CFM mantém aval à cloroquina, mas punirá médico que indicar kit covid

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Mesmo após extensa documentação publicada ao longo dos últimos meses, com estudos científicos e reiteradas manifestações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que afirmam e atestam a ineficácia de medicamentos como a cloroquina contra a covid-19, desaconselhando o uso do remédio, o Conselho Federal de Medicina (CFM) defende que não há consenso para proibir o medicamento.

Em entrevista ao Estadão na quinta-feira (25), o presidente do importante órgão de classe, Mauro Ribeiro, disse que o CFM irá manter o seu polêmico parecer de abril do ano passado que autoriza os médicos brasileiros a prescreverem o remédio, defendendo que estes profissionais têm autonomia para indicar as medicações que julgarem necessárias.

No entanto, quando questionado sobre os relatos recentes dos efeitos colaterais graves associados ao uso do conhecido “kit covid”, que também inclui remédios como a azitromicina e a ivermectina, o presidente afirmou que profissionais que alardearem o kit como cura milagrosa, ou prescreverem coquetéis de medicamentos que possam causar danos à saúde, responderão sindicâncias nos conselhos regionais.

"O médico brasileiro não precisa de ninguém para tutorar"

Fonte: Reuters/ReproduçãoFonte: Reuters/ReproduçãoFonte:  Reuters 

Durante a entrevista, o jornal paulista continuou questionando a manutenção do Parecer CFM 4, de 2020, perguntando se os estudos randomizados duplo cego, considerados padrão ouro da pesquisa clínica, comprovando a ineficácia da cloroquina e azitromicina, não teriam peso para o conselho. Mauro Ribeiro respondeu que "essa ideia de que a ciência já concluiu que essas drogas não tem efeito não é 100% verdadeira”.

O presidente do CFM disse que não entende por que tamanha resistência de se respeitar a autonomia do médico e do paciente no tratamento de uma doença que ainda não tem tratamento conhecido. Mas ressalta que “o nível do médico brasileiro é muito bom, ele estuda, não precisa de ninguém para tutorá-lo”.

Ao final da entrevista, Ribeiro afirma que, quando "nós tivermos vacina, e nós vamos ter, acho que a gente só não vai alcançar os Estados Unidos".,

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