3 pandemias em 3 mundos completamente diferentes

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Há alguns anos, depois de ler alguns artigos do Peter Diamandis, finalmente me caiu a ficha de como somos sortudos por termos nascido na era atual. Hoje, vivemos melhor do que os mais nobres reis e rainhas dos séculos passados, mas tenho notado que o pessimismo tem invadido os corações das pessoas no último ano por conta da pandemia da covid-19.

É óbvio que o mundo sem pandemia é o objetivo que todos devemos buscar, cuidando-nos ao máximo e vacinando-nos assim que possível. Mas como foram as últimas pandemias que assolaram o mundo e de que maneira eram as vidas dessas pessoas?

O site Statista aponta a varíola como a pandemia que mais matou pessoas no mundo, com 300 milhões de mortes, seguida pelo sarampo que matou 200 milhões, a gripe espanhola com 100 milhões de mortos e por fim a peste bubônica com 75 milhões.

Atualmente, o coronavírus levou à morte de aproximadamente 3 milhões de pessoas. São todas doenças que deixaram suas marcas tristes na história. Mas vamos deixar de lado a varíola e o sarampo, pois são doenças que assombram a humanidade desde os tempos de Ramsés V.

Viagem no tempo

Convido você a imaginar que está no ano 1350 na Europa. A peste bubônica já tinha saído da Ásia, onde surgiu, e invadido a Europa. As pulgas que viviam em ratos espalharam a doença em praticamente toda Europa, e as mutações de sua bactéria fizeram com que a transmissão acontecesse de uma pessoa para outra rapidamente.

Sabe aquele cenário de Game of Thrones? Pode-se dizer que a Europa nessa época era uma Winterfell. Mais de 80% da população vivia na extrema pobreza, não tinham casa, poucos eram alfabetizados e não havia conhecimento médico sobre as bactérias. Os curandeiros tratavam as doenças com sangrias e sanguessugas. Uma família naquela época vivia o medo advindo da ignorância diariamente.

Não havia meios de comunicação que pudessem recomendar melhores práticas ou mesmo alertar o surgimento de uma pandemia na Ásia que estava indo para a Europa. Fique em casa? Que casa? A peste bubônica foi implacável, pois não tínhamos ciência nem tecnologia. Foram tempos muito sombrios.

Em 5 anos, a peste bubônica dizimou quase 50% da população europeia

Saindo de Winterfell

Agora viajaremos para 1918. Saímos de "Winterfell" e estamos em um planeta onde muitos problemas sanitários já foram resolvidos. A primeira vacina, contra a varíola, foi inventada em 1796. A ciência já estava a todo vapor em 1918. Na época da gripe espanhola, a comunidade científica já tinha conhecimento para se empenhar em busca de alternativas a fim de diminuir os casos.

A indústria das comunicações já dava passos largos, os continentes estavam conectados por telégrafos e telefones, as notícias chegavam aos cidadãos em jornais impressos e pasquins. As recomendações a todos eram acertadas: distanciamento social, máscaras e higiene das mãos.

O índice de pobreza mundial já tinha diminuído muito desde a peste bubônica, sendo que 60% da população mundial estava na extrema pobreza e não tinham casa. A economia foi totalmente impactada, e trabalhar de casa era impossível para praticamente todas as profissões.

A gripe espanhola durou de 1918 a 1920 e causou a morte de 100 milhões de pessoas

Os dias atuais

Aceleramos 100 anos e chegamos em 2020. Os avanços tecnológicos e científicos nos colocam em outro patamar para encarar de frente uma nova pandemia. O planeta está conectado pela internet e aproximadamente 67% da população mundial têm um celular que os conectam ao resto do mundo. As informações sobre a covid-19 estão em todas as mídias e cabe agora ao cidadão o bom senso de saber escolher suas fontes.

A extrema pobreza mundial caiu para 9,5% da população. A grande maioria das pessoas no mundo agora tem suas casas, água e energia elétrica. O Brasil tem mais da metade de suas casas com acesso à internet.

A tecnologia fez as pessoas poderem buscar e encontrar alternativas para enfrentar a pandemia. Nunca a dupla Netflix com iFood foi tão útil. Os procedimentos de distanciamento social tão importantes a um século atrás, agora foram atenuados pelo The Mandalorian ou pelo Gambito da Rainha.

Em um ano de pandemia, laboratórios do mundo inteiro conseguiram criar diferentes vacinas e agora tudo indica que estamos indo em direção ao fim dessa jornada sofrida. Os avanços tecnológicos e científicos surgidos nos últimos 100 anos fizeram a humanidade estar mais preparada para enfrentar essa nova pandemia.

Para exemplificar, existem quatro tipos de vacinas diferentes que foram desenvolvidas pelos laboratórios: uma  contém o vírus inteiro atenuado; a outra, uma subunidade protéica do vírus; há também uma vacina que tem apenas ácido nucleico do vírus (DNA/RNA); por fim, uma que apresenta um vetor de outro vírus (gripe comum por exemplo) e dispara reação imunológica contra a covid-19. É a Ciência e a Tecnologia ao nosso lado, lutando por nós, mas ainda é importante todos se cuidarem, pois está quase acabando.

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Hvon, colunista do TecMundo, é professor de Inovação no MBA da ESPM e trabalha há 25 anos com tecnologia. Mentor de Startups pela Endeavor e TEDx speaker. Ele tem passado a pandemia vendo Prime Video, comendo pipoca, publicando stories de seu novo filhote de pastor australiano e escrevendo para a coluna do TecMundo. Siga-o nas redes twitter e instagram @hvon.

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