Chernobyl: inabitável por 24 mil anos, mas com vida selvagem próspera

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Imagem: Pripyat, ao lado de Chernobyl. Fonte: Pixabay.
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O desastre de Chernobyl, ocorrido após um teste de segurança em uma usina nuclear, completou 35 anos em 2021, porém mesmo após tanto tempo, ele segue tendo suas implicações estudadas em humanos, plantas e animais. Embora o solo ainda seja improdutivo no local – e os cálculos estimam que a área só se torne habitável por humanos novamente daqui a 24.000 anos –, animais selvagens estão prosperando e aproveitando a natureza sem precisarem se preocupar com a interferência humana.

Raposa avistada nos arredores de Chernobyl em 2017.Raposa avistada nos arredores de Chernobyl em 2017.Fonte:  SEAN GALLUP/GETTY IMAGES. Reprodução. 

É o caso dos cavalos-de-przewalski, espécie em extinção, considerada a última de cavalos selvagens ainda existente. Em 1998, 30 destes animais foram soltos na Zona de Exclusão de Chernobyl e deixados por conta própria. Lá, precisaram enfrentar outros animais selvagens, como lobos e ursos, além dos potenciais efeitos da radiação liberada pela usina no desastre. Mas os animais sobreviveram e aumentaram o bando: atualmente, estima-se que pelo menos 150 cavalos-de-przewalski habitem a região.

E não são só eles. “Nossas pesquisas com armadilhas fotográficas na Ucrânia fotografaram lince-euroasiático, urso-pardo, cegonha-preta e bisão-europeu”, disse Nick Beresford, pesquisador do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido, em entrevista ao site Euronews. “Pesquisadores ucranianos e bielorrussos registraram centenas de espécies de plantas e animais na zona, incluindo mais de 60 espécies [raras].” Alces, veados, javalis e lobos também têm sido vistos em abundância.

Radiação na floresta

À época do desastre de Chernobyl, a vida selvagem foi bastante afetada. Além das milhares de mortes humanas – 4.000 segundo dados oficiais, mas que podem chegar a 16.000 em toda a Europa, segundo dados do site Our World In Data – e danos irreversíveis à saúde de tantos outros, a radiação liberada pela explosão dizimou toda a floresta de pinheiros próxima à usina.

Os elementos químicos que foram liberados na atmosfera também contaminaram a água local e destruíram muitas populações de plantas e de animais. As forças soviéticas, por sua vez, fizeram o patrulhamento da Zona de Exclusão e mataram todos os animais sobreviventes que estavam à vista na década de 80.

De lá pra cá, a flora e a fauna se recuperaram – e pesquisadores acreditam que elas estejam prosperando. Apesar disso, muitas safras cultivadas recentemente na região ainda registram níveis perigosos de radioatividade. Mutações também são mais comuns nas plantas e animais de Chernobyl do que em outras regiões, segundo um artigo publicado em 11 de maio no site Mental Floss.

Inabitável para o ser humano, mas um parque de diversões para a vida selvagem.Inabitável para o ser humano, mas um parque de diversões para a vida selvagem.Fonte:  Pixabay 

Ainda não há um panorama completo de como a radiação está afetando as espécies selvagens que atualmente ocupam a zona de exclusão. Mas o crescimento populacional dos animais e a biodiversidade impressionante sugerem que as coisas estão indo surpreendentemente bem para a vida selvagem em Chernobyl - talvez até melhor do que estariam se os humanos ainda vivessem por lá.

“O fardo trazido pela radiação em Chernobyl é menos severo do que os benefícios obtidos com a saída dos humanos da área”, afirmou ao site Euronews o professor de bioquímica vegetal Stuart Thompson, da Universidade de Westminster, em Londres, na Inglaterra.

Já para nós, humanos, a história é bem diferente: podemos não ter permissão para nos estabelecer com segurança em Chernobyl novamente por cerca de 24.000 anos. Então as plantas e os animais podem continuar a colher os benefícios de não ter que lidar com nossa espécie em um futuro próximo.

Mapa da região contaminada por césio-137, um dos elementos químicos liberados durante a explosão. Vermelho indica maior índice de contaminação, seguido pelas cores mais escuras.Mapa da região contaminada por césio-137, um dos elementos químicos liberados durante a explosão. Vermelho indica maior índice de contaminação, seguido pelas cores mais escuras.Fonte:  UNSCEAR 

Atualmente, os níveis de radiação da região seguem um pouco acima do normal – permitindo apenas visitas de turistas curiosos e estadias breves.

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