Nova espécie de animal aquático é reconhecida com base em vídeos

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Na segunda-feira (30), o site Science Alert divulgou imagens de um animal marinho, que é a primeira espécie reconhecida pela Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera (NOAA na sigla em inglês), com base exclusivamente em imagens de vídeo de alta definição capturadas no fundo do oceano.

A criatura gelatinosa chamada de Duobrachium sparksae é um ctenóforo, filo do qual fazem parte as carambolas-do-mar e as águas-vivas-de-pente. O animal foi filmado pela primeira vez por uma câmera colocada no veículo operado remotamente (ROV) durante um mergulho realizado na costa de Porto Rico.

Ilustração digital (Fonte: Nicholas Bezio/Reprodução)Ilustração digital (Fonte: Nicholas Bezio/Reprodução)Fonte:  Nicholas Bezio 

O primeiro avistamento do animal aquático

O contato visual com a criatura singular ocorreu em meados de 2015, a uma profundidade de 3,8 mil metros. Dois encontros posteriores com o novo ctenóforo também ocorreram na mesma ocasião.

O motivo de o reconhecimento ser realizado apenas cinco anos depois deve-se à forma com o qual ocorreu: baseado apenas em evidências em vídeo, sem possibilidade de um exame físico para ser avaliado pelos especialistas. Para isso, eles se valeram das imagens em altíssima definição do ROV, que possibilitaram a análise de aspectos milimétricos do corpo gelatinoso do espécime.

Um dos avaliadores, o biólogo marinho Allen Collins, da NOAA, reconheceu que, na falta de um microscópio de laboratório, o vídeo foi capaz de fornecer informações suficientes para compreensão da morfologia do animal aquático, como partes reprodutivas e outros aspectos.

Características do Duobrachium sparksae

Mike Ford, um dos primeiros oceanógrafos a visualizar os organismos, explicou que “ele se move como um balão de ar quente ligado ao chão por duas linhas, mantendo uma altitude de nado específica”. Não foi possível avaliar se os três espécimes observados são conectados ao chão, ou apenas próximos ao fundo do mar.

Embora os oceanógrafos tenham esperança de fazer a coleta física dos espécimes do animal aquático, que eles estão chamando de "geleia-de-pente", em futuros mergulhos, pode ser que isso somente aconteça em décadas.

Sorte da D. sparksae, pois a elevação de uma dessas bolhas gelatinosas até o nível do mar, a cerca de 4 quilômetros acima do seu habitat natural, poderia ser uma operação muito arriscada, e inútil. Conforme Collins. ainda que isso fosse viabilizado, o tempo para processar o animal seria muito reduzido, pois os ctenóforos historicamente se decompõem rapidamente.

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