O sexo também é objeto de estudo para a ciência

Uma das grandes características da ciência é a capacidade que ela tem de aperfeiçoar aspectos cotidianos de nossas vidas, como a alimentação e o sono. E se existe um assunto comum que não pode ficar de fora do escopo do estudo científico, esse é o sexo. Confira, então, cinco experiências que ajudaram a moldar a sexologia moderna e a revolucionar a maneira como o ser humano encara a própria sexualidade.

O início da sexologia: teoria com muita prática

Parece que tudo resolveu acontecer durante a década de 60: a primeira ida do homem ao espaço, a criação da ARPANET, o lançamento do primeiro microchip e, para terminar a década em grande estilo, o homem pisou na Lua. Em relação ao sexo, as notícias também foram bem entusiasmantes.

Antes dos anos 60, a área conhecida como Estudos da Sexualidade Humana era praticamente deixada de lado, em parte devido às convenções sociais da época. Mas um casal estava prestes a mudar isso: William Masters e Virginia Johnson estudaram tanto a psicologia quanto a fisiologia do comportamento sexual humano, levantando informações que ajudaram a moldar a Sexologia moderna.

William Masters e Virginia Johnson, casal que ajudou a moldar a sexologia moderna (Fonte da imagem: LIFE)

Curiosamente, o método de estudo da equipe liderada por Masters e Johnson seria inconcebível nos dias de hoje: centenas de homens e mulheres eram selecionados e separados em casais de maneira arbitrária. Depois disso, os cientistas observavam o ato sexual praticado por cada casal e coletavam dados para suas pesquisas.

Por mais estranho que pareça, essas pesquisas trouxeram avanços para o tratamento de disfunções como ejaculação precoce e vaginismo, além de obter dados sobre orgasmos múltiplos e a condição sexual na terceira idade.

A descoberta do ponto G

Ao pesquisar sobre o papel da uretra no orgasmo feminino, o ginecologista alemão Ernst Gräfenberg publicou um artigo, em 1950, que levanta controvérsias até hoje.  Em seu trabalho, o médico defendeu a existência de uma zona altamente erógena encontrada em toda mulher, próxima à uretra e acessível por meio da parede anterior da vagina. Mais tarde, essa região estimulante acabou sendo batizada de Ponto Gräfenberg, ou Ponto G.

Suposta localização do Ponto G, destacado na imagem acima (Fonte da imagem: Wikimedia Commons)

Mas a verdade é que o tal Ponto já havia sido descrito muito antes pelo médico holandês Regnier de Graaf, no século XVII. A parte bizarra da história é que, segundo reza a lenda, o cientista teria notado essa região, pela primeira vez, em cadáveres usados para o estudo da anatomia feminina.

Apesar de ser difícil de comprovar com exatidão essa informação, é bem provável que ela seja mesmo verdade, já que essa foi a época em que o estudo da anatomia floresceu na Europa. A atividade foi explorada até por artistas como Michelangelo e Rembrandt, que chegaram não só a estudar a ciência, como também a assistir a dissecações e vender trabalhos com a representação artística de órgãos e membros.

De qualquer forma, o fato é que o Dr. de Graaf realizou outras experiências bem estranhas. De acordo com um livro publicado por Dirk Schultheiss, por exemplo, o holandês chegou a provocar uma ereção no corpo de um homem morto ao injetar água na artéria ilíaca interna do cadáver. Cada um com suas preferências, certo?

Excitado? Freund explica!

Pletismógrafo penianano, dispositivo para medir ereções

O médico e sexologista Kurt Freund — não confundir com o psicanalista Sigmund Freud — é famoso por ter inventado um aparelho de nome complicado e função peculiar: o pletismógrafo peniano, um dispositivo capaz de medir alterações na circunferência e no fluxo de sangue do pênis. Ou, em outras palavras, uma máquina que monitora ereções.

E a esquisitice não para por aí. Ao tomar conhecimento da invenção, o exército tcheco contratou Freund com uma missão de suma importância: confirmar a suposta homossexualidade de recrutas que tentavam escapar das obrigações militares, já que as forças armadas não permitiam a inserção de gays em seu contingente.

O experimento era simples. Depois de conectar o dispositivo ao órgão genital do suspeito, Freund exibia imagens que podiam ser excitantes para o paciente e analisava como ele reagia a elas, podendo traçar, assim, um padrão de preferência sexual. Mais tarde, o pletismógrafo também foi usado para incriminar estupradores e pedófilos.

Como isso revolucionou o sexo? Bem, pelo menos na antiga Tchecoslováquia, o pletismógrafo fez com que Freund percebesse que a homossexualidade não era uma questão de opção ou de “ânimo” que surgia depois do quinto ou sexto drink.

Mesmo os pacientes que haviam passado por um programa de “reversão” de orientação sexual continuavam se excitando com imagens de outros homens, embora tivessem abandonado esse tipo de relação sexual. Com base nisso, Freund lutou pelo fim desse “tratamento” e, também, pela descriminalização da homossexualidade no país, que aconteceu em 1961.

O caso da pílula anticoncepcional

Por volta de 1930, cientistas foram capazes de isolar e determinar a estrutura de alguns hormônios até então desconhecidos. Com isso, descobriram que uma dose alta de androgênios, estrogênios ou progesteronas era capaz de inibir a ovulação de uma mulher.

Porém, ainda havia um problema para a fabricação de uma pílula que pudesse evitar a gravidez: esses “ingredientes” eram extraídos de animais por laboratórios europeus e chegavam aos cientistas com um custo muito alto.

Mas, em 1939, o norte-americano Russel Marker desenvolveu um método capaz de sintetizar a progesterona em uma planta conhecida como inhame-mexicano, abundante nas florestas tropicais de Veracruz, no México.

Com isso, Marker conseguiu quebrar o monopólio dos laboratórios europeus e tornar a pílula contraceptiva 200 vezes mais barata. Hoje, o medicamento é usado por mais de 100 milhões de mulheres no mundo todo como uma maneira efetiva de controle de natalidade. Santo inhame!

A gravidade do sexo no espaço

Por enquanto, nada de sexo no espaço! (Fonte da imagem: NASA)

Confessamos: somos fissurados por assuntos que envolvem ambientes de microgravidade. Você já leu por aqui como os astronautas se alimentam no espaço e até como eles fazem para ir ao banheiro. Agora, chegou a vez de falarmos sobre um aspecto essencial para a permanência de humanos fora da Terra durante um longo período: o sexo.

Esse é o melhor experimento científico que, supostamente, nunca aconteceu. Em teoria, é possível imaginar diversas dificuldades para a execução do ato sexual em um ambiente com peso reduzido. Mas há questões ainda mais preocupantes, como a possibilidade de procriação em um ambiente desses, já que a microgravidade exerce influência sobre os músculos, fluidos e outros aspectos do corpo humano.

O assunto sempre foi considerado um tabu durante todas essas décadas de exploração espacial. Há, inclusive, especulações sobre a possibilidade de um ato sexual ter ocorrido durante a missão STS-47, já que os astronautas Mark C. Lee e Jan Davis, casados oficialmente, faziam parte da tripulação. Dizem que uns amassos no espaço fazem as pessoas verem estrelas.

Conspirações à parte, o fato é que o ser humano já observou a influência da microgravidade na reprodução de cobaias. Os experimentos demonstraram que fetos de ratos se desenvolvem sob essas circunstâncias, mas com algumas consequências: baixa taxa de crescimento, distúrbios sensoriais (não conseguiam ficar em pé), hidrocefalia e problemas nos rins.

Roupa especial para os amantes do espaço

(Fonte da imagem: Reprodução/Wikipedia)

Pensando de maneira mais prática, a escritora e atriz Vanna Bonta desenvolveu, em 2006, um traje especial para casais que procuram um pouco de intimidade no espaço. Conhecido como 2suit, a roupa ajuda a manter a proximidade dos corpos com a ajuda de velcros, zíperes e outros detalhes técnicos.

O 2suit chegou a ser testado por Bonta e seu marido durante um voo filmado pelo History Channel, para a série The Universe. Mas calma, não foi bem como você está pensando. Como a aeronave precisava voar em parábolas para simular o efeito de microgravidade, o casal tinha intervalos de apenas 30 segundos para conectar seus trajes, dar um beijo e se separar.

Apesar do pouco tempo e das dificuldades, o casal conseguiu o que queria depois de algumas tentativas. O beijo, um pouco atrapalhado e apressado, pode ser visto aos 7:40 minutos do vídeo acima.

Por enquanto, ainda sabemos muito pouco sobre o sexo e a procriação no espaço. Mas se quisermos mesmo explorar o universo, com missões tripuladas de longa duração, essa é uma questão a ser levada em consideração. Afinal, já imaginou como seriam meses ou anos de exílio com outras pessoas em um planeta sem televisão?

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