Timelapse mostra como será a Via Láctea em 1,6 milhão de anos

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Imagem: ESA/Gaia/DPAC/Divulgação
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Em meio milhão de anos, as noites serão bem diferentes – talvez nem mesmo o ser humano esteja por aqui para apreciá-las. O que acontece sob o céu não pode ser previsto, mas, para saber o que ocorrerá acima do horizonte daqui a 400 mil anos, astrônomos usaram o observatório espacial Gaia para extrapolar a aparência da Via Láctea.

Para simular o lapso de tempo de nossa galáxia, pesquisadores da Agência Espacial Europeia (ESA) escolheram aleatoriamente 40 mil estrelas a 325 anos-luz de distância e extrapolaram seu movimento pela Via Láctea em 80 mil anos, 400 mil anos e 1,6 milhão de anos.

“A partir do catálogo do Gaia sabemos as posições atuais de todas as estrelas no espaço e seu movimento em três dimensões. A animação é baseada na previsão das posições das estrelas no espaço, em relação ao Sol, ao longo do tempo”, explicam os pesquisadores em um comunicado da ESA.

A animação mostra as estrelas percorrendo a Via Láctea para no fim se agruparem apenas de um lado. Esse efeito, na verdade, se deve à posição do Sol, que também se move pela galáxia.

Os pesquisadores explicam: “se você se imaginar movendo-se por uma multidão, então, a sua frente, as pessoas parecerão se afastar conforme você se aproxima delas, enquanto às suas costas elas parecerão ficar cada vez mais próximas conforme você se move para longe delas. Esse efeito também ocorre devido ao movimento do Sol em relação às estrelas".

Censo estelar

A ESA já divulgou dois catálogos de estrelas do GAIA; o terceiro (chamado Gaia Early Third Data Release, ou Gaia EDR3) tornou-se disponível no dia 3 de dezembro (essa é a primeira parte; a segunda será lançada em 2022).

Posto em órbita em 2013, o observatório espacial tem como missão fazer um mapa tridimensional da Via Láctea e coletar dados sobre a composição, a formação e a evolução da galáxia.

O objetivo final é identificar cerca de 1 bilhão de estrelas tanto na Via Láctea como no Grupo Local a que ela pertence. O novo catálogo conta com os perfis detalhados de mais de 1,8 bilhão de estrelas, além de acrescentar mais 1,5 bilhão de sóis a ele.

Estrelas próximas

Gaia também está determinando quão rápido o Sistema Solar corre em relação ao restante do Universo: 0,23 nm/s. Essa aceleração faz nós desviarmos da rota a distância equivalente ao diâmetro de 1 átomo a cada segundo – em 1 ano, o desvio chega a 115 km.

Mas o motivo de orgulho dos pesquisadores é o novo Catálogo de Estrelas Próximas de Gaia, com 331.312 objetos (92% há 326 anos-luz) com suas respectivas medições de localização, movimento e brilho.

Ele substitui o Catálogo Gliese de Estrelas Próximas. Criado em 1957, inicialmente com 915 objetos, ele foi ampliado em 1991 para 3.803 objetos celestes (a 82 anos-luz de distância).

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