Observatório de Arecibo corre o risco de desabar

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Imagem: SkySat/Reprodução
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Em funcionamento desde 1963, o observatório de Arecibo, em Porto Rico, corre o risco de ver sua antena parabólica desabar por conta da deterioração dos gigantescos cabos de aço que a sustentam, fazendo colapsar uma parte importante da história da astronomia.

“Como alguém que depende de Arecibo para fazer ciência, estou com medo. É uma situação muito preocupante. Há uma possibilidade de falha catastrófica em cascata”, disse o astrônomo Scott Ransom, do Observatório Nanohertz para Ondas Gravitacionais da América do Norte, à agência de notícias Associated Press (AP).

Em agosto, um cabo auxiliar, ao se partir, abriu um buraco de 30 metros no gigantesca prato, danificou oito painéis no Domo Gregoriano (uma estrutura localizada acima da antena), além de torcer a plataforma usada para acessar o domo (é possível ver o buraco na imagem acima, tirada de um satélite).

O cabo arrebentado em agosto abriu um buraco de 50 metros na antena parabólica.O cabo arrebentado em agosto abriu um buraco de 50 metros na antena parabólica.Fonte:  Arecibo Observatory/Divulgação 

Agora, um dos 12 cabos de aço principais que seguram a antena parabólica de 307 metros acima do solo, projetado para sustentar 544 toneladas, quebrou sob 283 mil quilos. Ainda não se sabe o que causou a ruptura.

"Cada um dos cabos restantes da estrutura está agora suportando mais peso do que antes, aumentando as chances de mais outro cabo arrebentar, o que provavelmente resultaria no colapso de toda a estrutura", disse em comunicado a Universidade Central da Flórida (UCF), responsável pelo observatório.

Sinais de ruptura

O dano mais recente foi provavelmente o resultado da degradação do cabo ao longo do tempo, agravado pelo peso extra. O observatório, como toda a ilha, sofreu danos com a passagem do furação Maria que devastou Porto Rico, em setembro de 2017.

Não foi a primeira catástrofe ambiental a atingir o Arecibo, mas a falta de recursos fez com que os reparos no observatório ainda estivessem em andamento quando o primeiro cabo se rompeu, há três meses.

Depois da quebra do cabo principal, Rob Margetta, porta-voz da US National Science Foundation (NSF, uma agência federal independente a qual pertence o observatório), disse que não há ainda estimativas tanto da engenharia necessária como dos custos dos reparos do observatório. Segundo ele, conseguir o dinheiro necessário (Arecibo é parcialmente financiado pela NASA) provavelmente envolveria o Congresso.

O cabo auxiliar que se rompeu em agosto, com 7,5 centímetros de diâmetro, pesava 30 quilos por metro; desabaram sobre a antena mais de 200 metros de aço.O cabo auxiliar que se rompeu em agosto, com 7,5 centímetros de diâmetro, pesava 30 quilos por metro; desabaram sobre a antena mais de 200 metros de aço.Fonte:  Arecibo Observatory/Divulgação 

As equipes de reparos já notaram indícios de quebra em dois dos cabos principais restantes. Se a NSF ainda não divulgou uma estimativa de quanto será preciso para reparar os danos, o observatório avalia que custará mais de US$ 12 milhões.

A UCF, em comunicado, disse que iniciou "a instalação de um sistema de instrumentação para monitorar as condições da estrutura, o que ajudará a minimizar o risco para nossas equipes de reparos".

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