brasil, um país tropical, o recorde de temperatura é de 44,7°C – medida em novembro de 2005, na cidade de Bom Jesus do Piauí, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ironizou os negacionistas do clima, dizendo, durante pronunciamento na Casa Branca, em 29 de junho, que aquecimento global não existe: "Não se preocupem, é tudo imaginação", disse, em tom de deboche. Por lá, cidades nos estados de Washington e do Oregon também vêm registrando recordes de altas temperaturas: na segunda-feira, 28, Portland chegou a registrar 46,1ºC e Seattle, 41,6ºC, segundo o Serviço Nacional de Meteorologia dos EUA (NWS).

Repercussão do aquecimento global no Brasil

A onda de calor no hemisfério norte vem causando movimentação nas redes sociais por aqui. A usuária Bruna, de nickname @spicewalls, escreveu: "mais de 30°C na russia, 50°C no canadá e 5°C em sao paulo, mas claro, aquecimento global é só uma teoria da conspiração" – até o fechamento desta reportagem, a mensagem de texto já havia sido compartilhada 21,3 mil vezes, possuía 1.568 comentários e mais de 110 mil curtidas.

Bruna não está sozinha na sensação de que o mundo está diferente, mas sua afirmação se refere, na verdade, a um conceito ainda mais amplo do que apenas o aquecimento global: o das mudanças climáticas, que incluem variações na temperatura (altas e baixas), intensidade das chuvas e eventos climáticos extremos, como furacões e ondas de calor – como esta que está acontecendo no Canadá e nos Estados Unidos.

"As mudanças climáticas estão em tempo real diante de nossos olhos", afirmou Michael Mann, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia e um dos cientistas do clima mais respeitados do mundo, em entrevista recente à BBC. Para ele, não há mais dúvida de que as mudanças provém, em grande parte, da atividade humana – especificamente da emissão de grandes quantidades de gases do efeito estufa, como CO² e metano, na atmosfera.

Centenas de estudos científicos realizados ao longo de décadas apontam para o fato de que mesmo que esteja fazendo mais frio que a média em uma região específica – como São Paulo, neste inverno – o mundo como um todo está, na média, mais quente. E o aquecimento da temperatura média da Terra, caso nada seja feito, deve provocar cada vez mais eventos climáticos extremos, como a seca que o Brasil vêm enfrentando, e até mesmo invernos mais rigorosos por aqui.