Longevidade: estudo indica que humanos podem viver até 150 anos

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Imagem: Imagem: Idoso olhando para o horizonte. Fonte: Pixabay.
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Freddie Mercury e o Queen perguntavam "Who wants to live forever?" ("Quem quer viver para sempre?", em tradução livre) em um de seus sucessos. Querendo ou não, viver para sempre ainda não é possível, mas um novo estudo sugere que podemos chegar a cerca de 150 anos. Até hoje, a pessoa que viveu mais tempo foi a francesa Jeanne Calment, com o recorde mundial de 122 anos. Mas afinal, qual é o período máximo para vivermos e como ele foi encontrado?

Viver para sempre parece não ser uma opção.Viver para sempre parece não ser uma opção.Fonte:  Pixabay 

Entendendo nossos limites

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Os pesquisadores afirmaram em um estudo, publicado no dia 25 de maio na Nature Communications, que mesmo se não morrermos de câncer ou outra doença grave e não sofrermos nenhum acidente fatal, a capacidade de nosso corpo de restaurar o equilíbrio de seus sistemas estruturais e metabólicos após interrupções diminui com o tempo. Então, mesmo sobrevivendo e enfrentando pouco stress, esse declínio natural define a expectativa de vida máxima para humanos em torno de 120 a 150 anos.

No final, se os perigos óbvios não tirarem nossas vidas, a perda de resiliência o fará, concluiu o time à frente da pesquisa. Resiliência, nesse caso, é o conceito da Física: a capacidade de acumular energia, quando exigidos ou submetidos a estresse, sem ocorrer uma ruptura.

Os resultados apontam para um “ritmo de envelhecimento” subjacente que define os limites da expectativa de vida, segundo Heather Whitson em entrevista à escritora Emily Willingham para a Scientific American. Whitson é diretora do Centro para o Estudo do Envelhecimento e Desenvolvimento Humano da Universidade Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, e não participou do estudo.

Como o estudo foi feito?

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A pesquisa foi liderada por Timothy Pyrkov, pesquisador de uma empresa sediada em Cingapura chamada Gero. Ele e seus colegas analisaram esse “ritmo de envelhecimento” em três grupos grandes de pessoas, separadas por idade, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Rússia. Para avaliar os desvios na saúde, os pesquisadores usaram as contagens de células sanguíneas e o número diário de passos dados pelos participantes.

Eles encontraram um padrão, tanto para a contagem de células sanguíneas quanto para a contagem de passos e, conforme a idade aumentava, algum fator, além de doença, levou a um declínio previsível e incremental na capacidade do corpo de retornar as células sanguíneas ou a marcha a um nível estável após uma interrupção. Pyrkov e seus colegas em Moscou e Buffalo (NY) usaram esse ritmo previsível para determinar quando a resiliência desapareceria por completo, levando à morte.

Os pesquisadores também descobriram que, com a idade, a resposta do corpo às agressões pode variar cada vez mais para longe do normal estável, exigindo mais tempo para recuperar-se.

Whitson aponta que pressão arterial e contagem de células sanguíneas têm uma faixa saudável conhecida, mas quantos passos alguém dá por dia é algo muito pessoal. O fato de Pyrkov e seus colegas escolherem uma variável tão diferente das contagens sanguíneas e ainda assim descobrirem o mesmo declínio na saúde ao longo do tempo pode sugerir um fator real do ritmo de envelhecimento.

Fatores sociais no envelhecimento

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Os pesquisadores encontraram uma curva acentuada no envelhecimento entre 35 e 40 anos que os surpreendeu. Pyrkov afirmou que esse período é, muitas vezes, o momento em que a carreira esportiva de um atleta termina, o que seria “uma indicação de que algo na fisiologia pode realmente mudar nesta idade”, ele disse.

“A morte não é a única coisa que importa”, lembrou Whitson. “Outros fatores, como qualidade de vida, começam a ter cada vez mais importância à medida que as pessoas vivenciam sua perda”, afirmou a especialista. A morte modelada nesse estudo, segundo ela, é a última morte prolongada. A pergunta que fica é: podemos prolongar a vida sem também estender a proporção do tempo em que as pessoas passam por um estado de fragilidade?

Vamos, invariavelmente, ficar velhos

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Segundo o estudo, tratar de doenças a longo prazo não encerrará os processos biológicos fundamentais de envelhecimento – eles vão continuar. Então, a ideia de desacelerar o processo de envelhecimento tem chamado a atenção de pesquisadores que veem tais intervenções para "comprimir a morbidade", diminuir a doença e a enfermidade no final da vida, estendendo a expectativa de dias saudáveis.

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