Pessoas inteligentes são mais felizes? Veja o que diz a ciência

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Os psicólogos evolucionistas Satoshi Kanazawa e Norman Li avaliaram em um estudo que pessoas de alto QI sentem-se felizes solitárias porque conseguem se adaptar melhor a círculos de amizades menores. Também não almejam grandes cidades da mesma maneira que muitos e se sentem melhor com menos interações com amigos, e se satisfazem ocupando o tempo com tarefas determinadas e buscando focos que resultam em diferentes “empolgações”.

Em um outro estudo publicado na revista Psychological Medicine, descobriu-se que pessoas com QI mais elevado (maior que 120 pontos) eram mais felizes que as com QI menos elevado (menor que 99 pontos). Fatores determinantes, como renda, influenciam esse resultado, e pessoas com maior QI tendem a ter uma renda maior ou mais equilibrada.

Wataru Sato, em sua pesquisa, definiu que pessoas com mais felicidade subjetiva tinham mais substância cinzenta no cérebro, células neuronais, na região do lóbulo parietal, precuneus. As com maior intensidade de felicidade e que sentem menor intensidade na tristeza e são mais capazes de encontrar sentido na vida apresentam precuneus maiores. O número de neurônios e de ramificações dendríticas contribui para o aumento da massa.

Partindo dessa premissa, e levando em consideração a inteligência DWRI, em que o córtex pré-frontal e as demais regiões relacionadas à inteligência são bem desenvolvidas, mesmo as pessoas não DWRI com alto QI têm uma chance aumentada de demais regiões se desenvolverem sob influência do QI.

Na pesquisa de Sato, foi detectado que quando um indivíduo é feliz, regiões da inteligência lógica, QI, não estão ativas, mas isso ocorre porque não necessariamente a região da felicidade teria de ser a da inteligência, mas esta pode determinar a felicidade, assim como o desenvolvimento das regiões cerebrais está relacionado à inteligência.

Há 14 regiões relacionadas às habilidades mentais que compõem a inteligência, como o córtex pré-frontal dorsolateral (envolvido em processos cognitivos), lobo parietal (processamento dos sentidos) e córtex cingulado anterior (ajuda no controle de impulsos e decisões).

Mais substância cinzenta, corpos de células nervosas, células da glia e dendritos, nos lobos frontais do cérebro, é um indicador de inteligência nas mulheres e, nas áreas frontais e traseiras ligadas à integração das informações dos sentidos, nos homens. Além da massa avantajada, que está relacionada ao tamanho dos neurônios, também há a boa conexão entre essas 14 regiões, devido à velocidade na troca de informações. A teoria do fator g de Charles Spearman pode estar relacionada a essas conexões, sua potência e velocidade, como descrevo em meu artigo Velocidade das sinapses.

A felicidade, como descrito nesse artigo, advém do equilíbrio emocional, da homeostase, que é a habilidade de manter o meio interno em equilíbrio constante com o meio externo independentemente de alterações. A homeostase neuronal também está relacionada à sincronia e ao equilíbrio dos neurotransmissores para maior facilitação desse sentimento de satisfação.

A felicidade também está relacionada a questões socioeconômicas e ao equilíbrio, pessoas de baixa renda se preocupam mais, têm maiores chances de problemas de saúde, mais sintomas de sofrimento psíquico e precisam de mais ajuda com habilidades da vida diária. Mas os que têm muito perdem o objetivo, a razão e a motivação das conquistas.

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Fabiano de Abreu Rodrigues, colunista do TecMundo, é doutor e mestre em Ciências da Saúde nas áreas de Neurociências e Psicologia, com especialização em Propriedades Elétricas dos Neurônios (Harvard). É membro da Mensa International, a associação de pessoas mais inteligentes do mundo, da Sociedade Portuguesa de Neurociência e da Federação Europeia de Neurociência. É diretor do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH), considerado o principal cientista nacional para estudos de inteligência e alto QI.

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